sábado, 12 de setembro de 2015

Abordagem no banco

Lucas estava na fila do banco e logo percebeu que havia uma bela garota um pouco à sua frente. Sem perder tempo, ele foi até ela.
- Oi. Prazer, Lucas – disse ele olhando bem fundo nos olhos dela, demonstrando calma e confiança.
Ele estendeu a mão pra ela, mas ela não retribuiu o cumprimento. Olhou pra ele de um jeito constrangido, afinal havia várias pessoas ali.
- Te vi aqui e pensei em te conhecer. Não quero te atrapalhar. Só quero te conhecer. Provavelmente não vou ter outra oportunidade. Tudo bem?
Ela respondeu que estava bem, mas deu a entender que não queria mais conversa.
Algumas pessoas olhavam para aquela conversa como se aquilo fosse algo fora do comum. Uma delas tinha um olhar intimidador e outra, um olhar zombador.
- É. Eu sei que a gente não se conhece. Talvez seja meio estranho falar comigo, mas, na boa, vamos conversar como duas pessoas civilizadas. Que problema tem nisso?
Ele ainda demonstrava confiança e ela começou a sentir que queria falar com ele.
- Eu não sei – disse ela, um pouco insegura, mas sua tonalidade de voz indicava que queria que ele continuasse tentando.
- Mas eu sei. Não tem problema nenhum. Como é o seu nome?
- Marília.
- Puxa, Marília. Que nome lindo. É um prazer enorme falar com você – ele disse e fez uma pequena pausa. - Nessa hora eu deveria perguntar o que você faz e quantos anos você tem, mas eu prefiro perguntar se você gosta de comida japonesa - ele arriscou, observando que ela vestia uma camisa com uma estampa com desenhos japoneses. 
- Eu adoro comida japonesa. É a minha preferida.
- Sensacional! Que coincidência! Abriu um restaurante japonês perto da minha casa. A gente tem que ir lá conhecer. Me passa seu número pra gente combinar.
- Mas a gente nem se conhece direito...
- Exatamente, Marília. Por isso mesmo que a gente vai conversar mais pelo celular. E também não tem nenhum problema nisso, viu? Além do mais, eu já estou saindo, como a gente vai conversar mais, se você não me passar seu número?
- É verdade. Você tem toda razão – ela teve que admitir.
Ela digitou o número dela no celular dele e ele a abraçou.
- Caramba, você é muito cheirosa – ele disse e se despediu.
- Você não ia pagar algum boleto? – ela perguntou, pois ele não havia utilizado o caixa do banco.
- Não. Eu vi você entrando no banco e achei que tinha que falar contigo. Eu não ia me perdoar, se eu não tentasse vir aqui te conhecer.
Ela deu um sorriso incrédulo e lisonjeado ao mesmo tempo. Ele a abraçou novamente e se despediu.
Ele deu alguns passos em direção à porta do banco e o homem que tinha um sorriso zombador perguntou curioso:
- Como você fez isso?
E Lucas, com um leve sorriso e um gesto desinteressado, disse simplesmente:
- Agindo.

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Trecho da música Pra não dizer que eu não falei das flores de Geraldo Vandré.

7 comentários:

  1. Eu teria ficado pra lá de assustada! Não consigo lidar bem com uma abordagem nesse estilo, ainda mais na fila do banco, um lugar carregado de tenção e sou péssima para dar o número de telefone, atender então é outra vida... O carinha tem coragem, mas a menina foi bobinha!

    Pandora
    O que tem na nossa estante

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  2. Eu teria me assustado muito com uma atitude assim, mas acho que conversaria com ele. Não passaria meu número, mas na hora conversaria. Provavelmente passaria informações falsas sobre mim e não me orgulho disso, mas é que sou muito medrosa e desconfiada.

    Vidas em Preto e Branco 

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  3. Oi Diego,
    Eu me assusto com abordagens assim, no mínimo nem teria respondido. Telefone então nem pensar haha
    Mas gostei da mensagem. Se a gente não tentar, nunca vai saber não é?

    Tenha uma ótima terça.
    Nana - Obsession Valley

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  4. Oi Diego!
    Bah, eu ficaria apavorada com uma abordagem assim. Achei o Lucas muito impertinente e, no lugar dela, consideraria assédio. Provavelmente daria informações falsas, pra ele parar de me incomodar hahaha! Mas, como a Nana comentou ali em cima, gostei da mensagem: agir é importante. Tentar atingir nossos objetivos vale a pena.
    Beijos,

    Priscilla
    http://infinitasvidas.wordpress.com

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  5. OOOiii!

    Sensacional!!!
    Eu adorei o jeito e a atitude do personagem, embora que se fosse comigo ele ia ser ignorado com sucesso USAHUSAHUS.
    A mensagem é ótima!


    Beijinhos,
    www.entrechocolatesemusicas.com

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  6. Olá,
    Adorei a mensagem que você quis transmitir e gostei da citação do trecho da música do Vandré.
    Beijos.
    Memórias de Leitura - memorias-de-leitura.blogspot.com

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  7. Ooi, tudo bom??
    Como todos os comentários aqui, eu sou da turma que ficaria assustada e achando que ia ser roubada e/ou morta HSAUHS É horrível perceber que existe tanta maldade no mundo, que simplesmente conversar com um estranho na fila não é normal, nem aceitável. Adoro essa música,
    Beijoos,
    Sétima Onda Literária

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