segunda-feira, 4 de maio de 2026

Mais um pouco de romantismo

 

Fernando estava fazendo o quinto período do curso de medicina quando conheceu uma caloura, que o deixou desnorteado. Então, ele bolou um plano para se aproximar dela, sem parecer forçado, rodeando o grupo de amigos dela para que se tornassem amigos em comum e, assim, ela se acostumaria com a presença dele.

Depois de poucos dias, ele decidiu que já estava na hora de falar com ela diretamente. No final da resenha após a aula, quando o grupo de amigos se dispersou e ela ia saindo, passando ao seu lado, ele a chamou:

Oi, Daiane – ele disse e ela se virou para ele, que a olhou firmemente nos olhos.

Oi, Fernando. O que você manda? – disse ela de modo despojado e ele sorriu.

Ah… É que eu ouvi você falando que tá com dificuldade em bioquímica, que o professor é durão e eu acho que posso te ajudar nisso.

Sério? Pois fechou. Eu tô perdida nessa matéria.

Mas tem uma condição… – ele falou, deixando um pouco de suspense no ar. Ela fez uma expressão de surpresa e, depois de alguns segundos, fez um sinal para que ele prosseguisse. – Não é nada demais. É que você falou que gosta de comida japonesa e eu tava procurando uma companhia para ir num restaurante novo que inaugurou semana passada… – ele fez uma pausa. – E, então, você pode ir?

Cara, eu tava querendo mesmo ir nesse restaurante. Acho que você adivinhou meus pensamentos – ela disse entre risos e fez uma pequena pausa. – Deixa ver se eu entendi. Você vai me ajudar na matéria e ainda vai me levar num restaurante japonês… Cara, isso não é uma condição. É um presente.

No outro dia, eles estudaram na biblioteca da faculdade, ela estava compreendendo melhor a matéria e, em certo momento, ele pediu para fazerem uma pausa.

Precisamos combinar o dia que vamos no restaurante – ele disse e pegou na mão dela –, mas eu quero que saiba que não estou dando em cima de você – ele falava com um sorriso discreto no rosto e olhando profundamente nos olhos dela.

Por mim tudo bem – ela disse e se sentiu confusa, pois a expressão dele indicava o contrário. – Eu estou livre hoje à noite.

Hoje eu vou sair com uma amiga das antigas. Pode ser amanhã?

Ela disse que sim e ficou ainda mais confusa. Será que é só uma amiga mesmo? Essa dúvida surgiu na cabeça de Daiane.

Um dia depois, eles estavam no restaurante, conversando tranquilamente e, de repente:

E como foi ontem com sua amiga? – ela perguntou, tentando disfarçar sua curiosidade.

Que bom que você perguntou. Foi fantástico. A gente se divertiu demais. Fazia muito tempo que a gente não se via.

Então vocês são muito próximos… – ela disse, tentando arrancar discretamente mais alguma informação sobre essa amizade.

Ah, sim. Ela está morando em outra cidade, mas todo ano a gente dá um jeito de se ver.

E vocês são apenas amigos?

A pergunta saiu com um tom de voz que ela não desejava expressar. Ele a olhou com uma expressão de surpresa e deu um leve sorriso.

Por que você está tão interessada nisso?

Na verdade, não estou. Só quero entender essa amizade. Mas, se você não se sente à vontade pra falar, tudo bem – ela falou querendo jogar o desconforto pro outro lado.

Mais tarde te falo mais sobre isso. Tudo bem? – ele perguntou e fez uma pausa. – Eu estou com muita fome agora e quero comer, mas eu fico olhando os seus olhos e me desconcentro. Os seus olhos negros estão me deixando hipnotizado.

Ela sorriu e passou a mão no cabelo.

Agora parece que você está dando em cima de mim…

A gente não pode nem elogiar mais… – ele fez uma pausa e, segurando com uma das mãos na cintura dela, chegou bem próximo do rosto dela. – Eu já te disse pra não pensar isso.

Mas você me deixa confusa – ela falou baixinho. Eles estavam muito próximos, quase tocando os rostos, e ela não resistiu e o beijou. Ele sentiu o calor dos lábios dela e retribuiu o beijo de forma delicada e depois com intensidade.

Você ainda está confusa?

Acho que não… Mas e a sua amiga?

Relaxa. Ela é só uma velha amiga.


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Vem me fazer feliz porque eu te amo.” Trecho da música Oceano de Djavan.





sexta-feira, 20 de março de 2026

Armação?

 

Só poderia mesmo ser uma ilusão, fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila havia lhe contado algo incrível. Não é possível, ele pensava.

Nos últimos dez meses, ele sempre pensou que não tinha a menor chance com Marcela, apesar de ter uma esperança no seu peito. Agora o que ele mais queria estava bem perto de se tornar real, estranhamente real.

Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar, pois ele havia criado uma ideia totalmente diversa na sua mente e por isso não conseguia ver a verdade.

Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele logo em seguida. Marcela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que sua amiga sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se.

Isso é patético, cara. Seja homem – ela acrescentou, sorrindo.

No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira de Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperança se concretizar e isso o deixou muito animado.

Como não dava tempo de confirmar a informação, ele decidiu seguir seu coração, criou coragem e foi diretamente para o local marcado e lá encontrou Marcela aparentemente esperando por ele.

Oi – disse ele, feliz e ansioso.

Oi – disse ela, sorrindo e se levantando do banco em que estava sentada. Ela também parecia feliz. – Que bom que você veio.

Ele sorriu. Então é verdade, ele pensou.

Eu pensei que a Priscila tinha inventado isso, mas parece que é mesmo verdade – ele disse e ficou bem próximo dela. Sua expressão demonstrava toda a sua felicidade.

Você demorou pra perceber meus sinais e eu não sabia mais o que fazer – disse ela, de forma leve, e colocou as mãos nas mãos dele. – Não quero mais perder tempo e você?

Ele não disse nada. Aproveitou a oportunidade, chegou ainda mais perto dela e a beijou longamente. Eles ficaram ali por um tempo, namorando sem nenhuma pressa.

Eu sei que falhei porque não tive a iniciativa. E posso até parecer precipitado agora, mas, pelo menos, vou tomar a atitude que eu deveria ter tomado – ele fez uma pausa e olhou profundamente nos olhos dela. – O que você acha de um relacionamento sério?

Tipo namoro? – ela perguntou de forma séria. Ele ficou surpreso e pareceu decepcionado. – Ah, relaxa, eu só queria ver a sua cara. Estava esperando por isso há muito tempo – ela disse sorrindo.


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Você juntou as nossas vidas transformando em uma só. E por alguns segundos eu pude viver num mundo bem melhor”. Trecho da música Fui tão longe da banda Reação em cadeia.




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Na biblioteca

 

Era um dia chuvoso, como poucos naquela época quente. Marcelo queria descansar, dormir e não pensar em mais nada. Mas ele precisava estudar. Então, foi à biblioteca da faculdade. Lá ele poderia se concentrar mais, já que em sua casa quase sempre tem muita gente e muito barulho.

Quando ele chegou, não havia quase ninguém, mas, com o passar do tempo, a sala da biblioteca foi ficando cheia, quase sem lugares vazios. E foi então que uma garota desengonçada chegou e se sentou ao seu lado.

Oi – disse ela e derrubou um livro.

Oi.

Me desculpe, meu nome é Renata.

O meu é Marcelo. Nunca te vi por aqui antes…

É a minha primeira vez mesmo. Sou novata aqui. Entrei agora na faculdade e os professores já passaram um monte de trabalhos.

Ela estava visivelmente sem graça e por isso começou a falar sem parar. Marcelo sorriu. Ia voltar a estudar, mas Renata resolveu fazer uma pergunta.

Você chegou aqui cedo, né? Parece que já leu quase tudo.

Cheguei aqui há duas horas e ainda preciso ler muito mais, infelizmente.

Mas você pode me dizer quantos anos tem, né?

Marcelo era meio tímido e já estava ficando impaciente com tantas perguntas.

Eu tenho 22 e preciso estudar para fazer a minha monografia.

Ele já estava virando de lado para estudar, quando ela disse que tinha 17 anos e morava perto da faculdade. Não tinha namorado faz tempo e que nem pensava em namorar enquanto estivesse na faculdade. Depois perguntou sobre ele, sem perceber que ele não estava gostando nada daquela conversa.

Não moro muito perto da faculdade. Não tenho namorada e também não pretendo namorar enquanto estiver na faculdade – ele disse a primeira coisa que veio a sua cabeça.

Puxa, então somos muito parecidos. Que coincidência.

E ela ficou ali, perguntando coisas sobre ele e falando sobre ela mesma e sobre outras coisas. Nem percebia que ali era uma biblioteca, que não é um lugar pra ficar conversando, e que ele estava quase a ponto de explodir de tanta impaciência.

Nos outros dias que se viam na biblioteca, ela sempre se sentava ao lado dele e começava a falar sem parar. E Marcelo guardava a sua impaciência para si mesmo e tentava ser o mais gentil possível. Até que certo dia ele olhou nos olhos dela e percebeu o quanto ela era bonita e o quanto ela estava sendo importante nesses últimos dias, mesmo sem ele perceber. Ele começava a sentir a falta dela, quando ele ia pra casa, e ficava contando as horas para ir à biblioteca novamente. Ele quase nem falava; só observava ela falando e admirando sua beleza.

Dias depois ele teve coragem de chamá-la pra sair e ela aceitou prontamente, parecendo que já estava esperando há muito tempo por isso.


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O amor pode te tocar em qualquer momento”. Trecho da música Jamais será tarde demais, da banda Rosa de Saron.