terça-feira, 18 de julho de 2017

Uma frase tão simples

Quando você ouviu o que eu disse,
você sorriu e me beijou.
Eu disse uma frase tão simples,
mas você se emocionou,
como se esperasse há muito tempo
e desejasse ansiosamente aquele momento.

E eu, que não tinha certeza,
vi no seu lindo olhar,
cheio de rara beleza,
o amor que eu esperava encontrar.

Então me disse o que eu queria ouvir
e eu nunca mais lhe deixarei partir.


Pra que o mundo inteiro enfim possa ver vou mandar publicar em letras garrafais essa frase tão simples… Te amo, te amo, te amo, te amo demais”. Trechos da música Em Um Outdoor, do cantor Zeca Pagodinho.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Uma corrente positiva

Muitas vezes tento encontrar um caminho para seguir, mas não o encontro. Geralmente o que encontro são pessoas que não se interessam pelo bem de ninguém, pessoas que estão sempre ocupadas demais para se preocuparem com os problemas dos outros.
Por que devo me preocupar com o problema de outra pessoa? Eu já tenho problemas demais! É o que essas pessoas pensam.
Outras vezes eu me decepciono vendo que até pessoas que poderiam ser chamados de amigo nos dão as costas no menor sinal de dificuldade.
Todas as pessoas passam por problemas e dificuldades e, quando isso acontece, querem ajuda. Mas, quando podem ajudar, não fazem nada. E essa ajuda pode ser apenas uma conversa, um apoio moral, um simples conselho. É na simplicidade que se encontra a solução dos problemas mais complexos.
O cotidiano e a rotina nos deixam alienados. Estamos sempre fazendo as mesmas atividades e, quando temos algum tempo livre, não o aproveitamos da maneira mais produtiva ou para resolver algo que há muito tempo deveríamos ter resolvido. Falar ou visitar alguém que não vemos há muito tempo? Deixa pra depois. E assim vamos deixando passar o tempo.
Mas a vida é curta e por isso devemos aproveitá-la, vivendo intensamente, sendo mais amigo e ajudando quando pudermos, pois uma boa ação gera uma corrente positiva.


Buscar a paz, cativar um amigo, oferecer o meu melhor sorriso a quem vem de lá, fazer o bem o quanto eu puder […] Ir além, ser a diferença na vida de alguém […] Seja você mais um elo também nessa corrente do bem”. Trechos da música Corrente do bem, de Robson Ribeiro.


sexta-feira, 23 de junho de 2017

Te enxergando pela primeira vez

Você sempre esteve por perto, mas eu não te via. E agora, de repente, eu não consigo tirar os meus olhos dos seus.
Era como se eu pudesse ver as estrelas mesmo num dia ensolarado e eu não conseguia me conter porque era você que eu via e meus olhos irradiavam luz por causa da emoção de te enxergar de verdade pela primeira vez. Dessa vez, eu te vi realmente, de um jeito totalmente diferente.
Parecia que eu estava olhando para outra pessoa, apesar de saber que era você, a mesma pessoa de sempre, e eu nunca tinha reparado na sua incrível beleza.
Era como um alarme de incêndio que depois de muitos anos foi disparado, como uma venda que caía dos meus olhos. De repente, você estava na minha frente e eu não conseguia tirar os meus olhos dos seus.
Então, se você não mudou, fui eu que mudei. Será que você também viu o que eu vi?
Não demorou muito e o seu rosto ficou corado e você sorriu de forma tímida e alegre, e eu então soube que você estava esperando por isso há muito tempo. E, sem dizer nada, fui me aproximando e nos beijamos finalmente.



Quando vi você, quase não acreditei. Nem vi você mudar, nem vi você crescer, mas nunca te imaginei assim. [...] Difícil acreditar que depois de tanto tempo eu iria me ligar em você”. Trechos da música Tudo Mudar, da banda Charlie Brown Jr.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Quando você disser "eu te amo"

Quando você disser “eu te amo”, não espere que eu diga o mesmo. Pode até ser que eu diga que também te amo, mas não será com o mesmo entusiasmo de antes.
Eu esperei tanto que você me dissesse essa linda frase, mas agora acho que não quero mais ouvi-la.
É até difícil pensar em dizer não para você, porém eu não posso mandar nos meus sentimentos. Eles são traiçoeiros e mudam sem parar.
Acho que você não quer tomar a iniciativa justamente por não saber que resposta eu darei. Realmente não é uma decisão fácil. Talvez você também esteja me esperando.
Você deve estar pensando que eu “estou me fazendo de difícil”, mas não é nada disso. Não tenho esse tipo de vaidade; só estou confuso.
Era sempre eu que tentava ter você ao meu lado, e agora é o contrário. Talvez essa mudança tenha apagado um pouco a chama, aquele frio na barriga, o encanto. Quem sabe eu não seja tão sentimental assim, tão sensível como deveria ser.
Quando você disser “eu te amo”, não espere que eu diga o mesmo.
Talvez eu esteja só complicando as coisas. Talvez eu precise dar uma chance a nós dois. Pode ser que eu só esteja meio perdido. Talvez precipitado, insensato e muito indeciso.
Quando você disser “eu te amo”, já não saberei o que dizer.


Tenho andado distraído, impaciente e indeciso e ainda estou confuso, só que agora é diferente. Estou tão tranquilo e tão contente.” Trecho da música Quase Sem Querer, da banda Legião Urbana.


quinta-feira, 25 de maio de 2017

O que houve com o nosso olhar?

Quando Saulo chegou em casa, depois de mais um dia exaustivo de trabalho, viu sua namorada sentada no sofá e havia duas malas ao redor. Ele ficou assustado e perguntou:
O que é isso?
Ela se levantou, pegou as malas, começou a andar em direção à porta e disse apenas:
Há muito tempo tenho adiado isso. Não dá mais. Acabou. Simples assim.
Saulo não tentou correr atrás dela depois que ela saiu, afinal de contas ele sabia que realmente tinha acabado. Ele sentia que eles estavam prolongando algo que tinha acabado há muito tempo. O que aconteceu com a gente? Ele se perguntou e não sabia a resposta.
Era mesmo difícil de explicar ou de entender, pois no começo eles formavam um belo casal. Tudo estava indo muito bem, eles se divertiam bastante e tinham muitos pontos em comum. Era como se estivessem numa constante lua de mel.
Mas, depois de um ano morando juntos, os pequenos defeitos um do outro começaram a aparecer e mudaram a forma como cada um via o outro. Marina já não achava Saulo tão especial assim. Na verdade, muitas vezes ele era comum até demais. Saulo já não achava Marina tão interessante assim. De fato, ela tinha algumas atitudes infantis e seu interesse foi diminuindo com o tempo.
Foi a rotina? O tempo? Incompatibilidade? Falta de química? Falta de vontade de fazer dar certo? Falta de diálogo? Saulo tinha muitas perguntas e poucas respostas, mas lá no fundo ele sabia o motivo.
Ele já tinha percebido que ela o olhava de forma diferente, seu sorriso não era o mesmo, suas atitudes também tinham mudado. Há algum tempo eles fingiam que estava tudo bem, mas o que antes era amor se transformou num simples companheirismo, numa convivência “forçada”, numa simples amizade com benefícios.
Marina também se perguntava o que tinha acontecido e ela também não sabia ao certo, mas imaginava que simplesmente não era ele “o escolhido”, o grande amor da sua vida. Não era pra ser, não era seu destino. Ou talvez ela não tenha se esforçado o bastante e ele também não demonstrou vontade de ir além, pois o olhar dele também tinha mudado.
O fato é que depois de algum tempo ela percebeu que tinha chegado o fim. Ele também sentia isso, e agora cada um vai seguir o seu caminho, levando consigo essa experiência para a vida toda, especialmente o que aconteceu de melhor, e esperando que o futuro traga a felicidade tão almejada.


Quando tudo virou lembrança, então eu sei que acabou. Quem dera eu saber: o que houve com nosso olhar?”. Trecho da música Seis Nações, da banda Rosa de Saron.


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Sonhando com você

Eu não queria acordar.
Estava sonhando com você.
Estávamos à beira do mar,
apreciando o entardecer.

Você me dizia coisas lindas
que eu nem consigo descrever.
Eu não queria acordar ainda.
Queria conversar com você.

A lua começava a aparecer
e o meu coração batia acelerado,
só de ouvir você dizer
que queria estar ao meu lado.

Você então sussurrou ao meu ouvido
algo que eu queria muito ouvir.
Eu estava decidido
a nunca mais te deixar partir.

Nesse momento te beijei
e logo depois acordei.



Sabe o que eu gosto em sonhos? É que podemos ser o que quiser. Não tem ninguém aqui, além de nós... Estamos sós, estamos sós...”. Trecho da música Sonho, da dupla Cleber e Cauan.


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Um garanhão sincero

 Noah só tinha 25 anos, mas achava que sabia tudo sobre as mulheres. Algumas pessoas o chamavam de cara de pau, mas ele não concordava com essa expressão. Preferia que fosse conhecido como sincero, afinal ele procurava falar a verdade da maneira mais honesta possível.
Suas atitudes não eram politicamente corretas, mas ele não brincava com os corações das mulheres, pois nunca gostou de ser enganado. Era sincero ao dizer que não queria nada sério, nada de compromisso, namoro nem nada parecido. O máximo que poderiam ter era uma espécie de amizade-colorida. Essas eram as suas regras.
Algumas mulheres aceitavam isso numa boa e até gostavam desse tipo de envolvimento. Entretanto, algumas delas se apegavam já no segundo encontro, planejando o futuro, falando em relacionamento, e ele tinha que relembrar as regras de convivência. E aqui surgia o problema: algumas garotas queriam conquistá-lo de qualquer maneira, pois achavam que era um desafio. E, no meio dessas, existiam algumas extremistas.
Noah sabia lidar com a maioria das mulheres que ele ficava. Geralmente, ele conseguia administrar bem quando existia um conflito de interesses, pois a maioria delas (e eram muitas) eram pessoas legais, divertidas e simpáticas. Por mais que não concordassem com as regras dele, elas aceitavam o fim sem maiores complicações.
Entretanto, três garotas infernizaram a vida de Noah. Perseguição, armação, chantagem, insistência desmedida, difamação, coisas que ele pensou que só aconteciam em novelas mexicanas. Ele não entendia por que elas agiam assim, afinal de contas eram bonitas e poderiam encontrar facilmente outra pessoa, mas quem entende o fanatismo?
Por sorte, com o tempo e vendo que nada daquilo estava funcionando, elas perceberam que não se pode obrigar ninguém a amá-las e que deviam seguir em frente.

Após dois ou três encontros com Noah, geralmente a garota perguntava por que ele não queria namorar e ele sempre respondia que era uma questão de escolha, que tinha decidido que não se relacionaria com ninguém por enquanto e estava achando muito bom assim.
– Eu acredito que, mais pra frente, vou encontrar uma mulher especial e vamos passar a vida toda juntos – ele dizia e até parecia romântico nesse momento. Inevitavelmente, a garota não gostava da resposta porque queria ser essa mulher especial.
– Talvez essa sua fama de pegador afaste essa mulher… – disse ela.
– Pela minha experiência, as mulheres têm uma tendência a gostar de homens com muita experiência com outras mulheres. Mas ninguém consegue agradar todo mundo e por isso sempre vai ter alguma garota que não vai gostar de mim e isso é natural. Pra você ter uma ideia, já fiquei com vários tipos de garotas, das mais certinhas às mais atiradas. Então, acho que minha fama na verdade até me ajuda… De qualquer forma, tenho que conviver com isso e, se essa mulher aparecer, minha vida de pegador vai acabar – ele falava sorrindo.
– Você se acha demais – ela reclamou.
– Sou apenas um homem confiante e sincero, que sabe o que quer. Às vezes, isso é confundido com arrogância. Você mesma falou dessa minha fama e me fez uma pergunta, que eu respondi da forma mais honesta possível. É até engraçado você pensar assim, pois você vê que sou um cara simples, sem frescuras, e te trato bem, de maneira educada...
– Mas você é muito frio – ela disse.
– Pelo contrário, eu sou muito quente! Vem cá pra você ver.
E Noah era assim. Não enganava ninguém, não prometia nada e não se culpava. Algum dia a mulher especial apareceria, ele acreditava nisso e esperava que não fosse tão rápido. Por enquanto, continuava com as suas regras de convivência. Chamavam-no de cara de pau, galinha e mulherengo, e ele não escondia que era um garanhão, mas era um garanhão sincero.


Você não pode me estranhar só porque eu falei a verdade. Pior seria te iludir o tempo todo. Não vejo vantagem. Você precisa entender meu jeito de te querer. Pode até não ser como você imaginou, mas eu te quero, eu te venero, eu te adoro, eu só não vou te enganar porque eu sou sincero, sou sincero. Baby, eu sou sincero, sou sincero”. Trecho da música Sincero, do cantor Lulu Santos.


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Uma noite de medo

Era uma noite chuvosa. Mônica estava sozinha em casa e tinha uma mente muito criativa. Raios e fortes trovoadas irrompiam pela noite escura. De repente, faltou energia e ela, que tinha apenas 16 anos, começou a ficar com medo, imaginando que logo apareceria um fantasma ou algum desses monstros dos filmes, que ela adorava assistir.
Ela, então, tentou encontrar uma vela para clarear o ambiente, esquecendo que seu celular tinha a função lanterna. Com muita dificuldade e ansiedade, conseguiu pegar uma vela e a acendeu com um isqueiro, ficando um pouco mais tranquila.
Foi aí que escutou um barulho estranho vindo da parte lateral da casa e, em seguida, ouviu um som ainda mais estranho vindo da porta da frente. Era um ruído suave, mas assustador, como o som de um giz sobre o quadro.
Ela se lembrou que tinha se mudado há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Começou a acreditar que a casa era mal assombrada, como nos filmes de terror.
Mônica ficou com mais medo, seu coração acelerou os batimentos e sentiu um tremor nas pernas ao escutar a maçaneta da porta se movimentar.
Nesse momento, ouviu alguém falando baixinho e percebeu que ladrões queriam entrar na casa. Ela, instantaneamente, lembrou-se do seu celular, chegou perto da porta e colocou um áudio para tocar no seu celular.
É melhor você ir embora logo… antes que eu pegue minha arma e estoure seus miolos – dizia o homem de forma agitada no áudio que Mônica gostava de mandar pros seus amigos por meio de aplicativos de celular, quando eles mandavam algo que ela não gostava.
O bandido do outro lado da porta ouviu aquela advertência e não pensou duas vezes antes de sair correndo, fugindo do local junto com seu comparsa.
Mônica caiu na gargalhada ao perceber que eles tinham fugido com medo, mas logo em seguida ela voltou a ficar assustada com os barulhos que continuou a ouvir. Só dez minutos depois, quando a energia voltou, ela se sentiu mais tranquila e sorriu de tudo que passou naquela noite chuvosa.


E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão”. Trecho da música Daniel na cova dos leões, da banda Legião Urbana.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

Era pra ser apenas um jogo de futebol

 Roger tinha um filho de apenas seis anos que gostava muito de futebol. Seu nome era Pedro e ele nunca tinha ido num estádio de futebol para ver uma partida ao vivo, e Roger queria levá-lo, afinal Pedro vinha insistindo nisso há algum tempo.
Num domingo de clássico, eles foram ao estádio ver a partida do time para o qual torciam. Roger tinha ido poucas vezes, pois achava melhor assistir em casa, e por isso achava que seria bem tranquilo.
Durante o jogo tudo tinha transcorrido normalmente com a vitória do time deles. Mas, logo na saída da arena, eles presenciaram brigas entre as torcidas rivais e conseguiram escapar correndo junto com outras pessoas.
Pedro ficou visivelmente assustado com tanta violência, ao mesmo tempo sem entender o motivo da briga.
Eles foram caminhando para pegar o metrô acompanhados de muitos torcedores do mesmo time. Ao chegarem na estação, “torcedores” do time adversário estavam espancando quem entrava e a correria e o empurra-empurra fizeram com que Pedro se afastasse de seu pai e se perdesse.
Depois de toda a confusão, Roger conseguiu sair ileso, mas estava profundamente preocupado com seu filho, que continuava sumido, por mais que ele o procurasse. Caminhou até os policiais que estavam de serviço e foi informado que uma idosa e uma criança tinham morrido com pauladas na cabeça.
Ele, então, ficou desesperado e quase desmaiou. Depois de quase um minuto sendo acalmado pelos policiais, Roger voltou a si e ouviu que feridos estavam sendo levados de ambulância para os hospitais mais próximos dali. Correndo, ele foi até a ambulância mais próxima, mas não achou seu filho. Foi até a próxima e nada. Haviam seis ambulâncias socorrendo os feridos e alguns deles já tinham sido levados para atendimento médico.
Ele já estava perdendo a esperança, quando viu Pedro na sexta ambulância, cheio de hematomas, desacordado. Sua primeira sensação foi de derrota, pois seu filho parecia morto, mas o socorrista lhe informou que Pedro não corria risco de morte. Aliviado, Roger caiu de joelhos diante de seu filho e agradeceu aos céus.


A violência está em todo lugar. Não é por causa do álcool, nem é por causa das drogas. A violência é nossa vizinha, não é só por culpa sua, nem é só por culpa minha. Violência gera violência. Violência doméstica, violência cotidiana.” Trechos da música Violência, da banda Titãs.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Um dia qualquer

Fernando estava andando na calçada, indo para o colégio, quando passou por um grupo de colegas de aula, e um deles o segurou, derrubou sua mochila e deu um tapa na sua cabeça.
Ele respirou fundo, ficou em silêncio, abaixou-se e pegou sua mochila de volta. Quando ia voltar a caminhar, outro garoto repetiu a ação de seu colega e completou dizendo:
– Vai procurar a tua turma!
Pegou novamente sua bolsa e voltou a caminhar olhando pro chão como geralmente fazia. Ao chegar na escola, alguns alunos olharam-no com desdém, enquanto outros mais ousados jogaram bolinhas de papel e gritaram “estranho”, “maluco”, “monstro”.
Durante a aula, o aluno que sentava atrás dele, de vez em quando, puxava o cabelo dele e chutava a cadeira. Um de seus professores já tinha feito algumas “brincadeiras” com Fernando e toda a sala sempre dava risada.
No intervalo, ele teve que pagar o lanche do seu grande “rival” e, em seguida, levou sua surra diária, nada muito forte pra não causar hematomas.
Ele já não contava mais nada para sua mãe solteira e nem pra diretora da escola, afinal de contas elas não pareciam nem um pouco interessadas em mudar aquela situação.
Na volta pra casa, pegou o ônibus e, como sempre acontecia quando não estava lotado, ninguém sentou ao seu lado, mas isso não o livrou de ouvir alguns insultos e apelidos “carinhosos”.
À tarde, era a vez da educação física e do futebol e o sofrimento de Fernando só aumentou, pois seus colegas sentiram-se ainda mais corajosos para dar pancadas à vontade, pois fazia parte do jogo.
Fernando já estava tão acostumado a ser tratado dessa forma que ele não dizia mais nada. Até mesmo alguns parentes já tinham feito coisas semelhantes e, na sua cabeça de adolescente, isso parecia perfeitamente normal, mas ele queria acabar com essa normalidade.
Depois da aula, Fernando se reuniu com mais três colegas que também eram maltratados como ele e conversaram sobre um plano para acabar de uma vez com aquelas agressões.
Depois de um mês e de várias dessas reuniões, ele e seus três colegas colocaram o plano em prática e o que aconteceu virou notícia em todos os jornais do país: doze pessoas mortas, entre elas alunos e professores, e várias pessoas feridas.
Seus três comparsas se entregaram e foram apreendidos. Fernando tentou se matar, mas sobreviveu. “Agora as coisas vão melhorar”, era tudo o que ele conseguia pensar ao acordar no hospital.


Mummy, they call me names. They wouldn’t let me play. I’d run home, sit and cry almost everyday. […] But thank you for the pain. It made me raise my game and I’m still rising. (Mãe, eles me deram apelidos. Não me deixavam brincar. Corro pra casa, sento e choro quase todos os dias. […] Mas obrigado pela dor. Isso me fez subir no jogo e ainda estou subindo”. Trechos da música Who’s Laughing Now?, da cantora Jessie J.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A flor

Maurício tinha pouco mais de 15 anos, estava começando o ensino médio e não tinha muitas experiências com mulheres, como era de se esperar pela sua pouca idade.
Desde os seus doze anos, ele vinha colecionando amores platônicos em cada ano de colégio, porém nunca tinha demonstrado nenhum interesse direto por nenhuma delas.
Mas, agora no ensino médio, ele imaginava que as coisas iriam finalmente mudar e ele se tornaria um dos garotos populares do colégio. Entretanto, pouco tempo depois do começo das aulas, ele voltou a se interessar por outra colega de aula, Natasha.
Ele decidiu que não ficaria apenas observando e para isso ele bolou um plano perfeito. Sabia que precisava vencer a sua timidez e começar a interagir com ela, aproximando-se do grupo de colegas mais chegados dela.
Ele colocou em prática seu plano e, poucos dias depois, eles estavam bastante enturmados e próximos, mas ele não percebia que ela só estava se aproveitando dele, que a “ajudava” a fazer trabalhos e atividades da escola.
Depois de algum tempo, Maurício decidiu dar o xeque-mate. Ele comprou flores e mandou que entregassem para Natasha na escola. No buquê havia um bilhete, que dizia somente: “Você vai ter que adivinhar”.
Logo que começou o intervalo, ela foi direto falar com Ricardo.
Foi você? – ela disse, parecendo emocionada.
Eu o quê? – ele respondeu com uma expressão de surpresa.
Que me mandou flores, ué… – agora ela parecia desconfiada.
Ah! Sim. Você já recebeu?
Ele não tinha a menor ideia de que flores ela estava falando, mas ele viu a oportunidade que tanto esperava desde o começo do ano letivo e a agarrou. Natasha, então, foi até ele e o beijou.
Maurício viu aquela cena de perto, sem acreditar que ela foi falar com Ricardo. Maurício imaginou que ela correria diretamente pros braços dele próprio, mas acabou se decepcionando.
Ele até pensou em revelar a verdade, mas, por sorte, não disse nada, pois a situação certamente seria constrangedora. No silêncio, ele evitou que seus colegas soubessem da situação e se livrou da inevitável gozação que sofreria.
Tempos depois, no fim do ensino médio, Natasha e Ricardo ainda estavam juntos, namorando, e Maurício continuava sem sorte com as mulheres.


Ouvi dizer do teu olhar ao ver a flor. Não sei por que achou ser de um outro rapaz. [...] Minha flor serviu pra que você achasse alguém, um outro alguém que me tomou o seu amor. E eu fiz de tudo pra você perceber que era eu”. Trechos da música A flor, da banda Los Hermanos.


sexta-feira, 3 de março de 2017

Algo engraçado (ou nem tanto)

Certo dia, Pedrinho estava conversando com sua mãe na cozinha, mas ela percebeu que ele estava escondendo algo, pois ele, que era muito agitado e sapeca, estava muito quieto e fechado.
Diga, meu filho, o que você está escondendo? Tô te achando muito desconfiado.
Mamãe, eu vi o papai fazendo assim com a empregada – disse ele, com a voz fina típica das crianças, fazendo um gesto com as duas mãos indo pra frente e pra trás quatro vezes na altura da barriga, enquanto seu tronco também se movimentava.
Ah, é? Pois você vai contar pros seus avós pra que eles vejam que o filho deles não é o santo que eles imaginam.
No outro dia, durante o almoço, a mãe do menino disse que ele tinha algo pra falar para os avós. Ele, todo sem graça, não quis falar.
Fala, filho – disse a avó, incentivando o menino de apenas cinco anos. Enquanto isso, um vizinho entrava na casa para bater um papo como sempre fazia aos domingos.
É que eu vi o papai fazendo assim com a empregada – e aqui ele repetiu o gesto que havia feito para sua mãe – do mesmo jeito que o padeiro tava fazendo com a mamãe.
O vizinho caiu na gargalhada, enquanto os pais e avós do garoto ficaram de queixos caídos, querendo sumir dali o mais rápido possível.


A casinha caiu. Tiraram foto minha e registraram na balada com a vizinha”. Trecho da música A casinha caiu, do cantor Léo Santana.




sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Não se envolva

Já faz algum tempo que a moda é não se envolver, não se apegar, não criar expectativas e curtir o momento. Pratique o desapego, é o que dizem por aí.
Se essa moda for apenas uma fase da sua vida, tudo bem. Existem algumas vantagens nessa prática, desde que não machuque os sentimentos de outra pessoa. É uma etapa em que se busca novas histórias, novos horizontes, novas perspectivas e emoções. Não se busca relacionamentos de longo prazo. Então, faz muito sentido praticar o desapego.
Mas, se este é o lema da sua vida e não apenas uma fase, então eu acho que não é uma boa ideia porque parece algo incompleto, inacabado, como um sentimento que só vai até certo ponto e não avança para algo mais íntimo e pessoal. Fica apenas no básico, no casual, parece algo automático, como comer e beber. É algo que você precisa fazer, como uma obrigação, uma tarefa, uma necessidade fisiológica. Dá até prazer, mas não passa disso.
Pode parecer meio exagerado, mas é como naquele filme O doador de memórias. Lá as pessoas tomavam injeções diárias e ficavam livres das emoções e dos sentimentos. No fundo, aquelas pessoas eram como robôs guiados por algum programa de computador. Tudo parecia perfeito, mas faltava algo muito importante e que faz parte da nossa humanidade.
Talvez seja mesmo exagerado, afinal de contas praticar o desapego é a moda, é maneiro, é um estilo de vida admirado, alardeado nas músicas, postado nas redes sociais (ou antissociais?), é o desejo de muita gente que se apega fácil… Talvez seja, mas como lema de vida acho que não é o melhor.
Então, encontre alguém que você queira estar ao lado, para dividir seus sonhos, conquistas e frustrações. Alguém que você levaria numa viagem fantástica para um lugar paradisíaco ou que simplesmente fique em casa conversando até altas horas. Alguém que você olhe nos olhos e saiba que é amado(a). Alguém que se veja contigo no futuro, abraçados, velhinhos e ainda apaixonados.
E se envolva e se apegue e se apaixone diariamente, mesmo que a rotina chegue, que discussões e desentendimentos aconteçam e que tudo pareça ir por água abaixo.
[Parece perfeito demais, né? Sim e acredito que você deve desejar a perfeição mesmo, apesar de não existir pessoa perfeita. Você deve buscar o que há de melhor pra você! Ou você quer uma vida comum, sem nenhum destaque, um trabalho qualquer e um(a) companheiro(a) só pra dizer que tem um(a)?]
Não vai ser fácil ou rápido, seu coração pode ser despedaçado no meio do caminho, mas não deixe de acreditar no amor, não deixe de se envolver, de se importar, de ver a beleza das pequenas coisas e de dar uma chance pra você mesmo.
E, quando digo se envolver, não estou dizendo pra você se jogar com tudo e não tomar cuidados básicos. Não quer dizer que você deve aceitar tudo calado(a) e fingir que está tudo bem. Não estou dizendo pra você ser uma pessoa grudenta, ciumenta em excesso e que não dá espaço pro outro. Que você largue todos os seus interesses pessoais e se dedique somente ao outro.
Estou dizendo apenas pra você se permitir amar e ir além do superficial, sem colocar um freio nos seus sentimentos. Mas cuidado com aqueles que estão seguindo a moda.
Enfim, não se envolva com quem não se envolve.


Eu quero alguém pra mim, pra chorar quando choro sozinho. Eu quero alguém pra mim, pra sorrir quando dou um sorriso. Eu quero alguém pra me amar, só pra me amar.” Trecho da música Vinte e Seis, da banda Rosa de Saron.


P.S. Eu sei que existem pessoas que não querem se casar, ter um relacionamento sério, e se sentem completas assim e são felizes. É uma filosofia de vida e eu respeito. Concordo plenamente que não é preciso estar num relacionamento amoroso com outra pessoa para se sentir feliz! 




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ausente

Eu sei que estive ausente,
um pouco indiferente
a tudo que você sente
e aos delírios da minha mente.

Mas acordei de repente
e soube instantaneamente
que você é o meu presente,
que caiu na minha frente.

Lembrei do seu sorriso envolvente,
que me conquistou imediatamente,
do seu jeito resiliente,
que me marcou profundamente.

E você está diferente,
parece meio carente,
mas ainda muito atraente,
usando óculos de lente.

E me disse lentamente
que vai me amar eternamente.

Então fiquei lúcido novamente
e soube instantaneamente
que você é o meu presente,
que ganhei por acidente.


Demorei muito pra te encontrar, agora quero só você. Teu jeito todo especial de ser, eu fico louco com você”. Trecho da música Só você, do cantor Fábio Jr.

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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Massacre

 Um dia desses, houve um massacre de 56 pessoas num presídio em Manaus/AM. Depois mais 31 presos foram mortos em Boa Vista/RR. Em seguida, 26 detentos morreram num presídio do estado do Rio Grande do Norte.
Anos atrás, tinha sido a vez de São Luís/MA, onde cerca de 60 presos morreram somente no ano de 2013, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.
De lá pra cá, mais presidiários morreram, mas os números mencionados já são suficientes para se ter ideia do tamanho do problema que vive o sistema penitenciário brasileiro.
Você já ouviu falar que houve algo parecido em algum outro país? Mesmo em países mais pobres da África ou nos nossos vizinhos aqui da América do Sul, eu sinceramente não consigo lembrar de massacres em presídios ordenados por bandidos presos.
Ou seja, o Brasil, pelo menos até onde eu sei, é o único país do mundo que não consegue prevenir que bandidos presos ordenem o assassinato de integrantes de facções rivais. Na verdade, eles comandam muito mais coisas, inclusive o tráfico de drogas e mortes de policiais e testemunhas.
Talvez eu esteja muito desinformado, mas, mesmo que isso aconteça em dois ou três outros países por aí, ainda assim a situação do Brasil não melhora em nada.
E nessas horas algumas pessoas chegam a dizer:
– Deixe que eles se matem mesmo. Se eu pudesse, tocava era fogo nesses presídios.
E aqui poderíamos tratar de pena de morte, direitos humanos e tantas outras coisas relacionadas, mas não é o foco desse pequeno texto.
Mas só pra esclarecer um detalhe: alguns desses presos mortos, estavam cumprindo prisão por pequenos furtos e delitos de baixa gravidade. Será que eles mereciam morrer só porque estavam presos?
Na verdade, a questão que quero focar aqui é que essa situação é vergonhosa para o nosso país. Se o Estado não consegue controlar os bandidos presos, imagina os que estão soltos por aí?
Mas parece que as autoridades responsáveis não estão muito preocupados com isso, afinal a maioria deles só se preocupa com reeleição, propina e viagens pro exterior.


Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação. […] o sangue anda solto, manchando os papéis […] Terceiro mundo, se for. Piada no exterior.” Trecho da música Que país é esse da banda Legião Urbana.




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Algo romântico (ou nem tanto)

Numa festa de som automotivo, Breno e seus amigos começaram a beber e algumas garotas foram convidadas e se juntaram a eles. Depois que pagaram alguns combos de bebida, tudo parecia que se encaminharia para um final feliz para os garotos. Nessa noite, eles iam se dar bem, mas não foi bem isso que aconteceu.
No final da noite, só Breno conseguiu descolar um beijinho e o número de telefone de Natasha. Os outros três ficaram de mãos abanando, pensando no que tinham feito de errado.
Breno, então, começou a se comunicar com Natasha por meio de um aplicativo de mensagens de celular, mas ela dificultava um segundo encontro, afinal ela não saía muito e era uma moça de família.
Ele não ia desistir tão fácil e, depois de um pouco de insistência, ela aceitou e eles se encontraram no mesmo local e naquela noite eles começaram a ficar.
Ele, que não tinha sorte nos relacionamentos, parecia ter encontrado a sua amada. Logo começaram a sair nos finais de semana, pois ela morava longe e estava quase sempre ocupada durante a semana.
Ele gostava muito da companhia dela e sempre queria estar ao seu lado. Então ele começou a comprar pequenos presentes, como flores, chocolates e ursinhos de pelúcia.
Breno tinha grandes planos para eles, mas ela parecia não estar preparada para tantos planos. Queria simplesmente uma companhia, alguém que a divertisse e a levasse para bons lugares, além de créditos no celular e outros mimos.
O coração de Natasha parecia pertencer a outro homem e Breno, mesmo com o alerta de seus amigos e familiares, não tinha percebido e parecia não querer ouvir nada que pudesse desabonar a boa fama de sua querida ficante.
Certo dia, quando ia fazer um pedido de namoro surpresa, ele viu Natasha sair da casa dela de mãos dadas com um rapaz, que a beijou logo sem seguida. Breno não sabia o que fazer, nem para onde ir. Seu coração disparou no peito, mas ele se controlou e decidiu ficar ali um pouco e ir pra casa quando se acalmasse.
Alguns dias depois, ela decidiu ligar para ele, afinal ele não respondia suas mensagens.
Acabou. Não quero te ver nunca mais – ele disse logo que atendeu. Ela tentou falar algo, mas ele já tinha desligado.
Aqueles dias não estavam sendo nada fáceis para Breno, que a todo momento queria responder às mensagens que ela continuava mandando. Mas ele teve força e determinação e cada vez mais tinha certeza que a sua sorte na vida amorosa logo mudaria.


You had my heart inside of your hand and you played it to the beat. [Você teve meu coração nas suas mãos e você brincou com a batida dele”. Trecho da música Rolling in the deep, da cantora Adele.