quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Garota de Ipanema

Tom estava fazendo caminhada na orla da praia de Ipanema, quando avistou uma garota caminhando um pouco mais à frente.
Ele estava escutando música utilizando o fone de ouvido do celular, viajando na letra e na melodia, meio distraído, mas logo tirou o fone da orelha e passou a olhar mais detalhadamente o caminhar gracioso daquela garota.
Foi se aproximando aos poucos e chegou perto o suficiente para sentir o aroma delicioso do perfume que exalava do corpo bronzeado dela.
Eles caminharam lado a lado por alguns segundos.
Oi – disse ela inesperadamente. – Espero que você não esteja me seguindo – ela completou, de forma bem-humorada. Antes de ele se aproximar, ela já tinha analisado o comportamento dele, ouvindo música, distraído, e concluiu que não havia nenhum perigo. Quando estavam pareados, ela sentiu que devia falar com ele.
Ah! Não! Só estou tentando seguir o seu ritmo. Parece que você é boa nisso.
Sim. Sempre estou me exercitando, caminhando, correndo, pedalando.
Em seguida, ela disse que se chamava Ana. Ele sorriu educadamente e disse seu próprio nome. Ela, então, começou a puxar assunto com ele, falando sobre o clima, exercícios, a praia.
Tom a ouvia muito atentamente e tentava responder da forma mais agradável e descontraída possível. Essa conversa durou cerca de cinco minutos e ele estava esperando que ela terminasse uma história que ela estava contando para pedir o número de telefone dela.
Mas, de repente, o celular dela tocou. Ela o atendeu e sua expressão logo se fechou, parecendo preocupada. Parou de caminhar instantaneamente e deu um leve aceno de despedida para Tom, que mal teve tempo de se despedir com outro aceno.
Em tão pouco tempo, Tom sentiu algo forte por Ana como se já houvesse uma conexão anterior e ele nem acreditava nesse tipo de coisa. Era como um metal que é atraído pelo ímã, mas agora ela estava distante.
Ele passou a caminhar todos os dias naquele mesmo local, no mesmo horário, na esperança de voltar a encontrar aquela garota que o deixou desconcertado. Entretanto, os dias passavam sem nenhum indício de Ana e ele sabia que a chance era bem pequena.
Agora ele só poderia torcer para que a sorte o abraçasse e o destino a trouxesse novamente para mais uma volta na orla da praia de Ipanema.


Ah! Se ela soubesse que quando ela passa o mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo por causa do amor”. Trecho da música Garota de Ipanema, de Tom Jobim.