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Fantasia de controle

 

Olívia foi traída novamente e estava muito triste com mais uma decepção amorosa. Então, procurou sua amiga Andreia para desabafar.

– Por que só me envolvo com as pessoas erradas?

– Você quer mesmo a verdade? – Andreia deu uma chance para que Olívia recuasse.

– Diz aí.

– Então tá… Você tem uma fantasia por embustes, acha que vai “domesticar” o cara, que ele vai mudar por você, vai deixar de ser galinha, mas a chance de isso acontecer é quase zero.

No fundo, Olívia já sabia o motivo, mas precisava que alguém que lhe dissesse a verdade. Ela sabia que gostava de se envolver com as pessoas erradas e estava começando a achar que era um defeito de fábrica, que tinha o dedo pobre.

Seus ex eram todos do tipo “safado, cachorro, sem vergonha”, canalhas, cafajestes, embustes e por aí vai. Até seus ficantes e contatinhos não eram do tipo que ela teria orgulho de apresentar para a família porque não queriam nada da vida.

Olívia tinha essa fantasia de querer controlar um homem mulherengo, colocar uma coleira nele e, como num passe de mágica, ele deixaria de ser pegador e só teria olhos para ela.

O problema é que a chance disso acontecer era menor do que ganhar na loteria, ou seja, perto de uma chance em dez milhões. Até pode acontecer, afinal alguém sempre ganha na loteria, mas a probabilidade de quebrar a cara é quase certa.

A situação não estava muito boa, mas ela seguia tentando. Uma hora vai dar certo. Quando ela perceber que merece muito mais, nenhum desses caras vai ter a menor chance.


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“Pra que se enganar? Ele não vai mudar. […] Quem perdeu foi ele. A culpa não é sua. […] Esquece esse cara, meu bem”. Trechos da música Ele Não Vai Mudar, da dupla João Neto e Frederico.




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