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Mostrando postagens de 2010

Quando menos se espera...

Os dias passavam tão devagar. Depois que ela se foi, o tempo parece que havia parado. Gilberto mantinha-se ocupado a maior parte do tempo, trabalhando, estudando, jogando futebol e trabalhando mais ainda, até mesmo em casa. Ele tinha que manter a sua mente longe de qualquer pensamento, pois tudo que vinha à sua cabeça, cedo ou tarde, acabava indo na direção dela. E já havia se passado quatro longos meses desde que ela partiu em direção ao que ela sempre quis: viajar pelo mundo, conhecer a cultura de outros povos, sem preocupação, sem vínculos, sem peso na consciência. Ela queria ser livre e tinha deixado isso bem claro a Gilberto. Um dia ela partiria e não voltaria mais. Ele já sabia, mas acreditava que ela acabaria desistindo do seu sonho por causa dele. Triste ilusão. Quem sabe o que ele mais gostou nela foi essa expectativa, essa esperança, de poder fazer com que ela mudasse de idéia. Ou até mesmo esse medo que ele tinha de que ela fosse embora de repente. De qualquer forma, agora e...

Só uma opinião

Há dias em que dá tudo errado. Parece que acordamos destinados ao fracasso. Azar, mal olhado, falta de sorte, destino ou simplesmente acontecimentos normais? Não sou do tipo que acredita nessas crendices populares, só porque são populares. Tem muita gente que vai pelo que os outros acham ou acreditam. Isso vai de cada um. E todas as opiniões são válidas, mas nem todas são corretas. Se nada deu certo, acho que não era pra dar, pelo menos naquele momento. Acredito que cada coisa acontece no seu devido tempo. Algo que chamam de destino. Mas também há algo que chamam de acaso. Mas será que o acaso não é o destino? Como saber, não é mesmo? É até fácil compreender que uma pessoa pode justificar que se tudo na vida já está destinado a acontecer, então que graça tem a vida? Pois é. Boa pergunta. Então, acho mais razoável existir o destino, o acaso e o livre arbítrio. Ou uma mistura disso. Não sei se estou certo. É mais uma opinião no meio de tantas. Cada um tem a sua. “Devia ter me importado ...

Pré-conceito

Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos sessenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal ela era cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma e o tempo do pagamento. Mas ela já até tinha esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela sonhava havia alguns dias. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos. Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim. - Trezentos e cinqüenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara fosse negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja. - Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto. - Esse é o preço para pagamento à vista ou no cartão – disse a...

Pôr do sol

O dia estava lindo. Um sol magnífico brilhava no ar e o céu estava completamente azul, sem nenhuma nuvem. Fabrício tinha combinado um encontro com a sua colega de faculdade. Mas não era um encontro romântico (bem que ele queria); era só um trabalho da faculdade. Era só o primeiro período da faculdade e, por isso, Fabrício não a conhecia muito bem. Pra falar a verdade, ele nem se lembrava do nome dela. Lá pelas três horas da tarde, ela chegou à casa dele e logo começaram a fazer o trabalho. Era algo sobre física nuclear e eles estavam meio perdidos, sem saber o que fazer exatamente. Mas, no final, conseguiram reunir o que tinham pesquisado e o trabalho não ficou muito a desejar. Lá pelas cinco da tarde, quando terminaram o trabalho, Fabrício a convidou para lanchar perto da sua casa, na beira do lago que banhava a cidade. Lancharam e Fabrício logo perguntou o nome dela. Ela disse que se chamava Ana. Fez-se um silêncio. Fabrício olhava o pôr do sol. Ele, que já estava acostumado a olhar ...

Mais uma vez: Sorte

A sorte começava a mudar para Augusto. A sua vida de azar parecia ter ficado para trás quando conheceu Alícia. Logo ele que havia desperdiçado várias oportunidades de mudar a sua vida para melhor. Mas logo que a conheceu, sentiu algo extremamente especial em seu coração, como se soubesse que ela era a escolhida, a tão esperada mulher de sua vida.  Conheceram-se meio que por acaso e seus caminhos quase sempre se cruzavam e tudo que ele falava era um “oi”, “bom dia”. Então, uma semana depois da primeira vez que a viu, teve coragem suficiente para falar com ela e a convidar para um jantar. Ela ficou surpresa e sorridente e aceitou o convite. Naquela noite, começaram o relacionamento. Ele queria algo sério e ela também. Parecia que haviam sido feitos um para o outro. Almas gêmeas, como dizem.  A sorte de Augusto mudou. Oportunidades apareceram e ele não as desperdiçou. Começou a trabalhar e a ganhar um bom dinheiro. Ganhou até na loteria (na quina) o valor correspondente a R...

Um conquistador

Durante toda a sua longa vida, Rogério já havia namorado muitas mulheres e ficado com outras tantas. Ele só tinha 25 anos, mas se gabava de já ter feito quase tudo nessa vida. E, quando o assunto era mulher, ele dizia que sabia tudo. E isso era mesmo uma meia verdade, se é que isso existe. Brincava com os corações das mulheres, como se elas fossem bonecas sem sentimentos. Desfazia-se delas da mesma maneira que as conquistava: rapidamente e sem nenhuma emoção. Era um típico conquistador, do tipo que não aceita não como resposta. E esse foi seu maior erro. Quando encontrou uma mulher (o nome dela era Suzana) que não se deixou seduzir por seus truques baratos, ele se viu perdido, relembrando a mulher que o havia deixado. Foi esta mulher (a que o deixou) que fez com que ele se transformasse num homem vazio e sem sentimento. Rogério, então, decidiu que não descansaria até ter Suzana ao seu lado. Talvez por que quisesse parar de ser um conquistador e quisesse realmente amar novamente. Ou tal...

Medo

Era noite. Estava chovendo. Raios e trovões se perdiam pela noite escura. De repente, faltou energia. Carlos estava só em casa. Seus pais estavam trabalhando. Eram professores. Ele era um garoto de apenas 16 anos e começava a ficar com medo. Nesse momento, tentou encontrar uma vela para acendê-la. Ligou seu celular para clarear um pouco em sua volta. Assim, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro. Acendeu então a vela e ficou um pouco mais tranqüilo. Foi aí que escutou alguns barulhos estranhos pela casa e se lembrou que se mudou há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Carlos estava inquieto, com muito medo. E então ouviu um barulho mais estranho ainda vindo da porta da frente. Era um ruído baixo, mas assustador. Carlos sentiu seu coração bater acelerado. Nunca tinha sentido tanto medo. Começava a acreditar que a casa era mal assombrada. Foi então que seus pais chegaram e, quando en...

Esperar é mesmo preciso?

Só poderia mesmo ser uma ilusão. Fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila lhe contou algo. Não era possível, ele pensava. Nos últimos dois anos, ele viveu pensando que não tinha a menor chance, apesar de ter uma esperança no seu peito. O que ele mais queria parece que se tornaria mais do que provável e possível. Tornar-se-ia real. Estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar. Ele criou uma idéia tão improvável na sua mente, que ele não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele. Ela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que Marcela sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira da Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperan...

Carnaval

É carnaval. Tempo de alegria e muita diversão. Tempo de extravasar e vestir o que der vontade. Parece que vale tudo mesmo nessa época. Carla estava em sua cidade, no sábado de carnaval, esperando o outro dia para viajar para um local mais tranqüilo. Ela só não esperava que a sua casa fosse ficar tão cheia. Pensou que nesse ano de crise o movimento na cidade seria menor. Carla mal esperava o dia passar para poder viajar para um interior ali perto, um local bem mais tranqüilo, cheio de cachoeiras e lugares exóticos. Paulo, uma das muitas pessoas que estavam na sua casa nesses dias, ouviu Carla falando que iria viajar para um lugar mais tranqüilo e ficou pensando se deveria perguntar se poderia ir junto, afinal ele gostava de folia no carnaval, mas também gostava de descanso. Além disso, percebeu que seria uma ótima oportunidade de conseguir enfim ter coragem de falar com Carla. No ano passado, ele até tentou, mas ela viajou tão rápido que ele não teve tempo. Nesse ano, ele não queria per...

Você já me conhecia

Você já sabia o que fazer. Foi tão impressionante. Sabia como me convencer. Conquistou-me num instante. Parece que já me conhecia. Fiquei até desconfiado, atento ao que me dizia. No fim fiquei emocionado. Era como uma fantasia, um sonho não acabado. O meu coração te queria sempre ao meu lado. "Até parece que você já tinha O meu manual de instruções Porque você decifra os meus sonhos Porque você sabe o que eu gosto E porque quando você me abraça O mundo gira devagar. (...) E eu acho que eu gosto mesmo de você Bem do jeito que você é Eu vou equalizar você Numa freqüência que só a gente sabe Eu te transformei nessa canção Pra poder te gravar em mim". - Equalize - Pitty.

Tudo é sempre a mesma coisa

Tudo é sempre a mesma coisa. Tudo acontece tão de repente. Mas pensamos que nada de mal vai nos acontecer. "As coisas ruins só acontecem com os outros", pensamos. Parece que somos imunes ao mal e às tragédias que acontecem todos os dias. Outro dia vi na televisão um garoto pulando da ponte sobre o rio Tocantins, recém inaugurada. Lembro que, antes de pular, ele disse que ia morrer. E ele pulou e acabou caindo de mal jeito. Não foi mais visto e o seu corpo, até onde sei, ainda não foi encontrado. Isso me fez lembrar o caso dos mamonas assassinas. O tecladista do Mamonas assassinas, antes do acidente fatal, disse que teve um pesadelo com a própria morte; tinha visto um avião cair. Lembrei também da morte do Ayrton Senna. Não sei se é verdade mesmo, mas eu soube que ele não queria correr naquele dia. Estava inseguro ou esperava que algoi ruim acontecesse. Não sei bem, mas o fato é que outro piloto havia morrido um dia antes, no treino de classificação. Não sei ...

Quando nada mais importa

Quando nada mais importa, as coisas parecem tão mais fáceis. Afinal, não há nada a perder. Não há por que fingir. Também não se pensa nas conseqüências. Estará tudo “bem” de qualquer forma. Mas as coisas não são bem assim. Ninguém quer viver esses momentos em que nada importa, justamente por que não deve ser muito bom. Aliás, parece bem triste. Mas as pessoas sempre têm algo a perder ou pelo menos querem ter. E sempre há algo que pode nos ser tirado. A maioria dessas coisas não tem preço. São coisas inestimáveis e que muitas vezes não damos o devido valor. São pequenas coisas que só sabemos que existem quando as perdemos. Por mais que pensemos que somos infinitamente pequenos diante de muitas coisas, a verdade é que somos grandes, somos importantes e precisamos saber de nossa importância. Às vezes, perdemos quase tudo e pensamos que nada mais importa. Mas, nesses momentos, devemos pensar que a vida é muito mais do que momentos ruins. Eles sempre existirão por mais que tentemos nos l...

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