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Ciúme doentio

  Alessandra era jovem, cursava o sétimo período do curso de Direito e se envolveu amorosamente com um professor durante três meses. Viu que ele era ciumento demais e terminou o relacionamento. Lógico que ele não aceitou de forma pacífica o fim e ligava diversas vezes, tentando reatar o namoro. Às vezes a seguia e chegou a ameaçá-la de morte. Ele era professor de Direito e, como alguém formado na área, deveria saber que ameaça é crime, mas com o passar do tempo as ameaças foram aumentando e ela se viu num beco sem saída. Denunciou a situação ao diretor do curso, que não deu muito crédito à história e preferiu não fazer nada. A família dela estava preocupada e tentou comunicar o caso à polícia, mas o professor cumpriu a ameaça muito rapidamente e, numa manhã chuvosa, quando Alessandra saía de sua casa, em seu carro, ele chegou e adentrou o veículo. Ela ficou assustada e ele disse que não conseguia mais viver sem ela. Ele parecia muito instável e desesperado. Ela tentou ...

Vamos fazer planos?

  Nesses últimos dias do mês de dezembro vivemos um tempo de muitas confraternizações, na escola/faculdade, no trabalho, com os amigos e com a família. É um momento em que relembramos o ano, tentamos estreitar os laços e desejamos que o próximo ano seja melhor. E, quando chega o fim do ano, muita gente faz promessas, planos, metas e objetivos. Talvez seja um bom momento pra fazer isso, mas é preciso que não seja apenas um ritual, algo que é feito simplesmente porque é o fim do ano. Muitas pessoas prometem emagrecer, fazer exercícios, estudar para concurso, fazer uma faculdade, visitar um parente de outra cidade, mas depois de uma semana já esqueceram e nem se importam mais. Tantos planos feitos apenas pra serem esquecidos logo depois. Hoje em dia a vida está tão corrida e estamos sempre ocupados, mesmo quando não estamos fazendo nada. É uma procrastinação sem fim, deixando tudo para depois. E se depois for tarde demais? Será que terei tempo de realizar aquele sonho? Fazer...

Admirador secreto

  Carla estava em casa num sábado pela manhã quando ouviu a campainha tocar. Ao abrir a porta, um entregador lhe deu lindas flores. Não havia nenhum bilhete. Nada. Que estranho , ela pensou. Na segunda feira, ela recebeu uma cesta de chocolate em seu local de trabalho. Dessa vez, havia um bilhete, que dizia somente: “ Você vai ter que adivinhar ”. Ela nunca tinha recebido nenhum presente assim. Estava feliz, mas não tinha nenhuma ideia de quem era o seu misterioso presenteador. Na quarta, ela estava na academia quando recebeu um buquê de rosas vermelhas com um pequeno ursinho de pelúcia. O bilhete dessa vez dizia: Acho que vou ter que te dar alguma dica, não é mesmo? Para limitar as opções, devo dizer que estou no seu raio de conhecidos. A dica não ajudava tanto assim, mas tinha que ser alguém que soubesse seu endereço pessoal, profissional e sua academia. Juliana, sua amiga de trabalho, estava adorando esse pequeno jogo e já tinha escolhido o seu favorito: o novato no...

Noite de medo

  Era uma noite chuvosa. Raios e fortes trovoadas irrompiam pela noite escura. De repente, faltou energia e Isaac, que estava só em casa e tinha apenas 17 anos, começou a ficar com medo, imaginando que logo apareceria um fantasma ou algum desses monstros dos filmes que ele adorava assistir. Ele, então, procurou seu celular, mas não o encontrou e se lembrou que tinha esquecido seu aparelho no quarto. Tentou encontrar uma vela para clarear o ambiente.   Com muita dificuldade e medo, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro e a acendeu, ficando um pouco mais tranquilo. Foi aí que escutou um barulho estranho vindo da parte de trás da casa e se lembrou que poderia ser seu gato, mas o barulho continuou e não era seu gato, pois ele viu que o bichinho estava ao seu lado. Isaac ficou com mais medo e, então, ouviu um barulho ainda mais estranho vindo da porta da frente. Era um ruído suave, mas assustador, como o som de um giz sobre o quadro. Seu coração acelerou os batimentos e...

Não se envolva?

  Faz algum tempo que a moda é não se envolver, não se apegar, não criar expectativas e curtir o momento. Pratique o desapego , é o que dizem por aí. Se essa moda for apenas uma fase da sua vida, tudo bem. Exist em algumas vantagens nessa prática, desde que não machuque os sentimentos de outra pessoa. Mas, se este é o lema da sua vida e não apenas uma etapa, não me parece o melhor porque parece algo incompleto, inacabado, como um sentimento que só vai até certo ponto e não avança para algo mais íntimo e pessoal. Fica apenas no básico, no casual, parece algo automático, como comer e beber. É algo que você precisa fazer, como uma obrigação, uma tarefa, uma necessidade fisiológica. Dá até prazer, porém não passa disso. Isso me lembro o filme O doador de memórias . Lá as pessoas tomavam injeções diárias e ficavam livres das emoções e dos sentimentos. Tudo parecia perfeito, mas faltava algo muito importante e que faz parte da nossa humanidade. Talvez seja exagerado, afinal de co...

Era pra ser pra sempre? (seguindo em frente)

  Eu deveria saber que não duraria para sempre. Afinal de contas nada dura pra sempre mesmo. E eu achava que estava prevenido, que nunca mais passaria por esse tipo de sofrimento. Achava que era forte, que estava no controle, que não me apegaria a ninguém, que meu coração era indestrutível, que estava a salvo de frustrações. Agora parece claro o quanto me enganei. Acho que nunca estamos realmente preparados para esse tipo de situação. Eu entrei no seu jogo, sabendo dos riscos e confiando nos meus talentos. E tudo estava indo tão bem no começo. Formamos um belo casal, tivemos bons momentos e posso dizer que nos divertimos muito. Tínhamos uma conexão fora do comum. Algumas pessoas nos olhavam e nos invejavam porque diziam que éramos como um casal de cinema. Mas depois de quase um ano você disse que tudo estava acabado. Talvez não tenha durado tempo suficiente, pois pra mim estava perfeito. Eu deveria ter percebido que as coisas estavam desmoronando, mas meus olhos provavelmen...

Arrisque-se

  Martinho só tinha 24 anos, mas ele dizia que sabia tudo, quando o assunto era mulher. Brincava com os corações delas, como se elas não tivessem sentimentos. Desfazia-se delas da mesma maneira que as conquistava: rapidamente e sem nenhuma emoção. Era um típico conquistador, que não aceita não como resposta. E então ele conheceu uma mulher na faculdade em que estudava. Aos poucos, ele começou a se aproximar dela, rodeando o grupo de amigos e chegando cada dia mais perto, até que ela se acostumasse com a presença dele. Quanto mais ele se aproximava, mais ele sentia que a queria. Uma semana depois, ele decidiu que já estava na hora de partir para o ataque. Quando o grupo de amigos se dispersou e ela ia saindo, passando ao seu lado, ele a chamou: – Oi, Raiane – ele disse e ela se virou para ele, que a olhou nos olhos. – Puxa, é meio estranho… Você estuda aqui há um bom tempo e só recentemente eu te vi e me senti na obrigação de te conhecer. – Você não me viu porque estava...

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