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Fora da biblioteca (continuação do post anterior)

Depois daquela tarde na biblioteca, Marcelo chamou Renata para dar uma volta e eles foram andando de mãos dadas por cerca de duzentos metros e, então, ela, que não conseguia ficar sem falar por muito tempo, perguntou: - Aonde estamos indo? Ele sorriu, ficou de frente para ela, colocou as mãos dele nas costas dela e a puxou para perto e disse, olhando bem fundo dos olhos dela: - Seja paciente, meu bem. Você logo saberá. Um pouco de suspense é sempre bom. Ele chegou bem perto do rosto dela e percebeu que as bochechas dela ficaram avermelhadas. Passou uma de suas mãos pelo rosto dela e disse: - Você é tão linda. Ela ficou esperando o beijo, mas ele recuou, deu um leve sorriso, pegou novamente a mão dela e voltaram a caminhar. Ele quer me deixar louca , ela pensou. Andaram mais um pouco e chegaram num lugar especial, uma espécie de lanchonete, com choperia, cafeteria e música ao vivo. Era sexta. Já estava quase anoitecendo e as pessoas estavam chegando, vindo do trabalho ...

Biblioteca

Era um dia chuvoso, como poucos naquela época quente. Marcelo queria descansar, dormir e não pensar em mais nada. Mas ele precisava estudar. Então, foi à biblioteca da faculdade. Lá ele poderia se concentrar mais, já que em sua casa quase sempre tem muita gente e muito barulho. Quando chegou não havia quase ninguém, mas com o passar do tempo a sala da biblioteca foi ficando quase cheia. E foi então que uma garota chegou e se sentou ao seu lado. - Oi – disse ela e estendeu a mão para ele. – Meu nome é Renata. - O meu é Marcelo – disse, apertando a mão dela. – Nunca te vi por aqui antes... - É a minha primeira vez mesmo. Sou novata aqui. Entrei agora na faculdade e os professores já passaram um monte de trabalhos. Marcelo sorriu. Ia voltar a estudar, mas ela resolveu fazer uma pergunta. - Você chegou aqui cedo, né? Parece que já leu quase tudo. - Cheguei aqui há duas horas e ainda preciso ler muito mais, infelizmente. - Mas você pode me dizer quantos anos tem, né? Marc...

Efeito manada

Numa época de excesso de informação, o efeito manada está reinando. E o que é esse efeito? De modo bastante simples, é o ato de seguir alguém ou uma ideia sem saber o motivo. Seguir porque muita gente está seguindo, por estar na moda. Isso ocorre porque é da natureza humana buscar aprovação. Se está havendo uma manifestação na cidade e você pergunta pra algumas pessoas o motivo de estarem participando do protesto, muitos irão dizer que foram porque todos os seus amigos também foram. A maioria sequer saber o motivo do protesto e, se sabe, não entende realmente aquele motivo. Vai protestar por protestar e acaba manobrado por grupos políticos. E alguns dizem que é legal se manifestar, que demonstra consciência política e insatisfação, que é um ato de cidadania, mas se você pergunta qual é a sua consciência política, eles não sabem responder. É claro que há pessoas ali que sabem o que estão fazendo, mas a grande maioria está naquele local pelo efeito manada. Em tempos de redes...

Passagens pela polícia

Mario estava preocupado. Sua filha não havia voltado para casa e isso nunca tinha acontecido. Ligou para várias pessoas, mas ninguém sabia o paradeiro da sua filha. E então recebeu uma ligação que o deixou completamente desesperado. Sua filha estava morta. Havia sido estuprada e mutilada e infelizmente era verdade. Estava passando na televisão. O repórter estava falando que o assassino foi pego e estava preso, embora não entendesse como antes do crime ele poderia estar solto com três condenações anteriores e oito passagens pela polícia. Aí um suposto especialista disse que existe o princípio da presunção da inocência e alguns institutos benéficos, como a liberdade provisória. Um policial foi entrevistado e disse que o estuprador, quando passava pela polícia, tinha o atrevimento de pedir um cafezinho e falava que logo seu advogado iria tirá-lo dali e que veio só cumprimentar o delegado. Mario, que não entendia nada sobre isso, estava transtornado com a morte de sua filha...

Milagres

Osvaldo pensava que nada mais em sua vida daria certo. Ele estava desempregado, sua namorada o abandonou a ver navios e a sua mãe estava quase morrendo no hospital. Ele chegou a pensar em suicídio, mas orou a Deus e se sentiu melhor, depois de ler algumas passagens da Bíblia. Os dias passavam e tudo parecia cada vez pior: o dinheiro acabando, a saudade aumentando, a sua mãe piorando. E, então, surgiu uma luz no fim do túnel. Um amigo seu apareceu depois de muito tempo e lhe chamou para trabalhar com ele no novo negócio que ele estava abrindo. Lá ele conheceu Michele, sua colega de trabalho, e começaram a conversar e ela estava numa situação parecida com a dele. O ex-namorado dela tinha morrido de câncer. Eles foram se aproximando cada vez mais e começaram a sair pra lanchar, pra jantar ou para simplesmente conversar. Chegou um momento em que ele a pediu em namoro e ela aceitou prontamente, afinal ela estava gostando dele. A mãe de Osvaldo começou a melhorar misterio...

O poder da mídia e a teoria da conspiração

Uma notícia é divulgada num grande veículo de comunicação, detonando um político que estava indo bem nas pesquisas eleitorais e ameaçava o domínio de um certo partido no poder há mais de doze anos. Outra notícia é veiculada por outro grande jornal, divulgando um grande esquema de corrupção que pode ter repercussões justamente nos membros do alto escalão desse partido dominante. Cada veículo dá a sua notícia sem mencionar o outro lado da história e sem qualquer indício concreto para embasar sua versão. É tempo de eleição e qualquer notícia desse tipo vende muito. Os editores não estão muito preocupados com a repercussão negativa que pode ter caso descubram que tudo não passa de informações plantadas. Eles sabem que o eleitor quase sempre só lê uma versão da história, alegando falta de tempo, e a grande maioria acredita cegamente na notícia. A grande mídia, com ligações políticas cada vez mais fortes, só divulga o que lhe interessa e omite informações valiosíssimas. Cada um d...

Trote na faculdade

Jogar fezes e lixo, pintar, agredir e humilhar os calouros são rituais de iniciação dos estudantes que têm origem no século XIV, por volta do ano 1340, na Universidade de Paris, muito antes do trote chegar nas terras tupiniquins. Muitos calouros aceitam ser tratados como animais para não ficarem isolados. Vou citar apenas dois casos para não alongar o assunto. Um estudante de publicidade foi amarrado a um poste na avenida Paulista e humilhado pelos colegas, com várias pessoas passando pelo local sem nada fazer. Outro calouro foi chicoteado, forçado a beber pinga e a rolar em excremento de animais, além de ser amarrado a um poste e sofrer agressões físicas e verbais. Edison não teve a mesma sorte . Foi jogado numa piscina e, sem saber nadar, só saiu de lá morto, enquanto ninguém que olhava a cena teve coragem de oferecer ajuda àquele jovem estudante, mesmo percebendo o inevitável e ouvindo os gritos de socorro. Ele teve sua vida ceifada por um trote, e com isso a possibilidade de...

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