quinta-feira, 10 de maio de 2018

Jeitinho brasileiro


Você já deve ter ouvido a expressão jeitinho brasileiro.
Durante muito tempo – e a expressão é bem antiga –, o jeitinho era algo positivo, pois refletia a flexibilidade e criatividade do povo brasileiro em resolver situações, das mais simples às mais complexas. Nesse caso, a solução era legítima, dentro da lei. Até aí tudo bem.
Entretanto, nas últimas décadas o conceito começou a ser visto como uma forma de tentar levar vantagem em tudo, esperteza, malandragem, podendo ser confundido como uma forma leve de corrupção, o que certamente é um aspecto negativo.
O jeitinho tem a aparência de leve, de algo pequeno, mas, na verdade, traz grandes problemas, pois ele está enraizado na cultura nacional e muitas vezes é visto como algo normal, mesmo em casos de corrupção de quantias gigantescas de dinheiro.
Algumas pessoas chegam a dizer: “Se eu estivesse lá, eu também faria”, “Ele rouba, mas faz”. Essas pessoas geralmente acham normal furar fila, furtar energia e TV a cabo, pedir para o guarda dar um jeitinho na multa de trânsito, entre outras práticas quase corriqueiras no cotidiano.
Essa prática chegou no Judiciário e, mesmo quando uma lei diz claramente uma coisa, pode haver um jeitinho jurídico pra estabelecer algo bem diferente.
Como dizem, existe jeito pra tudo, menos pra morte.
Se você gosta de fazer tudo da maneira correta e honesta, muitas vezes você é encarado como “certinho”, “caxias”. Se você devolver um dinheiro perdido, talvez até vire um herói e apareça no jornal. Porque, numa sociedade corrompida e deturpada, bom mesmo é ser malandro, ser espertinho e tirar vantagem de tudo e de todos.


Aquele velho jeitinho brasileiro, ambicioso e golpista que não perde a chance de se dar bem, mesmo tendo que passar por cima de alguém. Aquele velho jeitinho brasileiro, mentiroso e egoísta, alienado pelo que a mídia estabelece. O povo acomodado tem o governo que merece”. Trecho da música Jeitinho Brasileiro, da banda Rock Roach.