quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Será que eu disse “eu te amo” cedo demais?

 

Será que eu disse “eu te amo” cedo demais?

Três semanas, cinco encontros. Algumas pessoas chamam alguém assim de “emocionado”, mas será mesmo?

Às vezes fico pensando se deveria ter esperado mais. A sua reação silenciosa me deixou pensativo. Apesar do silêncio e de um pouco de constrangimento da minha parte, as coisas logo voltaram ao normal, a conversa fluiu, sorrisos, abraços e beijos surgiram naturalmente.

Mas logo depois comecei a pensar demais e diversos cenários foram surgindo na minha mente.

Talvez algumas palavras precisem de mais tempo para serem ditas no momento certo ou mais apropriado. Acho que me deixei levar pelo que sentia naquele instante e as palavras simplesmente saíram sem pensar, quase que automaticamente.

Será que o amor precisa aprender a caminhar devagar? Devemos guardar palavras, mesmo quando temos tanta vontade de falar? Devemos fingir que não sentimos algo porque a outra pessoa pode não estar preparada? O amor é um jogo? Por que não podemos simplesmente ser sinceros sobre nossos sentimentos?

Será que você se assustou? Talvez eu tenha colocado um peso sobre você e eu só queria que tudo fosse leve e divertido. Será que você ainda está tentando descobrir o que sente por mim?

Todas essas perguntas passavam pela minha cabeça num turbilhão de pensamentos.

É estranho quando a gente percebe que uma frase tão simples pode mudar tudo. “Eu te amo.” Três pequenas palavras que carregam expectativas, medos, aflições e tantas coisas que ninguém consegue explicar.

Existe uma pequena chance de eu ter apagado um pouco aquela chama, aquele frio na barriga, o encanto, o mistério, a tal da dopamina tão falada. Você queria tanto, mas quando teve se entediou? A gente busca algo e quando encontra perde aquela sensação gostosa?

Talvez eu tenha dito cedo demais. Talvez não. Talvez não exista momento certo para dizer o que a gente sente.

Eu fico imaginando que você não quis tomar a iniciativa justamente por não saber que resposta eu daria. E acabou travando.

Cinco encontros! No fundo, parecia que eu já tinha esperado tempo demais, que você queria um pedido formal de namoro quando nos encontramos pela segunda vez. E até ficou chateada pelo meu silêncio.

É tão confuso. Tudo parece que tem que ter um roteiro, a gente tem que fingir, performar, simular situações. E eu estou tão cansado de tudo isso.

Será que eu disse “eu te amo” cedo demais?

Sinceramente não sei, mas logo vou saber. Não vou ficar remoendo isso. Se você achar que me precipitei, a gente pode tentar recomeçar ou seguir em frente em caminhos separados.

Mas tenho uma vaga impressão que o amor está no ar.



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“Love is in the air, In the rising of the Sun, Love is in the air, When the day is nearly done [O amor está no ar, No nascer do Sol, O amor está no ar, Quando o dia está quase acabando]” Trecho da música Love Is In The Air, do cantor John Paul Young.