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Namoro proibido

  Adriana e Tadeu estavam namorando há pouco tempo, estudavam na mesma faculdade, mas viviam em mundos completamente diferentes. Ela era da alta sociedade e ele era apenas um estudante, sem grandes expectativas financeiras, vindo de uma família humilde. Mas nada disso importava para Adriana, que viu nele o homem que ela queria ao seu lado, um sujeito simples, romântico, determinado e confiante. Passados dois meses, ela finalmente decidiu apresentá-lo à família, num almoço comemorativo. Os pais dela tiveram uma primeira impressão positiva de Tadeu, mas, à medida que foram descobrindo que ele vinha de uma família pobre e sua melhor perspectiva era se tornar professor e pesquisador universitário, essa impressão deu lugar a uma clara antipatia e oposição ao namoro, na forma de indiretas e indelicadezas sutis. Por meio de comentários preconceituosos, o pai dela começou a discursar que o cargo de professor universitário era algo medíocre, apesar de ultimamente ter alcançado algum rec...

Cara de pau (garanhão sincero)

  Johnny era chamado de cara de pau, mas ele não concordava com essa expressão. Preferia que fosse conhecido como sincero, afinal ele achava que falava a verdade, apesar de não ser politicamente correto. Como ele mesmo definia, certas verdades doíam e por isso muitas pessoas tinham a impressão de que ele era um bad boy. Johnny tinha uma ex-namorada que era muito bonita e simpática, mas ele não a amava. Eles se encontravam de tempos em tempos e Mariane não resistia à tentação de poder estar com ele e ela mesmo marcava alguma coisa, sempre esperando que ele voltasse a sentir algo por ela. E nos momentos de intimidade ela pedia: diz que me ama . Mas ele não dizia, apenas fazia alguns carinhos de forma delicada para compensar. Depois de ele ir embora, ela se sentia triste, depressiva, sozinha, nervosa e angustiada. Certa vez, ela disse como se sentia e que ele era o culpado. – As emoções que você sente ou quer sentir só podem ser atribuídas a você mesma – ele disse calmamente....

Oi, sumida? (de novo não)

  No começo da noite, Daniel disse: oi, sumida. Dias atrás, Valentina teria achado o máximo, ficaria muito animada e responderia o mais rápido possível, já imaginando que eles se encontrariam naquela noite. Eles já estavam se envolvendo há um ano. Logo no início, ele disse que não queria nada sério, nada de compromisso, namoro nem nada parecido. E ela aceitou numa boa e até gostou desse tipo de envolvimento. Afinal de contas, ela não teria que dar satisfação do que estava fazendo, pra onde iria, com quem estava. E ainda teria alguém pra ficar quando quisesse. Parecia perfeito. Mas, depois de dois meses, ele começou a aparecer num dia e sumir durante quinze dias ou mais, e o que parecia perfeito começou a não ser mais suficiente. Ela queria mais, mas continuou se envolvendo com ele, mesmo expondo seus sentimentos (não correspondidos por ele, que fingia que nada tinha escutado) e sabendo que aquilo não estava lhe fazendo bem. Naquela noite, porém, ela disse que foi ele que su...

Você quer jogar? (jogo do amor)

  Jair conheceu Nadine numa balada sertaneja. Já estava quase no final da festa quando ele a avistou e foi até ela para conversar. Eles estavam alegres, como é de se esperar numa balada desse tipo. Já tinham bebido alguns drinks , mas ela disse que já estava de saída porque suas amigas estavam indo embora. Ele, então, pediu o número do celular dela e ela o passou numa boa e se despediu. No outro dia, Jair a chamou para conversar por meio de um aplicativo de celular e eles conversaram bastante. A conversa estava fluindo muito bem. Mas, quando ele a chamou para sair, ela disse que eles precisavam conversar mais, pois ela não o conhecia muito bem. Faz sentido , ele pensou. E então eles conversaram por mais uma semana, todos os dias, e o papo geralmente era bem agradável, mas algumas vezes ela demorava muito para responder e outras vezes não respondia. Ele ligou o sinal de alerta, mas continuou conversando com ela e, depois de muita insistência dele, finalmente eles marcaram ...

Você decidiu ficar

  Quando eu pensei que você ia partir, você decidiu ficar. Parecia que tudo estava desmoronando. Nada dava certo e minha esperança estava quase acabando. Eu pensei que você ia me deixar, afinal de contas eu parecia um fracassado naquele momento e ninguém gosta de lidar com os problemas dos outros. Mas ainda bem que eu estava enganado. No meu pior momento, você permaneceu e me apresentou um amor que só se via na ficção. E aquele também foi o meu melhor momento porque naquele instante eu tive a certeza de que você era a mulher da minha vida. As coisas ainda estavam ruins, mas acabaram se ajeitando aos poucos, pois você me ajudou a superar tant o s obstáculo s, trouxe-me uma força extraordinária, que eu nem imaginei que tinha, e tudo foi se encaixando, oportunidades apareceram e nossa vida deslanchou. Mas nunca me esqueço que no fundo do poço você ficou ao meu lado e me mostrou o amor que eu só via nos melhores livros e filmes de romance. A vida é feita de escolhas, ...

Primeira vez (de novo)

  João Pedro estava voltando pra casa depois de um dia exaustivo de trabalho. Estava chovendo e o carro à frente deu uma freada brusca. De repente, ele perdeu o controle de seu carro, que capotou três vezes e colidiu com outro veículo. Quando acorda, dois dias depois, ele fica confuso e percebe que está num hospital. A enfermeira chama o médico, que faz algumas perguntas básicas para João Pedro, mas ele não sabe respondê-las. Bianca – esposa de João – entra no quarto e pergunta como ele está, mas ele diz apenas: – Quem é você? Ela sai do quarto correndo e chorando. Um milhão de pensamentos passam pela sua mente. Depois de alguns minutos, ela procura o médico, que diz que essa perda de memória pode ser temporária e dentro de alguns dias tudo pode voltar ao normal. Três dias depois, João Pedro recebe alta e volta para a casa dos pais. Os danos físicos estavam praticamente curados, mas a memória ainda não havia voltado. Pelo menos os oito anos anteriores ao acidente estavam...

Humor, infertilidade e gravidez inesperada

  Paulo estava retornando ao consultório médico para saber o resultado dos seus exames de fertilidade. Ele estava todo alegre e já chegou dando uma boa notícia ao médico. – Doutor, não preciso nem saber dos resultados. Minha mulher está grávida de dois meses! Osvaldo, o médico, colocou a mão na cabeça e pareceu um pouco surpreso. – Eu preciso te contar uma coisa – disse o médico, nitidamente desconfortável. – A gente fez o exame duas vezes, com duas contraprovas, de coletas diferentes, e o resultado é que você é estéril… – Não pode ser, doutor. Isso deve tá errado. – A gente pode refazer o exame, se você quiser, mas esses exames raramente falham. – Então, como minha mulher pode estar grávida? O doutor ficou ainda mais desconcertado, mas precisava manter o profissionalismo. – Existem algumas possibilidades, mas deixa eu te contar uma história. O médico fez uma pequena pausa. – Um homem saiu pra caçar e já ia atirar numa capivara, quando ele escutou um tiro e o an...

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