Pular para o conteúdo principal

Amiga da minha mulher

Edson estava casado há quase um ano e tudo estava indo muito bem, como se ainda estivessem na fase de lua de mel.

Helen, sua mulher, era uma mulher animada, que gostava de organizar pequenas festas e churrascos para seus amigos mais íntimos.

Numa dessas ocasiões, Edson começou a perceber que Eugênia, uma das melhores amigas de sua mulher, não tirava o olho dele, encarando-o diversas vezes e o deixando um pouco constrangido e receoso que as demais pessoas vissem tal situação.

No início, ele imaginou que era culpa da bebida e que isso não ia mais acontecer, mas no outro evento ela foi mais insinuante, estando com uma saia curta, cruzava as pernas de modo sensual, mexendo no cabelo como se apontasse para um lugar que eles ficassem a sós.

Ele fingia que não estava vendo, mas era quase impossível não olhar, pois Eugênia era uma mulher formosa e sabia se vestir de modo provocativo.

De repente, Jorge, um de seus amigos, chegou perto e deu um tapinha nas costas de Edson.

– Cara, você tá bem, hein? Só toma cuidado que ela tá dando muita bandeira… Não pode ser assim, não… Tem que ser bem escondido – disse Jorge, de modo bem-humorado, dando a entender que Edson e Eugênia tinham um caso.

– Tô bem nada. Não tenho nada com ela, mano… Me faz um favor, fala pra ela parar com isso… Tô preocupado. Isso pode me prejudicar.

Cerca de cinco minutos depois, Jorge voltou para falar com Edson.

– Mano, ela tá muito bêbada e descontrolada… Ela disse que vai embora, que tá muito envergonhada.

– Graças a Deus.

– Mas, aqui entre nós, eu pegava fácil – disse Jorge, sorrindo, e Edson também riu.

No outro dia, Eugênia mandou mensagem para Edson, dizendo que se sentia mal com a situação e pediu desculpas. Ele respondeu que estava tudo bem. Em seguida, ela disse que tinha uma queda por ele e não conseguia disfarçar.

No fim de semana seguinte, eles estavam reunidos novamente para mais um churrasco e, enquanto Edson cortava a carne, estando um pouco isolado dos outros, Eugênia chegou perto dele, discretamente.

– Eu sei que isso é errado, mas eu quero você.

Edson ficou paralisado e Jorge, vendo a cena de longe, imaginou o que estava acontecendo e abriu um sorriso.

Meses depois, Eugênia teve um filho e seus amigos foram visitá-la para ver a criança. Helen estava admirando a criança, como as outras mulheres ali.

– Olha, Edson, ele é tão bonitinho, tem o nariz igualzinho ao seu – disse Helen, despretensiosamente.

Jorge deu uma olhada no bebê e sorriu, percebendo que havia algumas semelhanças realmente. Chamou Edson num canto pra conversar.

– Mano, não deu pra resistir, né? Pelo menos fez bem escondido…

– Eu não tenho nada a ver com isso, Jorge. O menino nem parece comigo – disse Edson, sorrindo.


“Ela é amiga da minha mulher, mas vive dando em cima de mim. Ainda por cima é uma tremenda gata, pra piorar a minha situação. Se fosse mulher feia, tava tudo certo. Mulher bonita mexe com meu coração. […] Eu juro a carne é fraca, mas nunca rolou”. Trechos da música Amiga da minha mulher, de Seu Jorge.







Comentários

  1. Oi Diego, tudo bem?
    Edson vacilão, hein?
    Não levei fé que ele resistiu à amiga da Helen. ¬¬ hahaha!
    Fidelidade pra mim é fundamental.
    Beijos,

    Priih
    http://infinitasvidas.wordpress.com

    ResponderExcluir
  2. Adorei o post!

    O Blog da Fênix agora é Cobaia Amiga! Para comemorar a mudança estou sorteando um presentinho para uma leitora lá no blog: http://www.cobaiaamiga.com/2018/01/sorteio-kit-cabelos.html

    ResponderExcluir
  3. Oi Diego,
    Achei engraçadas algumas partes da crônica e mais casa perfeitamente com a música. Eu dei um voto de confiança para o Edson, fui trouxa haha, mas segue assim na vida real tb!

    até mais,
    Nana - Canto Cultzíneo

    ResponderExcluir
  4. Olá, Diego.
    E agora ele traiu ou não traiu? hehe. Torço para que não porque traição é uma coisa que eu particularmente não perdoo hehe.

    Prefácio

    ResponderExcluir
  5. Oi, Diego!
    Fiquei aqui me perguntando se ele fez ou não, hahaha.
    Me fez pensar.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Suas palavras serão bem vindas. Muito obrigado por comentar.

Postagens mais visitadas

Na teoria tudo é fácil e bonito

Não significou nada pra mim (traição)

Coisas simples

Postagens mais visitadas deste blog

Esperar é mesmo preciso?

Só poderia mesmo ser uma ilusão. Fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila lhe contou algo. Não era possível, ele pensava. Nos últimos dois anos, ele viveu pensando que não tinha a menor chance, apesar de ter uma esperança no seu peito. O que ele mais queria parece que se tornaria mais do que provável e possível. Tornar-se-ia real. Estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar. Ele criou uma idéia tão improvável na sua mente, que ele não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele. Ela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que Marcela sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira da Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperan...

Preconceito

Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos quarenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal era ela cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma de pagamento e o tempo de pagamento. Mas ela já até tinha esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela sonhava havia alguns dias. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos. Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim. - Trezentos e cinqüenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara fosse negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja. - Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto. - Esse é o preço para pagamento à vista ou no car...

Medo

Era noite. Estava chovendo. Raios e trovões se perdiam pela noite escura. De repente, faltou energia. Carlos estava só em casa. Seus pais estavam trabalhando. Eram professores. Ele era um garoto de apenas 16 anos e começava a ficar com medo. Nesse momento, tentou encontrar uma vela para acendê-la. Ligou seu celular para clarear um pouco em sua volta. Assim, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro. Acendeu então a vela e ficou um pouco mais tranqüilo. Foi aí que escutou alguns barulhos estranhos pela casa e se lembrou que se mudou há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Carlos estava inquieto, com muito medo. E então ouviu um barulho mais estranho ainda vindo da porta da frente. Era um ruído baixo, mas assustador. Carlos sentiu seu coração bater acelerado. Nunca tinha sentido tanto medo. Começava a acreditar que a casa era mal assombrada. Foi então que seus pais chegaram e, quando en...

Veja mais - Clique na imagem

arquivo do blog

Mostrar mais