Pular para o conteúdo principal

Será que é brincadeira?

 

Só poderia mesmo ser uma ilusão, fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila havia lhe contado algo incrível. Não é possível, ele pensava.

Nos últimos dez meses, ele sempre pensou que não tinha a menor chance com Marcela, apesar de ter uma esperança no seu peito. Agora o que ele mais queria estava bem perto de se tornar real, estranhamente real.

Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar, pois ele havia criado uma ideia totalmente diversa na sua mente e por isso não conseguia ver a verdade.

Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele logo em seguida. Marcela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que sua amiga sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se.

– Isso é patético, cara. Seja homem – ela acrescentou, sorrindo.

No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira de Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperança se concretizar e isso o deixou muito animado.

Como não dava tempo de confirmar a informação, ele decidiu seguir seu coração, criou coragem e foi diretamente para o local marcado e lá encontrou Marcela aparentemente esperando por ele.

– Oi – disse ele, feliz e ansioso.

– Oi – disse ela, sorrindo e se levantando do banco em que estava sentada. Ela também parecia feliz. – Que bom que você veio.

Ele sorriu. Então é verdade, ele pensou.

– Eu pensei que a Priscila tinha inventado isso, mas parece que é mesmo verdade – ele disse e ficou bem próximo dela. Sua expressão demonstrava toda a sua felicidade.

– Você demorou pra perceber meus sinais e eu não sabia mais o que fazer – disse ela, de forma leve, e colocou as mãos nas mãos dele. – Não quero mais perder tempo e você?

Ele não disse nada. Aproveitou a oportunidade, chegou ainda mais perto dela e a beijou longamente. Eles ficaram ali por um tempo, namorando sem nenhuma pressa.

– Eu sei que falhei porque não tive a iniciativa. E posso até parecer precipitado agora, mas, pelo menos, vou tomar a atitude que eu deveria ter tomado – ele fez uma pausa e olhou profundamente nos olhos dela. – O que você acha de um relacionamento sério?

– Tipo namoro? – ela perguntou de forma séria. Ele ficou surpreso e pareceu decepcionado. – Ah, relaxa, eu só queria ver a sua cara. Estava esperando por isso há muito tempo – ela disse sorrindo.


**********************************************


“Você juntou as nossas vidas transformando em uma só. E por alguns segundos eu pude viver num mundo bem melhor”. Trecho da música Fui tão longe da banda Reação em cadeia.




Comentários

Postagens mais visitadas

Na teoria tudo é fácil e bonito

Não significou nada pra mim (traição)

Postagens mais visitadas deste blog

Esperar é mesmo preciso?

Só poderia mesmo ser uma ilusão. Fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila lhe contou algo. Não era possível, ele pensava. Nos últimos dois anos, ele viveu pensando que não tinha a menor chance, apesar de ter uma esperança no seu peito. O que ele mais queria parece que se tornaria mais do que provável e possível. Tornar-se-ia real. Estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar. Ele criou uma idéia tão improvável na sua mente, que ele não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele. Ela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que Marcela sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira da Priscila. Afinal, ela gostava de fazer esse tipo de coisa. Mas ele começou a enxergar a possibilidade de sua esperan...

Preconceito

Clara havia acabado de sair do banco. Tinha passado exatos quarenta e cinco minutos pra pagar uma conta atrasada, que só poderia pagar ali. Ela ainda não entendia por que tinha que esperar tanto tempo pra pagar uma conta, afinal era ela cliente e o credor é que deveria estar correndo atrás do dinheiro, facilitar a forma de pagamento e o tempo de pagamento. Mas ela já até tinha esquecido isso, quando entrou numa loja de roupas, querendo comprar o vestido que ela sonhava havia alguns dias. Nesse momento, apareceu uma moça, uma vendedora cheia de sorrisos. Clara foi direto ao vestido. Ela já sabia o preço, mas perguntou mesmo assim. - Trezentos e cinqüenta reais – disse a vendedora, sem dar muito crédito à Clara, talvez por que Clara não estivesse bem vestida, ou por que Clara fosse negra ou simplesmente por que aquele vestido era o mais caro da loja. - Qual é o desconto? – perguntou Clara, sabendo que não teria nenhum desconto. - Esse é o preço para pagamento à vista ou no car...

Medo

Era noite. Estava chovendo. Raios e trovões se perdiam pela noite escura. De repente, faltou energia. Carlos estava só em casa. Seus pais estavam trabalhando. Eram professores. Ele era um garoto de apenas 16 anos e começava a ficar com medo. Nesse momento, tentou encontrar uma vela para acendê-la. Ligou seu celular para clarear um pouco em sua volta. Assim, conseguiu pegar uma vela e o isqueiro. Acendeu então a vela e ficou um pouco mais tranqüilo. Foi aí que escutou alguns barulhos estranhos pela casa e se lembrou que se mudou há apenas um mês para aquela casa e que os vizinhos tinham falado que os antigos moradores eram estranhos e sempre ouviam barulhos e vozes. Carlos estava inquieto, com muito medo. E então ouviu um barulho mais estranho ainda vindo da porta da frente. Era um ruído baixo, mas assustador. Carlos sentiu seu coração bater acelerado. Nunca tinha sentido tanto medo. Começava a acreditar que a casa era mal assombrada. Foi então que seus pais chegaram e, quando en...

Veja mais - Clique na imagem

arquivo do blog

Mostrar mais