Pular para o conteúdo principal

Pré-conceito

Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos sessenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal ela era cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma e o tempo do pagamento.
Mas ela já até tinha esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela sonhava havia alguns dias. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos.
Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim.
- Trezentos e cinqüenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara fosse negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja.
- Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto.
- Esse é o preço para pagamento à vista ou no cartão – disse a vendedora, já olhando para a madame que chegava toda arrumadinha, olhando as primeiras peças da loja. – Enquanto você escolhe, vou atender aquela mulher – disse, demonstrando uma certa insatisfação por atender Clara, como se soubesse que Clara não poderia comprar nada.
- Espere. Eu já escolhi. Eu quero esse vestido. Onde posso experimentar?
A vendedora, meio surpresa, indicou o vestuário e saiu rapidamente para auxiliar a madame. A madame olhava de tudo e ia selecionando vários itens para experimentar. Experimentou vários e, adivinhe, não comprou nenhum.
Então, Clara, que demorou no vestuário porque estava visualizando o vestido em todas as posições possíveis, saiu do vestuário e disse para a vendedora que o vestido estava perfeito. Queria levá-lo. Ia pagar com o cartão de crédito.
A vendedora demorou para acreditar quando percebeu que o cartão tinha saldo suficiente. Olhou novamente para Clara, surpresa e desnorteada, e lhe entregou o vestido.
Clara saiu da loja quase chorando. Só não chorou por que já havia passado por situações piores.
A vendedora sentiu-se estranhamente vazia, cheia de preconceitos. Teve vontade de chorar.

"Tem gente que vive chorando de barriga cheia". Maneiras - O Rappa.

Obs: Repetição de uma postagem do dia 11/11/2009.

Comentários

  1. que tenso :T
    pre-conceito é uma merda que existe na sociedade.

    ResponderExcluir
  2. Verdade, pessoas reclamam, arrumam motivo para brigas diversas, só pensam em si mesmas..
    reclamam de mendigos, desigualdades mas não estende a mão pra nada, só se preocupa com o salário no final do mês e com a comida que porá à mesa.
    infelizmente nós mesmo cativamos nosso futuro, cheio de maldade e sujeira ..
    mas ainda há jeito, tempo e forma.. é só saber o caminho certo a ser seguido !

    ResponderExcluir
  3. odeio preconceito, sério mesmo é uma coisa estupida! credo :s

    ResponderExcluir
  4. Tenhamos o conceito de amar, de ser feliz, de viver em paz e bem com o nosso semelhante e isso importa, cada um de nós somos assim diferentes e (im)perfeitos, belos depende de cada olhar!

    Um beijo!
    Juliana

    ResponderExcluir
  5. Isso acontece constantemente na sociedade em que vivemos... É triste, sim, mas é bem real. Preconceitos são pré conceitos idiotas.

    ResponderExcluir
  6. Preconceito é de gente sem conhecimento fingindo ser sábia. Mas a verdade é que todo mundo tem um tipo de pré conceito dentro de sí. É triste mas é real.

    Beijos.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Suas palavras serão bem vindas. Muito obrigado por comentar.

Postagens mais visitadas

Na teoria tudo é fácil e bonito

Não significou nada pra mim (traição)

Postagens mais visitadas deste blog

Esperar é mesmo preciso?

Só poderia mesmo ser uma ilusão. Fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila lhe contou algo. Não era possível, ele pensava. Nos últimos dois anos, ele viveu pensando que não tinha a menor chance, apesar de ter uma esperança no seu peito. O que ele mais queria parece que se tornaria mais do que provável e possível. Tornar-se-ia real. Estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar. Ele criou uma idéia tão improvável na sua mente, que ele não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele. Ela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que Marcela sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira da Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperan...

Preconceito

Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos quarenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal era ela cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma de pagamento e o tempo de pagamento. Mas ela já até tinha esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela sonhava havia alguns dias. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos. Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim. - Trezentos e cinqüenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara fosse negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja. - Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto. - Esse é o preço para pagamento à vista ou no car...

Medo

Era noite. Estava chovendo. Raios e trovões se perdiam pela noite escura. De repente, faltou energia. Carlos estava só em casa. Seus pais estavam trabalhando. Eram professores. Ele era um garoto de apenas 16 anos e começava a ficar com medo. Nesse momento, tentou encontrar uma vela para acendê-la. Ligou seu celular para clarear um pouco em sua volta. Assim, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro. Acendeu então a vela e ficou um pouco mais tranqüilo. Foi aí que escutou alguns barulhos estranhos pela casa e se lembrou que se mudou há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Carlos estava inquieto, com muito medo. E então ouviu um barulho mais estranho ainda vindo da porta da frente. Era um ruído baixo, mas assustador. Carlos sentiu seu coração bater acelerado. Nunca tinha sentido tanto medo. Começava a acreditar que a casa era mal assombrada. Foi então que seus pais chegaram e, quando en...

Veja mais - Clique na imagem

arquivo do blog

Mostrar mais