João estava voltando do trabalho, quando presenciou uma cena
inusitada: policiais efetuando a prisão de outros policiais.
E o que mais chamou a sua atenção foi o fato de que um
traficante estava sendo escoltado por policiais, que estavam no carro
oficial da corporação e davam proteção ao
bandido, que estava fugindo para um local seguro, pois o morro que
ele dominava seria logo invadido e pacificado pela polícia.
Algumas pessoas filmavam a cena, tiravam fotos. Outras pessoas, mais
exaltadas, gritavam:
- Vergonha! Vergonha!
A Polícia, que deveria preservar a ordem pública e a
incolumidade das pessoas e do patrimônio, estava protegendo um
traficante, chefe de uma organização criminosa. Quanta
ironia.
Na verdade, não foi a instituição Polícia;
foram só alguns policiais. E esses são bandidos.
É bom que se diga, os demais policiais, até prova em
contrário, são boas pessoas que cumprem fielmente seus
deveres.
Enquanto isso, João estava pensativo. Não imaginava que
esse tipo de coisa acontecia. Ele vinha de uma cidade pequena, onde
as pessoas ainda acreditavam em alguns valores, tinham alguns
princípios e, sobretudo, eram honestas e solidárias.
Policiais dando proteção a bandidos? Isso não
acontecia na sua cidade natal, afinal lá não tinha mais
do que cinco policiais e todos se conheciam...
“Não quero minha vida igual a tudo o que se vê”,
trecho da música Do alto da pedra da banda Rosa de Saron.