sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Na biblioteca

 

Era um dia chuvoso, como poucos naquela época quente. Marcelo queria descansar, dormir e não pensar em mais nada. Mas ele precisava estudar. Então, foi à biblioteca da faculdade. Lá ele poderia se concentrar mais, já que em sua casa quase sempre tem muita gente e muito barulho.

Quando ele chegou, não havia quase ninguém, mas, com o passar do tempo, a sala da biblioteca foi ficando cheia, quase sem lugares vazios. E foi então que uma garota desengonçada chegou e se sentou ao seu lado.

Oi – disse ela e derrubou um livro.

Oi.

Me desculpe, meu nome é Renata.

O meu é Marcelo. Nunca te vi por aqui antes…

É a minha primeira vez mesmo. Sou novata aqui. Entrei agora na faculdade e os professores já passaram um monte de trabalhos.

Ela estava visivelmente sem graça e por isso começou a falar sem parar. Marcelo sorriu. Ia voltar a estudar, mas Renata resolveu fazer uma pergunta.

Você chegou aqui cedo, né? Parece que já leu quase tudo.

Cheguei aqui há duas horas e ainda preciso ler muito mais, infelizmente.

Mas você pode me dizer quantos anos tem, né?

Marcelo era meio tímido e já estava ficando impaciente com tantas perguntas.

Eu tenho 22 e preciso estudar para fazer a minha monografia.

Ele já estava virando de lado para estudar, quando ela disse que tinha 17 anos e morava perto da faculdade. Não tinha namorado faz tempo e que nem pensava em namorar enquanto estivesse na faculdade. Depois perguntou sobre ele, sem perceber que ele não estava gostando nada daquela conversa.

Não moro muito perto da faculdade. Não tenho namorada e também não pretendo namorar enquanto estiver na faculdade – ele disse a primeira coisa que veio a sua cabeça.

Puxa, então somos muito parecidos. Que coincidência.

E ela ficou ali, perguntando coisas sobre ele e falando sobre ela mesma e sobre outras coisas. Nem percebia que ali era uma biblioteca, que não é um lugar pra ficar conversando, e que ele estava quase a ponto de explodir de tanta impaciência.

Nos outros dias que se viam na biblioteca, ela sempre se sentava ao lado dele e começava a falar sem parar. E Marcelo guardava a sua impaciência para si mesmo e tentava ser o mais gentil possível. Até que certo dia ele olhou nos olhos dela e percebeu o quanto ela era bonita e o quanto ela estava sendo importante nesses últimos dias, mesmo sem ele perceber. Ele começava a sentir a falta dela, quando ele ia pra casa, e ficava contando as horas para ir à biblioteca novamente. Ele quase nem falava; só observava ela falando e admirando sua beleza.

Dias depois ele teve coragem de chamá-la pra sair e ela aceitou prontamente, parecendo que já estava esperando há muito tempo por isso.


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O amor pode te tocar em qualquer momento”. Trecho da música Jamais será tarde demais, da banda Rosa de Saron.




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