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Encontro imprevisto

 

Roberto nunca tinha prestado muita atenção em Juliana, que trabalhava na mesma redação de jornalismo como estagiária. Para ele, ela era mais uma de muitas colegas que passavam a maior parte do tempo revisando textos e checando informações.

Mas tudo mudou em uma tarde chuvosa, quando o ar-condicionado do local deu um defeito e eles dois foram escolhidos para trabalhar na sala de arquivo.

O espaço era pequeno, mal iluminado e cheirava a papel antigo, mas a proximidade começou a deixá-lo inquieto e foi ali que ele então a enxergou de verdade pela primeira vez.

Ela usava uma blusa larga, tinha os cabelos presos em um coque bagunçado e estando tentando alcançar uma pasta na prateleira mais alta.

Roberto se aproximou para ajudar, pegou a caixa pesada e, quando foi entregá-la, os olhares deles se cruzaram.

Naquele instante, ele percebeu o quanto os olhos dela eram expressivos e o sorriso, embora tímido, carregava um brilho que não podia ser ignorado.

– Obrigada, Roberto. Essa caixa é muito pesada – ela disse, ajeitando os óculos com um gesto rápido.

– Imagina. Eu não costumo reparar muito, mas acho que trabalho no lugar errado, porque nunca tinha percebido a sua presença aqui.

Ela corou levemente, desviou o olhar para os próprios sapatos e deu um leve riso de canto de boca.

Nos dias seguintes, Roberto passou a inventar desculpas para passar pela mesa de Juliana. Pedia ajuda para finalizar matérias, trazia um café no meio da tarde e puxava conversas que duravam muito mais do que o necessário.

Ele percebeu que a sua impaciência habitual com o trabalho havia sumido, dando lugar a uma vontade enorme de apenas observá-la falar e sorrir.

Uma semana depois, no final de uma sexta-feira, quando o escritório estava quase vazio, ele tomou coragem e a chamou para ir numa cafeteria ali perto.

Ela aceitou prontamente, com um sorriso que demonstrava que talvez estivesse esperando por aquilo há muito tempo.

Eles caminharam pela calçada e, ao chegarem, sentaram-se lado a lado junto de uma mesa próxima à janela, onde a conversa fluiu leve e sem esforço.

Em um momento de silêncio, ele segurou a mão dela sobre a mesa, olhou fundo nos seus olhos e disse que ela havia mudado completamente a sua rotina sem graça na redação.

Ela sorriu, passou a mão no cabelo e foi se aproximando sem se dar conta. Estavam quase tocando os rostos, um corpo chamando o outro, com um magnetismo visível por quem estava próximo, o coração batendo acelerado e o beijo acabou acontecendo de forma natural. Um sorriso de alegria e alívio estampava o rosto deles logo após aquela cena que ficaria em suas memórias como o início de tudo.


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“Na primeira vez que te olhei o meu coração disparou e tão de repente eu notei que alguma coisa mudou. Deu uma vontade de me declarar.” Trecho da música Amor à primeira vista de Jorge Aragão.



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