Será que eu disse “eu te amo” cedo demais? Três semanas, cinco encontros. Algumas pessoas chamam alguém assim de “emocionado”, mas será mesmo? Às vezes fico pensando se deveria ter esperado mais. A sua reação silenciosa me deixou pensativo. Apesar do silêncio e de um pouco de constrangimento da minha parte, as coisas logo voltaram ao normal, a conversa fluiu, sorrisos, abraços e beijos surgiram naturalmente. Mas logo depois comecei a pensar demais e diversos cenários foram surgindo na minha mente. Talvez algumas palavras precisem de mais tempo para serem ditas no momento certo ou mais apropriado. Acho que me deixei levar pelo que sentia naquele instante e as palavras simplesmente saíram sem pensar, quase que automaticamente. Será que o amor precisa aprender a caminhar devagar? Devemos guardar palavras, mesmo quando temos tanta vontade de falar? D evemos fingir que não sentimos algo porque a outra pessoa pode não estar preparada? O amor é um jogo? Por que não podemos...
Lucas havia conhecido Amanda num aplicativo de relacionamento no dia anterior. A conversa tinha sido bem agradável, cheia de brincadeiras, comentários sobre filmes e músicas, e alguns interesses em comum. Ela parecia uma mulher divertida, inteligente e de conversa fácil. Ele gostou da maneira como conseguia prolongar a conversa sem que nenhum dos dois precisasse fazer muito esforço. Depois de algumas horas de papo, Amanda sugeriu que se encontrassem pessoalmente e Lucas aceitou sem pensar duas vezes. Não tenho nada a perder , ele pensou. O que Lucas não imaginava era que estava prestes a participar de uma espécie de interrogatório político. Eles marcaram o encontro em uma cafeteria bastante conceituada. Amanda chegou dez minutos atrasada, cumprimentou-o com um sorriso discreto e se sentou ao lado dele. – Lucas, agora que eu percebi, você tem cara de bolsonarista – ela disparou. Ele achou estranho e tentou levar aquela sugestão de forma bem-humorada. – Amanda, acho...