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Mostrando postagens de 2024

Interação no banco (é preciso agir)

  Lucas estava na fila do banco e logo percebeu que havia uma bela garota um pouco à sua frente. Sem perder tempo, ele foi até ela. – Oi. Prazer, Lucas – disse ele olhando bem fundo nos olhos dela, demonstrando calma e confiança. Ele estendeu a mão pra ela, mas ela não retribuiu o cumprimento. Olhou pra ele de um jeito constrangido, afinal havia várias pessoas ali. – Te vi aqui e pensei em te conhecer. Não quero te atrapalhar. Só quero te conhecer. Provavelmente não vou ter outra oportunidade. Tudo bem? Ela respondeu que estava bem, mas deu a entender que não queria mais conversa. Algumas pessoas olhavam para aquela conversa como se aquilo fosse algo fora do comum. Uma delas tinha um olhar intimidador e outra, um olhar zombador. – É. Eu sei que a gente não se conhece. Talvez seja meio estranho falar comigo, mas, na boa, vamos conversar como duas pessoas civilizadas. Que problema tem nisso? Ele ainda demonstrava confiança e ela começou a sentir que queria falar com ele. – ...

Namoro proibido

  Adriana e Tadeu estavam namorando há pouco tempo, estudavam na mesma faculdade, mas viviam em mundos completamente diferentes. Ela era da alta sociedade e ele era apenas um estudante, sem grandes expectativas financeiras, vindo de uma família humilde. Mas nada disso importava para Adriana, que viu nele o homem que ela queria ao seu lado, um sujeito simples, romântico, determinado e confiante. Passados dois meses, ela finalmente decidiu apresentá-lo à família, num almoço comemorativo. Os pais dela tiveram uma primeira impressão positiva de Tadeu, mas, à medida que foram descobrindo que ele vinha de uma família pobre e sua melhor perspectiva era se tornar professor e pesquisador universitário, essa impressão deu lugar a uma clara antipatia e oposição ao namoro, na forma de indiretas e indelicadezas sutis. Por meio de comentários preconceituosos, o pai dela começou a discursar que o cargo de professor universitário era algo medíocre, apesar de ultimamente ter alcançado algum rec...

Cara de pau (garanhão sincero)

  Johnny era chamado de cara de pau, mas ele não concordava com essa expressão. Preferia que fosse conhecido como sincero, afinal ele achava que falava a verdade, apesar de não ser politicamente correto. Como ele mesmo definia, certas verdades doíam e por isso muitas pessoas tinham a impressão de que ele era um bad boy. Johnny tinha uma ex-namorada que era muito bonita e simpática, mas ele não a amava. Eles se encontravam de tempos em tempos e Mariane não resistia à tentação de poder estar com ele e ela mesmo marcava alguma coisa, sempre esperando que ele voltasse a sentir algo por ela. E nos momentos de intimidade ela pedia: diz que me ama . Mas ele não dizia, apenas fazia alguns carinhos de forma delicada para compensar. Depois de ele ir embora, ela se sentia triste, depressiva, sozinha, nervosa e angustiada. Certa vez, ela disse como se sentia e que ele era o culpado. – As emoções que você sente ou quer sentir só podem ser atribuídas a você mesma – ele disse calmamente....

Oi, sumida? (de novo não)

  No começo da noite, Daniel disse: oi, sumida. Dias atrás, Valentina teria achado o máximo, ficaria muito animada e responderia o mais rápido possível, já imaginando que eles se encontrariam naquela noite. Eles já estavam se envolvendo há um ano. Logo no início, ele disse que não queria nada sério, nada de compromisso, namoro nem nada parecido. E ela aceitou numa boa e até gostou desse tipo de envolvimento. Afinal de contas, ela não teria que dar satisfação do que estava fazendo, pra onde iria, com quem estava. E ainda teria alguém pra ficar quando quisesse. Parecia perfeito. Mas, depois de dois meses, ele começou a aparecer num dia e sumir durante quinze dias ou mais, e o que parecia perfeito começou a não ser mais suficiente. Ela queria mais, mas continuou se envolvendo com ele, mesmo expondo seus sentimentos (não correspondidos por ele, que fingia que nada tinha escutado) e sabendo que aquilo não estava lhe fazendo bem. Naquela noite, porém, ela disse que foi ele que su...

Você quer jogar? (jogo do amor)

  Jair conheceu Nadine numa balada sertaneja. Já estava quase no final da festa quando ele a avistou e foi até ela para conversar. Eles estavam alegres, como é de se esperar numa balada desse tipo. Já tinham bebido alguns drinks , mas ela disse que já estava de saída porque suas amigas estavam indo embora. Ele, então, pediu o número do celular dela e ela o passou numa boa e se despediu. No outro dia, Jair a chamou para conversar por meio de um aplicativo de celular e eles conversaram bastante. A conversa estava fluindo muito bem. Mas, quando ele a chamou para sair, ela disse que eles precisavam conversar mais, pois ela não o conhecia muito bem. Faz sentido , ele pensou. E então eles conversaram por mais uma semana, todos os dias, e o papo geralmente era bem agradável, mas algumas vezes ela demorava muito para responder e outras vezes não respondia. Ele ligou o sinal de alerta, mas continuou conversando com ela e, depois de muita insistência dele, finalmente eles marcaram ...

Você decidiu ficar

  Quando eu pensei que você ia partir, você decidiu ficar. Parecia que tudo estava desmoronando. Nada dava certo e minha esperança estava quase acabando. Eu pensei que você ia me deixar, afinal de contas eu parecia um fracassado naquele momento e ninguém gosta de lidar com os problemas dos outros. Mas ainda bem que eu estava enganado. No meu pior momento, você permaneceu e me apresentou um amor que só se via na ficção. E aquele também foi o meu melhor momento porque naquele instante eu tive a certeza de que você era a mulher da minha vida. As coisas ainda estavam ruins, mas acabaram se ajeitando aos poucos, pois você me ajudou a superar tant o s obstáculo s, trouxe-me uma força extraordinária, que eu nem imaginei que tinha, e tudo foi se encaixando, oportunidades apareceram e nossa vida deslanchou. Mas nunca me esqueço que no fundo do poço você ficou ao meu lado e me mostrou o amor que eu só via nos melhores livros e filmes de romance. A vida é feita de escolhas, ...

Primeira vez (de novo)

  João Pedro estava voltando pra casa depois de um dia exaustivo de trabalho. Estava chovendo e o carro à frente deu uma freada brusca. De repente, ele perdeu o controle de seu carro, que capotou três vezes e colidiu com outro veículo. Quando acorda, dois dias depois, ele fica confuso e percebe que está num hospital. A enfermeira chama o médico, que faz algumas perguntas básicas para João Pedro, mas ele não sabe respondê-las. Bianca – esposa de João – entra no quarto e pergunta como ele está, mas ele diz apenas: – Quem é você? Ela sai do quarto correndo e chorando. Um milhão de pensamentos passam pela sua mente. Depois de alguns minutos, ela procura o médico, que diz que essa perda de memória pode ser temporária e dentro de alguns dias tudo pode voltar ao normal. Três dias depois, João Pedro recebe alta e volta para a casa dos pais. Os danos físicos estavam praticamente curados, mas a memória ainda não havia voltado. Pelo menos os oito anos anteriores ao acidente estavam...

Humor, infertilidade e gravidez inesperada

  Paulo estava retornando ao consultório médico para saber o resultado dos seus exames de fertilidade. Ele estava todo alegre e já chegou dando uma boa notícia ao médico. – Doutor, não preciso nem saber dos resultados. Minha mulher está grávida de dois meses! Osvaldo, o médico, colocou a mão na cabeça e pareceu um pouco surpreso. – Eu preciso te contar uma coisa – disse o médico, nitidamente desconfortável. – A gente fez o exame duas vezes, com duas contraprovas, de coletas diferentes, e o resultado é que você é estéril… – Não pode ser, doutor. Isso deve tá errado. – A gente pode refazer o exame, se você quiser, mas esses exames raramente falham. – Então, como minha mulher pode estar grávida? O doutor ficou ainda mais desconcertado, mas precisava manter o profissionalismo. – Existem algumas possibilidades, mas deixa eu te contar uma história. O médico fez uma pequena pausa. – Um homem saiu pra caçar e já ia atirar numa capivara, quando ele escutou um tiro e o an...

Fingindo que não vai dar merda

  Algumas vezes, a gente sabe que vai dar merda, mas continua fingindo que está tudo bem. Isabela conheceu Evando há pouco tempo, mas já sabia que ele não era o genro que sua mãe sonhava. Mesmo assim, ela se envolveu com ele e teve algumas decepções. " Ele não vale nada ", " ele nunca vai mudar ", " eu não devia me entregar a ele ", " eu não devia ter dado essa chance pra ele ". Tudo isso passava pela cabeça dela, mas a sua ansiedade, carência, baixa autoestima e falta de amor-próprio estavam atrapalhando. Ela estava arrependida e frustrada, pois não seguiu seus próprios conselhos e acabou se decepcionando mais uma vez. Mas quem nunca deixou de seguir seus próprios conselhos? A essa altura do campeonato, ela já deveria ter percebido que pode ser muito mais do que uma saída esporádica quando ele aparece dizendo “ oi, sumida ”. Mas, algumas vezes, a gente sabe que vai dar merda e continua fingindo que está tudo bem. ************...

Mal-humorada

  Rita era universitária, fazia o curso de Direito, tinha casado há poucos meses e tinha uma vida que aparentava ser feliz, especialmente nas redes sociais. Lá sua vida era uma maravilha, cheia de viagens para lugares magníficos e saídas noturnas para restaurantes e boates chiques. Entretanto, por mais que sua vida estivesse aparentemente muito bem resolvida, ela vivia resmungando de coisas banais, estava quase sempre mal-humorada. Na sala de aula, ela não cumprimentava a maioria das pessoas e algumas vezes até virava a cara. Reclamava das aulas e dos professores, alegando que estes não sabiam passar o conteúdo. Devia ser esse o motivo de suas notas baixas. Recentemente, ela começou a realizar uma obra na fachada da casa, mas depois de uma semana decidiu refazer tudo novamente porque não tinha gostado do visual que ela mesma tinha pretendido com a mudança. O responsável pela obra já conhecia a fama de Rita, pois seus colegas já o tinham avisado que ela gostava de desfazer p...

Vício nas redes (anti) sociais (disfunção da realidade)

  Ariane era uma garota antenada. Tinha computador, notebook, iPad, iPhone, iPod e outros acessórios eletrônicos. Vivia conectada na internet. Estava sempre no Tiktok , Instagram , Whatsapp, Facebook, Twitter, entre outras redes sociais. Mesmo na escola em que estudava o último ano do ensino fundamental , ela não largava do seu iPhone. E na internet ela tinha muitos amigos. Muitos mesmo. Conversava com eles o dia quase todo, até mesmo de madrugada. Rolavam altos papos, todo tipo de assunto, sem nenhum embaraço. E alguns desses seus “amigos virtuais” estudavam na mesma escola, mas só conversavam pela internet. Conversa cara a cara era raridade. E bota raridade nisso. Alguns dias atrás, Ariane se viu numa situação inesperada: teve que apresentar um trabalho escolar. Como ela ia falar, se ela só teclava? Ela ficou muito nervosa e acabou chorando no dia da apresentação. Alguns colegas sorriram muito da situação. No mesmo dia, ela postou uma frase em um de seus perfis na ...

Ciúme doentio

  Alessandra era jovem, cursava o sétimo período do curso de Direito e se envolveu amorosamente com um professor durante três meses. Viu que ele era ciumento demais e terminou o relacionamento. Lógico que ele não aceitou de forma pacífica o fim e ligava diversas vezes, tentando reatar o namoro. Às vezes a seguia e chegou a ameaçá-la de morte. Ele era professor de Direito e, como alguém formado na área, deveria saber que ameaça é crime, mas com o passar do tempo as ameaças foram aumentando e ela se viu num beco sem saída. Denunciou a situação ao diretor do curso, que não deu muito crédito à história e preferiu não fazer nada. A família dela estava preocupada e tentou comunicar o caso à polícia, mas o professor cumpriu a ameaça muito rapidamente e, numa manhã chuvosa, quando Alessandra saía de sua casa, em seu carro, ele chegou e adentrou o veículo. Ela ficou assustada e ele disse que não conseguia mais viver sem ela. Ele parecia muito instável e desesperado. Ela tentou ...

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