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Iniciativa

Só poderia mesmo ser uma ilusão, fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila havia lhe contado algo incrível. Não é possível , ele pensava. Nos últimos dez meses, ele sempre pensou que não tinha a menor chance com Marcela, apesar de ter uma esperança no seu peito. Agora o que ele mais queria estava bem perto de se tornar real, estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar, pois ele havia criado uma ideia totalmente diversa na sua mente e por isso não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele logo em seguida. Marcela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que sua amiga sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. - Isso é patético, cara. Seja homem – ela acrescentou, sorrindo. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira d...

Plante seu jardim

Dizem que só se colhe o que se planta, mas todos já colheram rosas e espinhos. Muitas vezes nem se sabe se algo é espinho porque alguns deles chegam disfarçados de lindas rosas. E quem nunca teve uma decepção? Também dizem que decepção não mata, mas ensina a viver. E mesmo os mais maduros, experientes e espertos (pra não dizer malandros) já passaram por situações decepcionantes. Parece que é da natureza humana enganar e ser enganado. Mas eu prefiro acreditar que não, que as coisas podem ser diferentes, se houver vontade de ser diferente do que normalmente se vê por aí. Chega um momento na vida em que percebemos o quanto é importante a confiança num relacionamento. Sem confiança, a relação se desgasta e fica em idas e vindas intermináveis. E isso vale não só para relacionamentos amorosos. Com certeza confiança não é algo que se adquire de uma hora para a outra; é fruto de um mínimo de convivência. E não se engane: ninguém é completamente confiável. A vida e a Bíblia nos dão exe...

Ela disse não

Ela disse não. Eles estavam numa confraternização com a família e amigos e, depois de dois anos e meio de namoro, Joaquim teve coragem de pedir Ester em casamento. Ele organizou tudo muito bem, as pessoas estavam se divertindo, comendo e gostando da festa que comemorava seu aniversário. No momento mais animado da festa, ele pediu a seu amigo que colocasse a música romântica que eles tinham combinado para tocar. Era a música especial do casal. Todos se viraram para ele, que estava na posição de fazer um discurso. - Bem, chega um momento em que devemos dar um passo rumo à felicidade – ele disse olhando para ela, que estava sentada um pouco à frente dele, e foi se aproximando dela. – E você é a mulher com quem quero passar o resto dos meus dias – ele chegou bem perto dela e se ajoelhou, estendendo a mão direita, mostrando uma linda aliança de ouro. – Casa comigo. Ester não sabia o que fazer, mas definitivamente não queria se casar com Joaquim. Todos aguardavam a sua resposta...

Matéria bombástica

 Alguns dias atrás, Renato chegou em casa cedo e não tinha nada pra fazer. Decidiu ver televisão e, no meio de tantos programas sem graça, achou um que considerou interessante. Era um desses programas que registram acontecimentos na área policial. Ele ficou impressionado com a história da mãe que abandonou seu filho recém-nascido no depósito de lixo de uma empresa. Por sorte, um funcionário da empresa achou o bebê ainda vivo depois de dois dias naquela situação. O bebê foi levado ao hospital e sobreviveu. E a mãe? O noticiário informou que ninguém sabia seu paradeiro. Ela foi reconhecida por imagens registradas por câmeras da empresa, mas ainda não havia sido localizada pelos policiais. Logo após, o jornalista, de modo chamativo e extravagante, informou que havia uma matéria bombástica que seria exibida em seguida, após os comercias, é claro. Renato aguardou ansiosamente os comerciais porque queria ver que matéria seria mais chamativa do que aquela do filhinho recém-nasc...

Idas e vindas

Os dias passavam tão devagar. O tempo parece que havia parado depois que ela se foi. Gilberto mantinha-se ocupado a maior parte do tempo, trabalhando, estudando, jogando futebol e trabalhando mais ainda, até mesmo em casa. Ele tinha que manter a sua mente longe de qualquer pensamento, pois tudo que vinha à sua cabeça, cedo ou tarde, acabava indo na direção dela. Já havia se passado quatro longos meses desde que ela partiu em direção ao que sempre quis: viajar pelo mundo, conhecer a cultura de outros povos, sem preocupação, sem vínculos, sem peso na consciência. Ela queria ser livre e tinha deixado isso bem claro a Gilberto. Um dia ela partiria e não voltaria mais. Ele já sabia, mas acreditava que ela acabaria desistindo do seu sonho por causa dele. Triste ilusão. Quem sabe o que ele mais gostou nela foi essa expectativa, essa esperança, de poder fazer com que ela mudasse de idéia. Ou até mesmo esse medo que ele tinha de que ela fosse embora de repente. De qualquer forma, agora e...

Um dia quase perfeito

João acordou pensando que tudo ia dar certo. Parecia o dia perfeito e tudo se encaminhava muito bem. O dia começou lindo, um sol brilhante lá fora iluminava os primeiros segundos do dia. Um café delicioso estava servido na mesa da cozinha e ele não estava atrasado para chegar ao trabalho. No trabalho as coisas foram fluindo naturalmente e ele conseguiu realizar todas as suas atividades previstas e mais algumas que estavam pendentes. Até a sua secretária, que não é bem-humorada normalmente, estava de muito bom humor. Seu chefe foi até a sala de João para elogiá-lo pessoalmente. Ele tinha mandado flores para sua esposa mais cedo e ela tinha adorado. Puxa, que dia incrível! Mas, na volta pra casa, aconteceu o imprevisto. Dois pneus do seu lindo carro furaram e, depois de algum tempo tentando resolver a situação com telefonemas, descobriu que a ajuda só chegaria em uma hora. Ele decidiu deixar o carro ali e pegou um táxi, afinal sua mulher o esperava em casa para comemorar o p...

Ideia perdida

 Às vezes, quero tanto escrever e não vem nenhuma ideia. Fico procurando algo para escrever e nada aparece no pensamento. Parece que as ideias fugiram para algum lugar desconhecido. Mas, num piscar de olhos, elas aparecem. Outras vezes, tenho uma ideia, que logo se perde por algum lugar dentro das infinidades de ideias que se passam na minha mente. Basta uma pequena distração, e todo o projeto que eu tinha no pensamento vai embora, sem deixar vestígios. Simplesmente evapora. Essa ideia, que seria trabalhada, perde-se no meio de tantas outras e vira uma agulha no palheiro. É como se um arquivo tivesse sido deletado de um pendrive. Pode até ser recuperado, mas vai dar algum trabalho. São tantos pensamentos, tantas ideias, tantos argumentos, que muitas vezes eles se embaralham uns com os outros e deixam tudo confuso. E já não sei qual foi o pensamento inicial. Nesse momento me pergunto se tenho problema de memória... Ainda agora mesmo, eu tinha algo a dizer, mas as pala...

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