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Mostrando postagens de 2015

Viva la vita (Feliz ano novo)

Hoje em dia a vida está tão corrida e estamos sempre ocupados, mesmo quando não estamos fazendo nada. É uma preguiça sem fim, deixando tudo para depois. E se depois for tarde demais? O tempo passa. Nem sempre é possível mudar o que já passou; aliás, a regra é a de que não podemos mudar o passado. Somente algumas podem ser mudadas. Então não há tempo a perder. É como aquele ditado latino “ Carpe diem ”, algo como “aproveite o dia”. O futuro não é seguro, não é confiável; mudanças podem ocorrer e tornar tudo completamente insuportável. Só o presente pode ser vivenciado. Na verdade, só o que temos é o presente. Como dizem o presente é um presente e como todo presente deve ser aproveitado. Se algo deve ser mudado, mude. Se algo deve ser feito, faça. Se há alguma coisa a ser dita, diga. Não devemos esperar que as coisas simplesmente aconteçam, que “caiam do céu”. Temos que agir e tentar fazer o nosso melhor agora. “ Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo qu...

Admirador secreto

Carla estava em casa num sábado pela manhã quando ouviu a campainha tocar. Ao abri r a porta, um entregador lhe deu lindas flores. Não havia nenhum bilhete. Nada. Que estranho , ela pensou. Na segunda feira, ela recebeu uma cesta de chocolate em seu local de trabalho. Dessa vez, havia um bilhete, que dizia somente: “ Você vai ter que adivinhar ”. Ela nunca tinha recebido nenhum presente assim. Estava feliz, mas não tinha nenhuma ideia de quem era o seu misterioso presenteador. Na quarta, ela estava na academia quando recebeu um buquê de rosas vermelhas com um pequeno ursinho de pelúcia. O bilhete dessa vez dizia: Acho que vou ter que te dar alguma dica, não é mesmo? Para limitar as opções, devo dizer que estou no seu raio de conhecidos. A dica não ajudava tanto assim, mas t inha que ser alguém que soubesse seu endereço pessoal, profissional e sua academia. Juliana, sua amiga de trabalho, estava adorando esse pequeno jogo e já tinha escolhido o seu favorito: o novato ...

Sorte

A sorte começava a mudar para Augusto. A sua vida de azar parecia ter ficado para trás quando conheceu Alícia. Logo ele que havia desperdiçado várias oportunidades de mudar a sua vida para melhor. Quando a conheceu, sentiu algo extremamente especial em seu coração, como se soubesse que ela era a escolhida, a tão esperada mulher de sua vida. Eles trabalhavam no mesmo prédio e ele a viu quando seus caminhos se cruzaram. Quase todos os dias eles se cruzavam e tudo que ele falava era um “oi”, “bom dia”. Então, duas semanas depois da primeira vez que a viu, ele teve coragem suficiente para falar com ela e a convidar para um jantar. Ela ficou surpresa, sorridente, mas negou o convite, alegando que estava muito atarefada de trabalho. Ele não se abateu e, sempre que se cruzavam pelo caminho, ele a convidava para um simples bate bapo depois do expediente, mas ela se negava educadamente, fazendo jogo duro. Até que um belo dia ele a convidou novamente. - Puxa, você deve ser a pesso...

Em busca do sossego

A vida de Juliano começou a ficar agitada dois meses depois do término de um namoro de três anos. Desde então, passou a sair muito com os amigos e algumas mulheres. Passava o dia todo trabalhando muito e à noite, quase sempre, tentava se divertir, distrair-se, passar o tempo. Mas, depois de três meses, Juliano começou a sentir falta de ter alguém para dividir o seu tempo, as suas conquistas pessoais e as suas angústias. As garotas com quem saía nem sequer queriam um segundo encontro. Parece que elas estavam querendo só mais um cara nas suas listas. A conversa era muito superficial. Ele estava ficando sufocado, vivendo aquela vida agitada. Sentia-se sozinho e precisava de algo diferente. Num domingo, num desses feriados prolongados, a cidade estava quase vazia. À noite, ele foi ao shopping e, depois de andar um pouco, resolveu descansar num quiosque e ficou ouvindo a música que era tocada ao vivo. Havia poucas pessoas e, de repente, ele viu surgir meio distante uma mulher. Quanto...

Arrisque-se

Martinho só tinha 24 anos, mas ele dizia que sabia tudo, quando o assunto era mulher. Brincava com os corações delas, como se elas não tivessem sentimentos. Desfazia-se delas da mesma maneira que as conquistava: rapidamente e sem nenhuma emoção. Era um típico conquistador, que não aceita não como resposta. Foi aí que conheceu uma mulher na faculdade em que estudava. Aos poucos, ele começou a se aproximar dela, rodeando o grupo de amigos e chegando cada dia mais perto, até que ela se acostumasse com a presença dele. Quanto mais ele se aproximava, mais ele sentia que a queria. Uma semana depois, ele decidiu que já estava na hora de partir para o ataque. Quando o grupo de amigos se dispersou e ela ia saindo, passando ao seu lado, ele a chamou: - Oi, Raiane – ele disse e ela se virou para ele, que a olhou nos olhos. – Puxa, é meio estranho... Você estuda aqui há um bom tempo e só recentemente eu te vi e me senti na obrigação de te conhecer. - Você não me viu porque estava muito o...

Ingratidão

Maria era uma escritora famosa, tinha vários livros publicados e sua vida financeira estava mais do que perfeita. Entretanto, por mais que sua vida estivesse muito bem resolvida, ela acreditava que não estava tão bem assim, vivia reclamando de coisas banais e deixava de ver o quanto sua vida tinha mudado, desde que saiu da sua pequenina cidade natal, largando seu emprego de garçonete para se aventurar no mundo do jornalismo e da literatura. Ela via sua vizinha panicat e a invejava, desejando aquele corpo sarado, mas não fazia um exercício sequer. A sua outra vizinha mudava a fachada de casa e Maria logo resolvia que a fachada de sua belíssima casa estava antiquada e precisava de uma revitalização, apesar de parecer impecável aos olhos dos demais vizinhos. No trânsito, ela não só reclamava como agitava as mãos e, às vezes, esbravejava com outros motoristas. Quando fazia sol, ela murmurava do calor. Quando chovia, ela se queixava, por não querer se molhar justamente na hora que ia...

Acaso

Rogério ia para o trabalho, andando apressado. Estava atrasado e havia muitas pessoas nas ruas também apressadas e, aparentemente, estressadas ao extremo. Estava atravessando um semáforo, quando uma moça derrubou sem querer a maleta dele, que se abriu e papéis voaram pra todos os lados. Ela, meio sem graça, quis ajudar, pegando a maioria dos papéis antes que as pessoas pisassem neles, enquanto ele juntava os outros. - Me desculpe. Eu estava distraída e não consegui desviar – disse ela, desajeitada, exibindo um lindo sorriso. - Não se preocupe. Isso sempre acontece comigo – ele disse, também sorrindo, tentando ver o lado positivo daquela situação. Ela apertou a mãe dele e disse que se chamava Elisa, estava muito atrasada e tinha que ir. Ele quis dizer algo, mas ela saiu, sem olhar pra trás. Quando ele chegou ao trabalho, tentou se concentrar, mas só conseguia pensar naquele sorriso. Às dez horas da manhã, ele tinha uma reunião com a sua nova chefe. Chegando à sala da che...

Você teve a sua chance

Ronaldo e Mariana estavam namorando há seis meses e ele então a convidou para morarem juntos na casa dele. Tudo estava indo muito bem no começo e eles estavam se divertindo muito nessa fase. Era como se estivessem numa constante lua de mel. Mas, depois de três meses, os pequenos defeitos um do outro começaram a aparecer. Mariana já não achava Ronaldo tão romântico assim. Na verdade, muitas vezes ele a tratava de forma bruta e insensível. Ronaldo já não achava Mariana tão madura assim. De fato, ela tinha manias infantis e sua voz fina não agradava mais. Ele começou a chegar tarde em casa, geralmente depois de ter bebido algumas cervejas. E, certo dia, Mariana reclamou: - Você sabe que eu não sou ciumenta, mas você está exagerando. Assim não vai funcionar. - Não posso mais nem beber com meus amigos? - Claro que pode, mas todo dia não dá! Ele disse que ia melhorar, ia diminuir suas saídas com os amigos. E ele começou a chegar cedo em casa e, após tomar um banho rápi...

Armação do destino

Renato estava em casa, vendo um filme quando o telefone tocou. - Oi – disse ele, meio impaciente, afinal o filme estava numa parte boa e ele não gostava de interrupções. - Oi – disse a voz feminina do outro lado da linha. – Renato, é a Clara, lembra? - Lembro sim. Lembro de todos da escola. - Pois é. Tô te ligando porque uma pessoa pediu que eu ligasse... - Quem? – Renato estava curioso. - Lembra da Carol? - Lembro muito bem. O que tem ela? - Foi ela que pediu pra eu ligar pra você. A Carol pediu pra Clara me ligar? Que estranho, pensou ele. Mas ele estava gostando. Ela era simplesmente a garota dos sonhos dele quando estuda r am juntos . - Ela pediu que eu marcasse um encontro hoje à noite. - Você tá brincando, né? Isso só pode ser uma brincadeira – disse ele, meio desconfiado. - Não. Tô falando sério. Ela quer muito te ver. Disse que você poderia escolher o local e o horário. - Por que ela não me ligou então? Era uma pergunta válida. Ele ainda estava d...

Abordagem no banco

Lucas estava na fila do banco e logo percebeu que havia uma bela garota um pouco à sua frente. Sem perder tempo, ele foi até ela. - Oi. Prazer, Lucas – disse ele olhando bem fundo nos olhos dela, demonstrando calma e confiança. Ele estendeu a mão pra ela, mas ela não retribuiu o cumprimento. Olhou pra ele de um jeito constrangido, afinal havia várias pessoas ali. - Te vi aqui e pensei em te conhecer. Não quero te atrapalhar. Só quero te conhecer. Provavelmente não vou ter outra oportunidade. Tudo bem? Ela respondeu que estava bem, mas deu a entender que não queria mais conversa. Algumas pessoas olhavam para aquela conversa como se aquilo fosse algo fora do comum. Uma delas tinha um olhar intimidador e outra, um olhar zombador. - É. Eu sei que a gente não se conhece. Talvez seja meio estranho falar comigo, mas, na boa, vamos conversar como duas pessoas civilizadas. Que problema tem nisso? Ele ainda demonstrava confiança e ela começou a sentir que queria falar com ele. ...

Nós precisamos conversar

Um sorriso. Bastou um belo sorriso e a vida de Jorge mudou completamente. Ele, que não tinha sorte nos relacionamentos, parecia ter encontrado a sua amada. Ela se chamava Amanda e apareceu na sua vida de repente, de um jeito meio inusitado. Logo começaram a sair para almoçar, jantar e simplesmente conversar. A companhia dela era sempre muito boa para ele, que sempre queria estar ao lado dela. E então veio o primeiro beijo e as primeiras juras de amor. E Jorge tinha grandes planos para eles. Mas Amanda parecia não estar preparada para tantos planos. Queria simplesmente uma companhia, alguém que a divertisse e a levasse para bons lugares. O coração de Amanda parecia pertencer a outro homem e Jorge, mesmo com sua pouca experiência, já tinha percebido e começava a desconfiar que ela estiva saindo com outra pessoa. Então, Jorge mudou o seu comportamento e começou a tratá-la com um pouco mais de virilidade, e ela achou estranho, pois sempre gostava de como ele a tratava. Depois d...

Preconceito

Clara havia acabado de sair do banco, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela tanto sonhava. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos. Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim. - Trezentos e cinquenta reais – disse a vendedora, com um pouco de indiferença, talvez porque Clara não estava bem vestida, ou porque Clara era negra ou simplesmente porque aquele vestido era o mais caro da loja. - Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto. - Esse é o preço para pagamento à vista ou no cartão – disse a vendedora, já olhando para a madame que chegava toda arrumadinha, olhando as primeiras peças da loja. – Enquanto você escolhe, vou atender aquela mulher – disse, demonstrando um pouco de insatisfação por atender Clara, como se soubesse que ela não compraria nada. - Espere. Eu já escolhi. Eu quero esse vestido. Onde posso experimentar? A vendedora, meio surpresa,...

Voz distante

A sua voz estava distante, tão cortante e fria, tão vazia e chocante. Nenhum sentimento havia, a não ser o pior sentimento, tão nojento e repugnante, tão incessante e rabugento, mas o seu olhar é penetrante. E na sua expressão tanta crueldade, tanta falsidade e indecência, tanta truculência e perversidade. O seu estado beira à indigência. Decidi ir embora, assustado, com tanta inimizade e arrogância. E depois de meses me vi obrigado a manter uma certa distância. "Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar". Trecho da música "Mais uma vez" de Renato Russo.

Vamos fugir

Rafael estava em casa, vendo um seriado legal num serviço de streaming , mas um sentimento de tédio começou a se instalar em sua cabeça. Passados alguns minutos, ele decidiu pôr um fim naquela sensação e colocou em prática um plano maluco que há muito tempo ele tinha bolado. Pegou seu telefone e abriu um desses aplicativos de conversação pela internet. Foi passando os seus contatos um por um e chegou em Karol, uma garota que ele sabia que toparia qualquer aventura, desde que fosse com ele. Ele a chamou para conversar e inicialmente perguntou se ela estava bem e se estava livre naquele início de tarde. Ela, instantaneamente, respondeu que estava ótima e que estava completamente livre e queria sair. – Pois eu tenho uma boa notícia pra você! Estou querendo embarcar numa aventura incrível e resolvi te chamar pra ir comigo. Você topa? – ele disse, encaminhando a mensagem para ela. – Com certeza! Você passa aqui? – ela respondeu, entusiasmada. – Arrume suas malas porque va...

Desespero

A madrugada passava devagar. Vanessa não sabia o que fazer; não tinha nem conseguido dormir depois do que se passou na noite anterior. Ela só conseguia pensar em Ricardo. Como ela tinha chegado nesse ponto? Não conseguia se perdoar pelo que tinha feito consigo mesma e também com o seu namorado (na verdade, ex-namorado). Ele havia descoberto o segredo dela. Mas como ele tinha descoberto? Ela fazia tudo tão escondido, tão calculado. Como dizem, parece que a mentira tem mesmo perna curta. Já havia quase um ano que ela tinha um amante e ele nem sequer desconfiava. Tudo parecia tão perfeito. Pra ela, é claro. E ele também achava tudo muito bom, até ontem. Ela nem sabe, mas ele descobriu a traição de uma forma tão simples. Ela estava “dando muita bandeira” ultimamente e ele estava mais do que desconfiado. Bastou esperar um pouco perto da casa dela, depois que ele supostamente tinha saído de lá. Não passaram nem vinte minutos e um garoto chegou de carro. Desceu, tocou a campainha e ela...

Na praça

As coisas não estavam indo bem na vida de Plínio. Ele estava com dificuldades na faculdade e no seu trabalho, sem falar na sua vida amorosa, que praticamente deixou de existir há algum tempo. Ele estava dando um tempo; não queria mais se envolver com ninguém desde que foi rejeitado um ano atrás pela mulher que ele considerava o amor de sua vida. E, num desses dias comuns, que nada tem de especial, Plínio foi pra praça perto de sua casa, refletir e pegar um ar fresco. Ele só não sabia que mais uma pessoa tinha ido lá pelo mesmo motivo. Ela estava sentada no banco ao lado, tão pensativa, que o fez imaginar o que a afligia tanto. Mas ele não queria conversar; já tinha até perdido a prática. Mas não esperava que ela fosse se sentar ao lado dele e começar a falar. – Acho que você não se lembra de mim, mas nós somos quase vizinhos. Já te vi algumas vezes na rua e tinha vontade de falar com você, mas nunca dava certo – disse ela, sem rodeios. Ele, então, disse como se chamava...

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