Era um dia chuvoso, como poucos naquela época quente. Marcelo queria descansar, dormir e não pensar em mais nada. Mas ele precisava estudar. Então, foi à biblioteca da faculdade. Lá ele poderia se concentrar mais, já que em sua casa quase sempre tem muita gente e muito barulho.
Quando ele chegou, não havia quase ninguém, mas, com o passar do tempo, a sala da biblioteca foi ficando cheia, quase sem lugares vazios. E foi então que uma garota desengonçada chegou e se sentou ao seu lado.
– Oi – disse ela e derrubou um livro.
– Oi.
– Me desculpe, meu nome é Renata.
– O meu é Marcelo. Nunca te vi por aqui antes…
– É a minha primeira vez mesmo. Sou novata aqui. Entrei agora na faculdade e os professores já passaram um monte de trabalhos.
Ela estava visivelmente sem graça e por isso começou a falar sem parar. Marcelo sorriu. Ia voltar a estudar, mas Renata resolveu fazer uma pergunta.
– Você chegou aqui cedo, né? Parece que já leu quase tudo.
– Cheguei aqui há duas horas e ainda preciso ler muito mais, infelizmente.
– Mas você pode me dizer quantos anos tem, né?
Marcelo era meio tímido e já estava ficando impaciente com tantas perguntas.
– Eu tenho 22 e preciso estudar para fazer a minha monografia.
Ele já estava virando de lado para estudar, quando ela disse que tinha 17 anos e morava perto da faculdade. Não tinha namorado faz tempo e que nem pensava em namorar enquanto estivesse na faculdade. Depois perguntou sobre ele, sem perceber que ele não estava gostando nada daquela conversa.
– Não moro muito perto da faculdade. Não tenho namorada e também não pretendo namorar enquanto estiver na faculdade – ele disse a primeira coisa que veio a sua cabeça.
– Puxa, então somos muito parecidos. Que coincidência.
E ela ficou ali, perguntando coisas sobre ele e falando sobre ela mesma e sobre outras coisas. Nem percebia que ali era uma biblioteca, que não é um lugar pra ficar conversando, e que ele estava quase a ponto de explodir de tanta impaciência.
Nos outros dias que se viam na biblioteca, ela sempre se sentava ao lado dele e começava a falar sem parar. E Marcelo guardava a sua impaciência para si mesmo e tentava ser o mais gentil possível. Até que certo dia ele olhou nos olhos dela e percebeu o quanto ela era bonita e o quanto ela estava sendo importante nesses últimos dias, mesmo sem ele perceber. Ele começava a sentir a falta dela, quando ele ia pra casa, e ficava contando as horas para ir à biblioteca novamente. Ele quase nem falava; só observava ela falando e admirando sua beleza.
Dias depois ele teve coragem de chamá-la pra sair e ela aceitou prontamente, parecendo que já estava esperando há muito tempo por isso.
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“O amor pode te tocar em qualquer momento”. Trecho da música Jamais será tarde demais, da banda Rosa de Saron.

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