terça-feira, 10 de março de 2015

Mais uma morte banal no trânsito

Rogério chegou em casa, vindo do trabalho e não encontrou sua esposa Dora. Achou estranho, afinal ela não havia deixado nenhum recado para ele. Era hora do almoço e geralmente ela estava ali com a comida pronta.
Ele ficou preocupado e ligou para o telefone dela, mas ela não atendeu. Então, ele ligou para a melhor amiga dela e ela disse para ele ligar a televisão.
- Aconteceu uma tragédia – disse ela, angustiada.
O coração de Rogério acelerou e ele sentiu uma sensação que ele nunca tinha sentido. Parecia que seu estômago dava voltas. Sentiu-se muito mal, quase desmaiou, mas conseguiu ligar a televisão e viu o corpo de sua esposa estendido no chão, encharcado de sangue.
Não conseguiu ouvir que testemunhas haviam presenciado o homicídio. Uma delas disse que o agressor atirou na mulher por causa de uma leve batida no veículo dele.
Dora havia batido na traseira do outro veículo. O motorista saiu do carro irritado, gritando e gesticulando. Disse que ela era uma “barbeira” e que mulheres não sabiam dirigir. Ele estava muito exaltado e sacou uma arma. Ela estendeu as mãos em sinal de paz e pediu desculpas, mas o sujeito, provavelmente enfurecido com o trânsito maluco da cidade, não viu os gestos pacíficos da esposa de Rogério, atirou duas vezes na direção do peito e a matou.
O criminoso, por um momento, ficou parado, parecendo não acreditar no que havia feito. Ficou surpreso e, ao mesmo tempo, arrependido. De repente, voltou a si, embarcou no carro e saiu em disparada.
Rogério também não ouviu que uma testemunha havia anotado a placa do carro. Ele já não ouvia nada. Estava completamente desesperado. Havia perdido sua linda esposa, apenas três meses após o casamento. E ele não sabia: ela estava grávida. Daria a notícia no almoço. Infelizmente, não dará mais a notícia por causa de mais uma morte banal no trânsito.


“Vamos festejar a violência. E esquecer a nossa gente que trabalhou honestamente a vida inteira e agora não tem mais direito a nada.” Trecho da música Perfeição da banda Legião Urbana.

Um comentário:

  1. Triste história, Diego.
    Infelizmente, nem um pouco fantasiosa. :(
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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