quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Olhar perplexo (oportunidade perdida)

Leonardo estava numa clínica médica para a realização de exames de rotina, quando uma garota entrou, falou com uma atendente e se sentou perto dele.
Ele estava lendo uma revista, mas logo a abandonou para olhar mais detalhadamente a garota que tinha acabado de se sentar tão perto que ele estava sentindo o aroma delicioso do perfume que exalava do corpo dela.
Inesperadamente, ela disse que se chamava Jane e ele sorriu educadamente e disse seu nome. Ela, então, começou a puxar assunto com ele, perguntando sobre a clínica, o médico, os exames.
Leonardo, impaciente e meio desajeitado, não se atentou, mas ela talvez estivesse tentando chamar a atenção dele.
Ele, vendo aquela maravilhosa mulher o olhando enquanto falava, ficou meio inquieto e ansioso, sem saber qual atitude deveria tomar.
Havia mais duas pessoas naquela sala e uma delas lhe perguntou algo, mas ele não respondeu porque nem escutou a pergunta, pois estava em transe, viajando no meio dos seus pensamentos. Ele só pensava naquele olhar perplexo o encarando, como se dissesse “Você vai ficar parado aí só me olhando?”.
Em seguida, a atendente chamou o nome dele para entrar no consultório do médico e Leonardo então perdeu a chance de pedir o número do telefone de Jane, pois quando ele saiu da sala de exames ela já tinha ido embora.
Nesse momento, ele ficou angustiado, sentindo que perdeu uma grande oportunidade. Provavelmente ele nunca mais a veria e, desse modo, não saberia se ela estava sendo apenas simpática ou se ela queria mesmo que ele deixasse a timidez de lado e a chamasse pra sair.
Mas de repente uma ideia surgiu na sua mente e ele foi falar com a atendente, pois imaginou que a clínica tinha o telefone de Jane registrado. A secretária não quis revelar qualquer informação inicialmente, mas Leonardo contou sobre a troca de olhares e ela então ficou comovida e verificou se existia algum número no cadastro de Jane.
A esperança de Leonardo logo foi desfeita quando a atendente informou que não havia nenhum número de telefone naquele cadastro. Ela, então, ofereceu-se para ajudá-lo caso Jane aparecesse ali outra vez para o retorno da consulta.
Ele a agradeceu imensamente pela gentileza, mas sabia que era algo muito improvável. Rapidamente ele procurou pelo nome de Jane nas redes sociais, mas a pesquisa não foi positiva. Que azar, ele pensou.
Agora ele só poderia torcer para que a sorte o abraçasse e o inacreditável se tornasse real e prometeu a si mesmo que não deixaria mais passar oportunidades como essa.


All I see is missed opportunity. [Tudo que eu vejo é oportunidade perdida]” Trecho da música Missed Opportunity, da dupla Daryl Hall e John Oates.




terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ímã

É difícil de acreditar que eu esteja querendo abrir meu coração depois de tanto tempo. Mas você chegou de repente, de mansinho, e me fez voltar a desejar algo mais envolvente.
Logo eu que não queria me envolver, que estava protegido de qualquer emoção, seguindo a moda de não se apegar, evitando relacionamentos de longo prazo. Provavelmente eu só estava tentando me esconder e proteger meu coração machucado de mais uma decepção.
E agora estou disposto a baixar minha guarda e se entregar ao amor. Mas não antes de me assegurar que você não é só mais uma que vai embora sem deixar saudades ou, ao contrário, uma que vai deixar muitas lembranças e meu mundo sem chão.
Mas não existe esse tipo de segurança, só existem indícios, meras expectativas. É tão bonito acreditar que tudo vai dar certo, que vai ser perfeito, que existe uma confiança inabalável e vamos ser felizes para sempre, mas tudo pode desabar tão rapidamente, sem aviso prévio. De fato, o que existe é a esperança de que seremos uma das exceções nesse mundo cheio de fingimento e reviravoltas.
Então, o que fazer, se a minha vontade é correr esse risco, abraçar esse medo até que ele suma e deixar fluir esse sentimento que está se formando?
Há uma espécie de conflito entre a proteção e a vontade, porém, quanto mais me aproximo de você, esse aparente embate tende a seguir para o caminho de um relacionamento sério, o que pra mim era inimaginável até alguns dias atrás.
E eu fico pensando no que você tem de especial para despertar esse sentimento e simplesmente não consigo explicar. No fundo, acho que não deve mesmo existir uma explicação, mas algo em você é como um ímã e eu fico inevitavelmente atraído pelo seu olhar.
Só me resta fazer o meu melhor por nós e esperar que tudo corra bem porque não posso mais ficar preso dentro de mim mesmo, deixando a oportunidade passar.


Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.” Trecho da música All Star, de Cássia Eller.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A mala é falsa? (barraco)

Malas prontas, roupas jogadas no meio da rua, objetos atirados por todos os lados.
Thiago teve uma enorme surpresa quando chegou em casa. Ele simplesmente não sabia o motivo daquilo. Pensou até que a casa tinha sido assaltada.
Na cama havia somente um bilhete. Ele leu rapidamente. Como você pôde fazer isso comigo?” Era só o que estava escrito no pedaço de papel que ele tinha nas mãos.
Ele não estava entendendo nada. Ligou no celular de sua esposa: fora de área. O que está acontecendo?
Minutos depois, a sua esposa chegou gritando e chorando.
Como você pôde me trair com aquela vadia? Você é um cachorro, safado.
Ela disse tantos outros palavrões que nem dá pra descrever. Mas ele continuava sem entender nada.
Por que você acha que eu te traí? – ele perguntou simplesmente, tentando manter a calma.
Foi o seu próprio irmão que me disse. Ele não mentiria sobre isso.
Pois ele mentiu e você deveria ter investigado antes de fazer tudo isso – disse ele, parecendo irritado.
Mas por que eu duvidaria do seu irmão? Ele nunca mentiu pra mim – ela disse entre um soluço e outro.
Ele não passa de um cafajeste que se faz de santo perto de você com segundas, terceiras e quartas intenções. Só você não vê isso.
Ela ficou pensando e acabou lembrando que a sua sogra já tinha falado que o seu cunhado tinha uma leve queda por ela.
Ela chegou perto de seu marido e o abraçou com força, aos prantos.
Me perdoe, meu amor. Eu tenho tanto medo de te perder – disse ela, tentando conter o choro.
Ele disse que ela devia confiar mais nele e tudo ficaria bem, depois que ela apanhasse as roupas e objetos que estavam jogados pela casa e na rua.
Depois de tudo, fizeram amor como na lua de mel.


Veja só que tolice nós dois brigarmos tanto assim, se depois vamos nós a sorrir, ficar de bem no fim.” Trecho da música Brigas, de Cauby Peixoto.


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Ameaça de felicidade (dúvida)

É difícil de acreditar,
mas você chegou de repente
e me fez voltar a desejar
algo mais envolvente.

Logo eu que não queria me envolver,
que estava protegido de qualquer emoção,
talvez tentando me esconder
e proteger meu despedaçado coração.

Minha guarda logo poderia baixar,
mas antes eu queria me assegurar
que você não era só mais uma,
que se vai como a bruma.

Mas existe esse tipo de segurança?
É um risco que eu não queria correr,
uma mistura de medo e esperança,
um sentimento que não consigo conter.

E então o que devo fazer?
Você mudou a minha forma de pensar e agir
e agora vou ter que deixar acontecer
e com o tempo vou descobrir.



Eu tenho dúvida, em relação ao teu amor. Eu tenho medo. Quando eu me entrego é pra valer”. Trecho da música Eu Tenho Dúvida, do cantor Diogo Nogueira.



terça-feira, 8 de agosto de 2017

Bala perdida

Rafaela estava muito feliz. Seu dia tinha começado de forma perfeita, pois seu maior desejo tinha se realizado. Rogério, seu colega de classe, tinha finalmente criado coragem de se declarar para ela e eles tinham se beijado pela primeira vez.
Eles faziam o 2º período do curso de Odontologia e ela estava esperando por isso desde o semestre anterior, mas ele sempre se mostrava tímido demais para tentar algo além da amizade que havia se formado entre eles.
Para completar a felicidade dela, sua nota na prova da disciplina Histologia Bucal tinha sido a mais alta.
Na saída da faculdade, contou tudo nos mínimos detalhes para as suas colegas e elas ficaram muito contentes e sorridentes.
Depois do bate papo, ela e sua melhor amiga, Rosana, resolveram ir para o ponto de ônibus andando como geralmente faziam.
De repente, Rafaela gritou e caiu, e Rosana ficou assustada, sem saber o que tinha acontecido, mas logo viu sangue jorrando no chão e ouviu o barulho de tiros sendo disparados. Rosana se abaixou, examinou o corpo da amiga e gritou por ajuda.
Vai ficar tudo bem – disse ela, tentando acalmar sua amiga baleada.
Os tiros continuavam, mas Rosana não conseguia identificar de onde eles vinham, suspeitando da favela no morro ao lado da avenida em que estavam. Apesar do risco de também serem alvejadas, algumas pessoas vieram ajudar Rafaela e chamaram uma ambulância, que chegou em menos de quatro minutos.
Por sorte, o tiro acertou a coxa de Rafaela a cerca de cinco centímetros da artéria femoral, local que traria maior perigo de morte.
Mais tarde no hospital, com o risco de morte afastado, ela viu Rogério sentado ao seu lado e sorriu, feliz. No final, tinha sido um dia de felicidade.
Nada vai estragar o meu dia, ela pensou e agradeceu por sua vida.


Porque eu tô indo pro trabalho com medo da morte. Nessas horas eu queria ter um carro-forte pra poder sair de casa de cabeça erguida e não ser encontrado por uma bala perdida.” Trecho da música Bala Perdida, do cantor Gabriel, o Pensador.


sábado, 29 de julho de 2017

Arrependimentos e sonhos

Há tantas coisas que eu deveria ter feito, tantas situações em que eu tinha que ter agido e não agi. Nesses casos, só posso supor o que poderia ter acontecido. E não posso ficar lamentando, afinal já passou. Bola pra frente.
Tem um ditado que diz que é melhor se arrepender do que fizemos do que daquilo que não fizemos. Ou seja, devemos agir sempre que for possível. Como toda regra tem sua exceção, provavelmente não vamos nos arrepender de não termos realizado um genocídio.
Há tantas coisas de que me arrependo ter feito. E quem nunca se arrependeu de algo? Nesses casos, seria melhor não ter agido, não é? Mas já passou. Vamos seguir em frente.
O que eu gostaria de fazer? Queria poder ouvir as músicas de que gosto mais vezes, assistir aos melhores filmes, ler os melhores livros, viajar e passear mais com as pessoas que amo, sem se importar com o tempo, o lugar ou qualquer condição.
Queria ter muitos amigos, no verdadeiro sentido da palavra. Não aqueles que só servem para pedir ajuda nos momentos de dificuldade e que não ajudam e nem aparecem nos momentos difíceis.
Queria também poder ser mais amigo de quem se importa comigo, ser mais gentil e paciente.
Queria ir para um lugar distante, um lugar deserto e calmo, tipo uma praia desconhecida, com belas paisagens, longe de problemas e aflições, nem que seja por um minuto.
Enfim, queria vivenciar a felicidade em todos os momentos e me divertir sempre que possível.
Aliás, queria não. Eu quero! Afinal de contas, há muito para se viver e temos que buscar realizar os nossos sonhos.


Como é bom sonhar e o que ficou pra trás passou e eu não me importei. Foi até melhor, tive que pensar em algo novo que fizesse sentido”. Trecho da música Lugar Ao Sol, da banda Charlie Brown Jr.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Uma frase tão simples

Quando você ouviu o que eu disse,
você sorriu e me beijou.
Eu disse uma frase tão simples,
mas você se emocionou,
como se esperasse há muito tempo
e desejasse ansiosamente aquele momento.

E eu, que não tinha certeza,
vi no seu lindo olhar,
cheio de rara beleza,
o amor que eu esperava encontrar.

Então me disse o que eu queria ouvir
e eu nunca mais lhe deixarei partir.


Pra que o mundo inteiro enfim possa ver vou mandar publicar em letras garrafais essa frase tão simples… Te amo, te amo, te amo, te amo demais”. Trechos da música Em Um Outdoor, do cantor Zeca Pagodinho.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Uma corrente positiva

Muitas vezes tento encontrar um caminho para seguir, mas não o encontro. Geralmente o que encontro são pessoas que não se interessam pelo bem de ninguém, pessoas que estão sempre ocupadas demais para se preocuparem com os problemas dos outros.
Por que devo me preocupar com o problema de outra pessoa? Eu já tenho problemas demais! É o que essas pessoas pensam.
Outras vezes eu me decepciono vendo que até pessoas que poderiam ser chamados de amigo nos dão as costas no menor sinal de dificuldade.
Todas as pessoas passam por problemas e dificuldades e, quando isso acontece, querem ajuda. Mas, quando podem ajudar, não fazem nada. E essa ajuda pode ser apenas uma conversa, um apoio moral, um simples conselho. É na simplicidade que se encontra a solução dos problemas mais complexos.
O cotidiano e a rotina nos deixam alienados. Estamos sempre fazendo as mesmas atividades e, quando temos algum tempo livre, não o aproveitamos da maneira mais produtiva ou para resolver algo que há muito tempo deveríamos ter resolvido. Falar ou visitar alguém que não vemos há muito tempo? Deixa pra depois. E assim vamos deixando passar o tempo.
Mas a vida é curta e por isso devemos aproveitá-la, vivendo intensamente, sendo mais amigo e ajudando quando pudermos, pois uma boa ação gera uma corrente positiva.


Buscar a paz, cativar um amigo, oferecer o meu melhor sorriso a quem vem de lá, fazer o bem o quanto eu puder […] Ir além, ser a diferença na vida de alguém […] Seja você mais um elo também nessa corrente do bem”. Trechos da música Corrente do bem, de Robson Ribeiro.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Te enxergando pela primeira vez

Você sempre esteve por perto, mas eu não te via. E agora, de repente, eu não consigo tirar os meus olhos dos seus.
Era como se eu pudesse ver as estrelas mesmo num dia ensolarado e eu não conseguia me conter porque era você que eu via e meus olhos irradiavam luz por causa da emoção de te enxergar de verdade pela primeira vez. Dessa vez, eu te vi realmente, de um jeito totalmente diferente.
Parecia que eu estava olhando para outra pessoa, apesar de saber que era você, a mesma pessoa de sempre, e eu nunca tinha reparado na sua incrível beleza.
Era como um alarme de incêndio que depois de muitos anos foi disparado, como uma venda que caía dos meus olhos. De repente, você estava na minha frente e eu não conseguia tirar os meus olhos dos seus.
Então, se você não mudou, fui eu que mudei. Será que você também viu o que eu vi?
Não demorou muito e o seu rosto ficou corado e você sorriu de forma tímida e alegre, e eu então soube que você estava esperando por isso há muito tempo. E, sem dizer nada, fui me aproximando e nos beijamos finalmente.



Quando vi você, quase não acreditei. Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas nunca te imaginei assim. [...] Difícil acreditar que depois de tanto tempo eu iria me ligar em você”. Trechos da música Tudo Mudar, da banda Charlie Brown Jr.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Quando você disser "eu te amo"

Quando você disser “eu te amo”, não espere que eu diga o mesmo. Pode até ser que eu diga que também te amo, mas não será com o mesmo entusiasmo de antes.
Eu esperei tanto que você me dissesse essa linda frase, mas agora acho que não quero mais ouvi-la.
É até difícil pensar em dizer não para você, porém eu não posso mandar nos meus sentimentos. Eles são traiçoeiros e mudam sem parar.
Acho que você não quer tomar a iniciativa justamente por não saber que resposta eu darei. Realmente não é uma decisão fácil. Talvez você também esteja me esperando.
Você deve estar pensando que eu “estou me fazendo de difícil”, mas não é nada disso. Não tenho esse tipo de vaidade; só estou confuso.
Era sempre eu que tentava ter você ao meu lado, e agora é o contrário. Talvez essa mudança tenha apagado um pouco a chama, aquele frio na barriga, o encanto. Quem sabe eu não seja tão sentimental assim, tão sensível como deveria ser.
Quando você disser “eu te amo”, não espere que eu diga o mesmo.
Talvez eu esteja só complicando as coisas. Talvez eu precise dar uma chance a nós dois. Pode ser que eu só esteja meio perdido. Talvez precipitado, insensato e muito indeciso.
Quando você disser “eu te amo”, já não saberei o que dizer.


Tenho andado distraído, impaciente e indeciso e ainda estou confuso, só que agora é diferente. Estou tão tranquilo e tão contente.” Trecho da música Quase Sem Querer, da banda Legião Urbana.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

O que houve com o nosso olhar?

Quando Saulo chegou em casa, depois de mais um dia exaustivo de trabalho, viu sua namorada sentada no sofá e havia duas malas ao redor. Ele ficou assustado e perguntou:
O que é isso?
Ela se levantou, pegou as malas, começou a andar em direção à porta e disse apenas:
Há muito tempo tenho adiado isso. Não dá mais. Acabou. Simples assim.
Saulo não tentou correr atrás dela depois que ela saiu, afinal de contas ele sabia que realmente tinha acabado. Ele sentia que eles estavam prolongando algo que tinha acabado há muito tempo. O que aconteceu com a gente? Ele se perguntou e não sabia a resposta.
Era mesmo difícil de explicar ou de entender, pois no começo eles formavam um belo casal. Tudo estava indo muito bem, eles se divertiam bastante e tinham muitos pontos em comum. Era como se estivessem numa constante lua de mel.
Mas, depois de um ano morando juntos, os pequenos defeitos um do outro começaram a aparecer e mudaram a forma como cada um via o outro. Marina já não achava Saulo tão especial assim. Na verdade, muitas vezes ele era comum até demais. Saulo já não achava Marina tão interessante assim. De fato, ela tinha algumas atitudes infantis e seu interesse foi diminuindo com o tempo.
Foi a rotina? O tempo? Incompatibilidade? Falta de química? Falta de vontade de fazer dar certo? Falta de diálogo? Saulo tinha muitas perguntas e poucas respostas, mas lá no fundo ele sabia o motivo.
Ele já tinha percebido que ela o olhava de forma diferente, seu sorriso não era o mesmo, suas atitudes também tinham mudado. Há algum tempo eles fingiam que estava tudo bem, mas o que antes era amor se transformou num simples companheirismo, numa convivência “forçada”, numa simples amizade com benefícios.
Marina também se perguntava o que tinha acontecido e ela também não sabia ao certo, mas imaginava que simplesmente não era ele “o escolhido”, o grande amor da sua vida. Não era pra ser, não era seu destino. Ou talvez ela não tenha se esforçado o bastante e ele também não demonstrou vontade de ir além, pois o olhar dele também tinha mudado.
O fato é que depois de algum tempo ela percebeu que tinha chegado o fim. Ele também sentia isso, e agora cada um vai seguir o seu caminho, levando consigo essa experiência para a vida toda, especialmente o que aconteceu de melhor, e esperando que o futuro traga a felicidade tão almejada.


Quando tudo virou lembrança, então eu sei que acabou. Quem dera eu saber: o que houve com nosso olhar?”. Trecho da música Seis Nações, da banda Rosa de Saron.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sonhando com você

Eu não queria acordar.
Estava sonhando com você.
Estávamos à beira do mar,
apreciando o entardecer.

Você me dizia coisas lindas
que eu nem consigo descrever.
Eu não queria acordar ainda.
Queria conversar com você.

A lua começava a aparecer
e o meu coração batia acelerado,
só de ouvir você dizer
que queria estar ao meu lado.

Você então sussurrou ao meu ouvido
algo que eu queria muito ouvir.
Eu estava decidido
a nunca mais te deixar partir.

Nesse momento te beijei
e logo depois acordei.



Sabe o que eu gosto em sonhos? É que podemos ser o que quiser. Não tem ninguém aqui, além de nós... Estamos sós, estamos sós...”. Trecho da música Sonho, da dupla Cleber e Cauan.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Um garanhão sincero

 Noah só tinha 25 anos, mas achava que sabia tudo sobre as mulheres. Algumas pessoas o chamavam de cara de pau, mas ele não concordava com essa expressão. Preferia que fosse conhecido como sincero, afinal ele procurava falar a verdade da maneira mais honesta possível.
Suas atitudes não eram politicamente corretas, mas ele não brincava com os corações das mulheres, pois nunca gostou de ser enganado. Era sincero ao dizer que não queria nada sério, nada de compromisso, namoro nem nada parecido. O máximo que poderiam ter era uma espécie de amizade-colorida. Essas eram as suas regras.
Algumas mulheres aceitavam isso numa boa e até gostavam desse tipo de envolvimento. Entretanto, algumas delas se apegavam já no segundo encontro, planejando o futuro, falando em relacionamento, e ele tinha que relembrar as regras de convivência. E aqui surgia o problema: algumas garotas queriam conquistá-lo de qualquer maneira, pois achavam que era um desafio. E, no meio dessas, existiam algumas extremistas.
Noah sabia lidar com a maioria das mulheres que ele ficava. Geralmente, ele conseguia administrar bem quando existia um conflito de interesses, pois a maioria delas (e eram muitas) eram pessoas legais, divertidas e simpáticas. Por mais que não concordassem com as regras dele, elas aceitavam o fim sem maiores complicações.
Entretanto, três garotas infernizaram a vida de Noah. Perseguição, armação, chantagem, insistência desmedida, difamação, coisas que ele pensou que só aconteciam em novelas mexicanas. Ele não entendia por que elas agiam assim, afinal de contas eram bonitas e poderiam encontrar facilmente outra pessoa, mas quem entende o fanatismo?
Por sorte, com o tempo e vendo que nada daquilo estava funcionando, elas perceberam que não se pode obrigar ninguém a amá-las e que deviam seguir em frente.

Após dois ou três encontros com Noah, geralmente a garota perguntava por que ele não queria namorar e ele sempre respondia que era uma questão de escolha, que tinha decidido que não se relacionaria com ninguém por enquanto e estava achando muito bom assim.
– Eu acredito que, mais pra frente, vou encontrar uma mulher especial e vamos passar a vida toda juntos – ele dizia e até parecia romântico nesse momento. Inevitavelmente, a garota não gostava da resposta porque queria ser essa mulher especial.
– Talvez essa sua fama de pegador afaste essa mulher… – disse ela.
– Pela minha experiência, as mulheres têm uma tendência a gostar de homens com muita experiência com outras mulheres. Mas ninguém consegue agradar todo mundo e por isso sempre vai ter alguma garota que não vai gostar de mim e isso é natural. Pra você ter uma ideia, já fiquei com vários tipos de garotas, das mais certinhas às mais atiradas. Então, acho que minha fama na verdade até me ajuda… De qualquer forma, tenho que conviver com isso e, se essa mulher aparecer, minha vida de pegador vai acabar – ele falava sorrindo.
– Você se acha demais – ela reclamou.
– Sou apenas um homem confiante e sincero, que sabe o que quer. Às vezes, isso é confundido com arrogância. Você mesma falou dessa minha fama e me fez uma pergunta, que eu respondi da forma mais honesta possível. É até engraçado você pensar assim, pois você vê que sou um cara simples, sem frescuras, e te trato bem, de maneira educada...
– Mas você é muito frio – ela disse.
– Pelo contrário, eu sou muito quente! Vem cá pra você ver.
E Noah era assim. Não enganava ninguém, não prometia nada e não se culpava. Algum dia a mulher especial apareceria, ele acreditava nisso e esperava que não fosse tão rápido. Por enquanto, continuava com as suas regras de convivência. Chamavam-no de cara de pau, galinha e mulherengo, e ele não escondia que era um garanhão, mas era um garanhão sincero.


Você não pode me estranhar só porque eu falei a verdade. Pior seria te iludir o tempo todo. Não vejo vantagem. Você precisa entender meu jeito de te querer. Pode até não ser como você imaginou, mas eu te quero, eu te venero, eu te adoro, eu só não vou te enganar porque eu sou sincero, sou sincero. Baby, eu sou sincero, sou sincero”. Trecho da música Sincero, do cantor Lulu Santos.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Uma noite de medo

Era uma noite chuvosa. Mônica estava sozinha em casa e tinha uma mente muito criativa. Raios e fortes trovoadas irrompiam pela noite escura. De repente, faltou energia e ela, que tinha apenas 16 anos, começou a ficar com medo, imaginando que logo apareceria um fantasma ou algum desses monstros dos filmes, que ela adorava assistir.
Ela, então, tentou encontrar uma vela para clarear o ambiente, esquecendo que seu celular tinha a função lanterna. Com muita dificuldade e ansiedade, conseguiu pegar uma vela e a acendeu com um isqueiro, ficando um pouco mais tranquila.
Foi aí que escutou um barulho estranho vindo da parte lateral da casa e, em seguida, ouviu um som ainda mais estranho vindo da porta da frente. Era um ruído suave, mas assustador, como o som de um giz sobre o quadro.
Ela se lembrou que tinha se mudado há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Começou a acreditar que a casa era mal assombrada, como nos filmes de terror.
Mônica ficou com mais medo, seu coração acelerou os batimentos e sentiu um tremor nas pernas ao escutar a maçaneta da porta se movimentar.
Nesse momento, ouviu alguém falando baixinho e percebeu que ladrões queriam entrar na casa. Ela, instantaneamente, lembrou-se do seu celular, chegou perto da porta e colocou um áudio para tocar no seu celular.
É melhor você ir embora logo… antes que eu pegue minha arma e estoure seus miolos – dizia o homem de forma agitada no áudio que Mônica gostava de mandar pros seus amigos por meio de aplicativos de celular, quando eles mandavam algo que ela não gostava.
O bandido do outro lado da porta ouviu aquela advertência e não pensou duas vezes antes de sair correndo, fugindo do local junto com seu comparsa.
Mônica caiu na gargalhada ao perceber que eles tinham fugido com medo, mas logo em seguida ela voltou a ficar assustada com os barulhos que continuou a ouvir. Só dez minutos depois, quando a energia voltou, ela se sentiu mais tranquila e sorriu de tudo que passou naquela noite chuvosa.


E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão”. Trecho da música Daniel na cova dos leões, da banda Legião Urbana.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Era pra ser apenas um jogo de futebol

 Roger tinha um filho de apenas seis anos que gostava muito de futebol. Seu nome era Pedro e ele nunca tinha ido num estádio de futebol para ver uma partida ao vivo, e Roger queria levá-lo, afinal Pedro vinha insistindo nisso há algum tempo.
Num domingo de clássico, eles foram ao estádio ver a partida do time para o qual torciam. Roger tinha ido poucas vezes, pois achava melhor assistir em casa, e por isso achava que seria bem tranquilo.
Durante o jogo tudo tinha transcorrido normalmente com a vitória do time deles. Mas, logo na saída da arena, eles presenciaram brigas entre as torcidas rivais e conseguiram escapar correndo junto com outras pessoas.
Pedro ficou visivelmente assustado com tanta violência, ao mesmo tempo sem entender o motivo da briga.
Eles foram caminhando para pegar o metrô acompanhados de muitos torcedores do mesmo time. Ao chegarem na estação, “torcedores” do time adversário estavam espancando quem entrava e a correria e o empurra-empurra fizeram com que Pedro se afastasse de seu pai e se perdesse.
Depois de toda a confusão, Roger conseguiu sair ileso, mas estava profundamente preocupado com seu filho, que continuava sumido, por mais que ele o procurasse. Caminhou até os policiais que estavam de serviço e foi informado que uma idosa e uma criança tinham morrido com pauladas na cabeça.
Ele, então, ficou desesperado e quase desmaiou. Depois de quase um minuto sendo acalmado pelos policiais, Roger voltou a si e ouviu que feridos estavam sendo levados de ambulância para os hospitais mais próximos dali. Correndo, ele foi até a ambulância mais próxima, mas não achou seu filho. Foi até a próxima e nada. Haviam seis ambulâncias socorrendo os feridos e alguns deles já tinham sido levados para atendimento médico.
Ele já estava perdendo a esperança, quando viu Pedro na sexta ambulância, cheio de hematomas, desacordado. Sua primeira sensação foi de derrota, pois seu filho parecia morto, mas o socorrista lhe informou que Pedro não corria risco de morte. Aliviado, Roger caiu de joelhos diante de seu filho e agradeceu aos céus.


A violência está em todo lugar. Não é por causa do álcool, nem é por causa das drogas. A violência é nossa vizinha, não é só por culpa sua, nem é só por culpa minha. Violência gera violência. Violência doméstica, violência cotidiana.” Trechos da música Violência, da banda Titãs.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Um dia qualquer

Fernando estava andando na calçada, indo para o colégio, quando passou por um grupo de colegas de aula, e um deles o segurou, derrubou sua mochila e deu um tapa na sua cabeça.
Ele respirou fundo, ficou em silêncio, abaixou-se e pegou sua mochila de volta. Quando ia voltar a caminhar, outro garoto repetiu a ação de seu colega e completou dizendo:
– Vai procurar a tua turma!
Pegou novamente sua bolsa e voltou a caminhar olhando pro chão como geralmente fazia. Ao chegar na escola, alguns alunos olharam-no com desdém, enquanto outros mais ousados jogaram bolinhas de papel e gritaram “estranho”, “maluco”, “monstro”.
Durante a aula, o aluno que sentava atrás dele, de vez em quando, puxava o cabelo dele e chutava a cadeira. Um de seus professores já tinha feito algumas “brincadeiras” com Fernando e toda a sala sempre dava risada.
No intervalo, ele teve que pagar o lanche do seu grande “rival” e, em seguida, levou sua surra diária, nada muito forte pra não causar hematomas.
Ele já não contava mais nada para sua mãe solteira e nem pra diretora da escola, afinal de contas elas não pareciam nem um pouco interessadas em mudar aquela situação.
Na volta pra casa, pegou o ônibus e, como sempre acontecia quando não estava lotado, ninguém sentou ao seu lado, mas isso não o livrou de ouvir alguns insultos e apelidos “carinhosos”.
À tarde, era a vez da educação física e do futebol e o sofrimento de Fernando só aumentou, pois seus colegas sentiram-se ainda mais corajosos para dar pancadas à vontade, pois fazia parte do jogo.
Fernando já estava tão acostumado a ser tratado dessa forma que ele não dizia mais nada. Até mesmo alguns parentes já tinham feito coisas semelhantes e, na sua cabeça de adolescente, isso parecia perfeitamente normal, mas ele queria acabar com essa normalidade.
Depois da aula, Fernando se reuniu com mais três colegas que também eram maltratados como ele e conversaram sobre um plano para acabar de uma vez com aquelas agressões.
Depois de um mês e de várias dessas reuniões, ele e seus três colegas colocaram o plano em prática e o que aconteceu virou notícia em todos os jornais do país: doze pessoas mortas, entre elas alunos e professores, e várias pessoas feridas.
Seus três comparsas se entregaram e foram apreendidos. Fernando tentou se matar, mas sobreviveu. “Agora as coisas vão melhorar”, era tudo o que ele conseguia pensar ao acordar no hospital.


Mummy, they call me names. They wouldn’t let me play. I’d run home, sit and cry almost everyday. […] But thank you for the pain. It made me raise my game and I’m still rising. (Mãe, eles me deram apelidos. Não me deixavam brincar. Corro pra casa, sento e choro quase todos os dias. […] Mas obrigado pela dor. Isso me fez subir no jogo e ainda estou subindo”. Trechos da música Who’s Laughing Now?, da cantora Jessie J.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A flor

Maurício tinha pouco mais de 15 anos, estava começando o ensino médio e não tinha muitas experiências com mulheres, como era de se esperar pela sua pouca idade.
Desde os seus doze anos, ele vinha colecionando amores platônicos em cada ano de colégio, porém nunca tinha demonstrado nenhum interesse direto por nenhuma delas.
Mas, agora no ensino médio, ele imaginava que as coisas iriam finalmente mudar e ele se tornaria um dos garotos populares do colégio. Entretanto, pouco tempo depois do começo das aulas, ele voltou a se interessar por outra colega de aula, Natasha.
Ele decidiu que não ficaria apenas observando e para isso ele bolou um plano perfeito. Sabia que precisava vencer a sua timidez e começar a interagir com ela, aproximando-se do grupo de colegas mais chegados dela.
Ele colocou em prática seu plano e, poucos dias depois, eles estavam bastante enturmados e próximos, mas ele não percebia que ela só estava se aproveitando dele, que a “ajudava” a fazer trabalhos e atividades da escola.
Depois de algum tempo, Maurício decidiu dar o xeque-mate. Ele comprou flores e mandou que entregassem para Natasha na escola. No buquê havia um bilhete, que dizia somente: “Você vai ter que adivinhar”.
Logo que começou o intervalo, ela foi direto falar com Ricardo.
Foi você? – ela disse, parecendo emocionada.
Eu o quê? – ele respondeu com uma expressão de surpresa.
Que me mandou flores, ué… – agora ela parecia desconfiada.
Ah! Sim. Você já recebeu?
Ele não tinha a menor ideia de que flores ela estava falando, mas ele viu a oportunidade que tanto esperava desde o começo do ano letivo e a agarrou. Natasha, então, foi até ele e o beijou.
Maurício viu aquela cena de perto, sem acreditar que ela foi falar com Ricardo. Maurício imaginou que ela correria diretamente pros braços dele próprio, mas acabou se decepcionando.
Ele até pensou em revelar a verdade, mas, por sorte, não disse nada, pois a situação certamente seria constrangedora. No silêncio, ele evitou que seus colegas soubessem da situação e se livrou da inevitável gozação que sofreria.
Tempos depois, no fim do ensino médio, Natasha e Ricardo ainda estavam juntos, namorando, e Maurício continuava sem sorte com as mulheres.


Ouvi dizer do teu olhar ao ver a flor. Não sei por que achou ser de um outro rapaz. [...] Minha flor serviu pra que você achasse alguém, um outro alguém que me tomou o seu amor. E eu fiz de tudo pra você perceber que era eu”. Trechos da música A flor, da banda Los Hermanos.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Algo engraçado (ou nem tanto)

Certo dia, Pedrinho estava conversando com sua mãe na cozinha, mas ela percebeu que ele estava escondendo algo, pois ele, que era muito agitado e sapeca, estava muito quieto e fechado.
Diga, meu filho, o que você está escondendo? Tô te achando muito desconfiado.
Mamãe, eu vi o papai fazendo assim com a empregada – disse ele, com a voz fina típica das crianças, fazendo um gesto com as duas mãos indo pra frente e pra trás quatro vezes na altura da barriga, enquanto seu tronco também se movimentava.
Ah, é? Pois você vai contar pros seus avós pra que eles vejam que o filho deles não é o santo que eles imaginam.
No outro dia, durante o almoço, a mãe do menino disse que ele tinha algo pra falar para os avós. Ele, todo sem graça, não quis falar.
Fala, filho – disse a avó, incentivando o menino de apenas cinco anos. Enquanto isso, um vizinho entrava na casa para bater um papo como sempre fazia aos domingos.
É que eu vi o papai fazendo assim com a empregada – e aqui ele repetiu o gesto que havia feito para sua mãe – do mesmo jeito que o padeiro tava fazendo com a mamãe.
O vizinho caiu na gargalhada, enquanto os pais e avós do garoto ficaram de queixos caídos, querendo sumir dali o mais rápido possível.


A casinha caiu. Tiraram foto minha e registraram na balada com a vizinha”. Trecho da música A casinha caiu, do cantor Léo Santana.




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Não se envolva

Já faz algum tempo que a moda é não se envolver, não se apegar, não criar expectativas e curtir o momento. Pratique o desapego, é o que dizem por aí.
Se essa moda for apenas uma fase da sua vida, tudo bem. Existem algumas vantagens nessa prática, desde que não machuque os sentimentos de outra pessoa. É uma etapa em que se busca novas histórias, novos horizontes, novas perspectivas e emoções. Não se busca relacionamentos de longo prazo. Então, faz muito sentido praticar o desapego.
Mas, se este é o lema da sua vida e não apenas uma fase, então eu acho que não é uma boa ideia porque parece algo incompleto, inacabado, como um sentimento que só vai até certo ponto e não avança para algo mais íntimo e pessoal. Fica apenas no básico, no casual, parece algo automático, como comer e beber. É algo que você precisa fazer, como uma obrigação, uma tarefa, uma necessidade fisiológica. Dá até prazer, mas não passa disso.
Pode parecer meio exagerado, mas é como naquele filme O doador de memórias. Lá as pessoas tomavam injeções diárias e ficavam livres das emoções e dos sentimentos. No fundo, aquelas pessoas eram como robôs guiados por algum programa de computador. Tudo parecia perfeito, mas faltava algo muito importante e que faz parte da nossa humanidade.
Talvez seja mesmo exagerado, afinal de contas praticar o desapego é a moda, é maneiro, é um estilo de vida admirado, alardeado nas músicas, postado nas redes sociais (ou antissociais?), é o desejo de muita gente que se apega fácil… Talvez seja, mas como lema de vida acho que não é o melhor.
Então, encontre alguém que você queira estar ao lado, para dividir seus sonhos, conquistas e frustrações. Alguém que você levaria numa viagem fantástica para um lugar paradisíaco ou que simplesmente fique em casa conversando até altas horas. Alguém que você olhe nos olhos e saiba que é amado(a). Alguém que se veja contigo no futuro, abraçados, velhinhos e ainda apaixonados.
E se envolva e se apegue e se apaixone diariamente, mesmo que a rotina chegue, que discussões e desentendimentos aconteçam e que tudo pareça ir por água abaixo.
[Parece perfeito demais, né? Sim e acredito que você deve desejar a perfeição mesmo, apesar de não existir pessoa perfeita. Você deve buscar o que há de melhor pra você! Ou você quer uma vida comum, sem nenhum destaque, um trabalho qualquer e um(a) companheiro(a) só pra dizer que tem um(a)?]
Não vai ser fácil ou rápido, seu coração pode ser despedaçado no meio do caminho, mas não deixe de acreditar no amor, não deixe de se envolver, de se importar, de ver a beleza das pequenas coisas e de dar uma chance pra você mesmo.
E, quando digo se envolver, não estou dizendo pra você se jogar com tudo e não tomar cuidados básicos. Não quer dizer que você deve aceitar tudo calado(a) e fingir que está tudo bem. Não estou dizendo pra você ser uma pessoa grudenta, ciumenta em excesso e que não dá espaço pro outro. Que você largue todos os seus interesses pessoais e se dedique somente ao outro.
Estou dizendo apenas pra você se permitir amar e ir além do superficial, sem colocar um freio nos seus sentimentos. Mas cuidado com aqueles que estão seguindo a moda.
Enfim, não se envolva com quem não se envolve.


Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho. Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso. Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar.” Trecho da música Vinte e Seis, da banda Rosa de Saron.


P.S. Eu sei que existem pessoas que não querem se casar, ter um relacionamento sério, e se sentem completas assim e são felizes. É uma filosofia de vida e eu respeito. Concordo plenamente que não é preciso estar num relacionamento amoroso com outra pessoa para se sentir feliz!