sábado, 18 de julho de 2015

Vamos fugir

Rafael estava em casa, vendo um seriado legal na televisão por assinatura, mas um sentimento de tédio começou a se instalar em sua alma.
Passados alguns minutos, ele decidiu pôr um fim naquele tédio e colocar em prática um plano maluco que há muito tempo ele tinha bolado.
Pegou seu telefone e abriu um desses aplicativos de conversação pela internet. Foi passando os seus contatos de um por um e chegou em Karol, uma garota que ele sabia que toparia qualquer aventura, desde que fosse com ele.
Ele a chamou para conversar e inicialmente perguntou se ela estava bem e se estava livre naquele início de tarde. Ela, instantaneamente, respondeu que estava ótima e que estava completamente livre e queria sair.
- Pois eu tenho uma boa notícia pra você! Estou querendo embarcar numa aventura incrível e resolvi te chamar pra ir comigo. Você topa? – ele disse, encaminhando a mensagem para ela.
- Com certeza!! Você passa aqui? – ela respondeu, entusiasmada.
- Arrume suas malas porque vamos fugir, querida. Te pego daqui uma hora.
Ela disse que estaria pronta a tempo e queria aproveitar ao máximo aquela aventura. Ele a pegou no horário combinado e eles pegaram a estrada rumo ao desconhecido. Duas horas depois, pararam num lugar paradisíaco, pouco conhecido, à beira do mar. A vista era linda e eles decidiram mergulhar e aproveitar a natureza.
Estava ficando tarde e ele, então, montou uma barraca e fez uma fogueira. Ele preparou a comida, simples e deliciosa e, após comerem, pegou seu violão e ficaram cantando músicas por quase uma hora. Depois entraram na barraca e o clima romântico perdurou até altas horas, quando só então se cansaram, exaustos e suados, e dormiram.
Pela manhã, desmontaram a barraca e partiram para outro lugar magnífico, repleto de cachoeiras e pequenos montes. A paisagem era incrível e eles mergulharam e aproveitaram cada instante. Eles estavam tão alegres, como uma criança que ganha seu primeiro brinquedo.
À noite, ela cozinhou e eles cantaram outras músicas, contaram histórias engraçadas e repetiram o romantismo na barraca.
O roteiro seguiu esse mesmo estilo por mais cinco dias, em lugares fantásticos e pouco explorados. Ela se sentia maravilhosamente bem, aproveitando cada momento, e ele estava orgulhoso por colocar seu plano em prática.
No final da aventura, ele a deixou em casa, sentindo que queria mais passeios como aquele e com uma pontinha de saudade dela. Olhou nos olhos dela e a beijou intensamente. Em seguida, disse apenas: A gente se vê, baby.
Ela, emocionada, ficou com a sensação de que ele voltaria em breve. Nunca se sabe.

Vamos fugir deste lugar, baby. [...] Qualquer outro lugar ao sol, outro lugar azul.” Trechos da música Vamos fugir da banda Skank.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Desespero

A madrugada passava devagar. Vanessa não sabia o que fazer; não tinha nem conseguido dormir depois do que se passou na noite anterior. Ela só conseguia pensar em Ricardo. Como ela tinha chegado nesse ponto? Não conseguia se perdoar pelo que tinha feito consigo mesma e também com o seu namorado (na verdade, ex-namorado).
Ele havia descoberto o segredo dela. Mas como ele tinha descoberto? Ela fazia tudo tão escondido, tão calculado. Como dizem, parece que a mentira tem mesmo perna curta.
Já havia quase um ano que ela tinha um amante e ele nem sequer desconfiava. Tudo parecia tão perfeito. Pra ela, é claro. E ele também achava tudo muito bom, até ontem.
Ela nem sabe, mas ele descobriu a traição de uma forma tão simples. Ela estava “dando muita bandeira” ultimamente e ele estava mais do que desconfiado. Bastou esperar um pouco perto da casa dela, depois que ele supostamente tinha saído de lá. Não passaram nem vinte minutos e um garoto chegou de carro. Desceu, tocou a campainha e ela logo apareceu, toda arrumada, e entrou no veículo. Isso tinha acontecido há dois dias.
No outro dia, Ricardo não apareceu na hora em que costumava chegar. Esperou alguns minutos e nada. Ligou para o celular dele. Fora de área ou desligado. Ligou na casa dele. Ninguém atendeu. Ela, então, ficou angustiada.
Depois de alguns minutos, ele ligou.
- Eu já sei de tudo. Acabou – a voz dele parecia muito triste.
- Como assim? Não estou entendendo – ela ainda tentava mudar a situação.
- Você vai se arrepender para sempre.
Ela tentou falar algo, mas ele já tinha desligado.
Ela não tinha conseguido dormir. Logo que amanheceu, foi para a casa de Ricardo. Chegando lá, viu uma ambulância. Ela não estava gostando do que estava acontecendo. Um corpo estava sendo levado para a ambulância. A mãe de Ricardo olhou para ela com uma expressão de dor e depois de desprezo. Todos a olhavam e alguém gritou “piranha”.
Ricardo havia cortado os pulsos. Estava morto e havia deixado uma carta, contando tudo.
Vanessa saiu dali correndo, completamente desesperada.


Aonde está você agora, além de aqui dentro de mim?”. Trecho da música Vento no litoral, da banda Legião Urbana.