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Encontro imprevisto

  Roberto nunca tinha prestado muita atenção em Juliana, que trabalhava na mesma redação d e jornalismo como estagiária. Para ele, ela era mais uma de muitas colega s que passava m a maior parte do tempo revisando textos e checando informações . Mas tudo mudou em uma tarde chuvosa, quando o ar-condicionado do local deu um defeito e eles dois foram escolhidos par a trabalhar na sala de arquivo. O espaço era pequeno, mal iluminado e cheirava a papel antigo, mas a proximidade começou a deixá-lo inquieto e foi ali que ele então a enxergou de verdade pela primeira vez. Ela usava um a blusa larg a , tinha os cabelos presos em um coque bagunçado e estando tenta ndo alcançar uma pasta na prateleira mais alta. Roberto se aproximou para ajudar, pegou a caixa pesada e, quando foi entregá-la, os olhares deles se cruzaram. Naquele instante, ele percebeu o quanto os olhos dela eram expressivos e o sorriso, embora tímido, carregava um brilho que não podia ser ignorado . ...

Mais um pouco de romantismo

  Fernando estava fazendo o quinto período do curso de medicina quando conheceu uma caloura, que o deixou desnorteado. Então, ele bolou um plano para se aproximar dela, sem parecer forçado, rodeando o grupo de amigos dela para que se tornassem amigos em comum e, assim, ela se acostumaria com a presença dele. Depois de poucos dias, ele decidiu que já estava na hora de falar com ela diretamente. No final da resenha após a aula, quando o grupo de amigos se dispersou e ela ia saindo, passando ao seu lado, ele a chamou: – Oi, Daiane – ele disse e ela se virou para ele, que a olhou firmemente nos olhos. – Oi, Fernando. O que você manda? – disse ela de modo despojado e ele sorriu. – Ah… É que eu ouvi você falando que tá com dificuldade em bioquímica, que o professor é durão e eu acho que posso te ajudar nisso. – Sério? Pois fechou. Eu tô perdida nessa matéria. – Mas tem uma condição… – ele falou, deixando um pouco de suspense no ar. Ela fez uma expressão de surpresa e, depo...

Armação?

  Só poderia mesmo ser uma ilusão, fantasia, sonho. Nada mais. Os pensamentos mais loucos passavam pela cabeça de Jaílson. Nada mais fazia sentido desde que Priscila havia lhe contado algo incrível. Não é possível , ele pensava. Nos últimos dez meses, ele sempre pensou que não tinha a menor chance com Marcela, apesar de ter uma esperança no seu peito. Agora o que ele mais queria estava bem perto de se tornar real, estranhamente real. Era tão surreal pra ele que era difícil de acreditar, pois ele havia criado uma ideia totalmente diversa na sua mente e por isso não conseguia ver a verdade. Priscila havia dito que Marcela queria se encontrar com ele logo em seguida. Marcela já estava cansada de esperar pela iniciativa dele. Priscila disse que sua amiga sabia do interesse dele e sabia também que ele nunca teria coragem de declarar-se. – Isso é patético, cara. Seja homem – ela acrescentou, sorrindo. No início, Jaílson pensou que se tratava apenas de mais uma brincadeira ...

Na biblioteca

  Era um dia chuvoso, como poucos naquela época quente. Marcelo queria descansar, dormir e não pensar em mais nada. Mas ele precisava estudar. Então, foi à biblioteca da faculdade. Lá ele poderia se concentrar mais, já que em sua casa quase sempre tem muita gente e muito barulho. Quando ele chegou, não havia quase ninguém, mas, com o passar do tempo, a sala da biblioteca foi ficando cheia, quase sem lugares vazios. E foi então que uma garota desengonçada chegou e se sentou ao seu lado. – Oi – disse ela e derrubou um livro. – Oi. – Me desculpe, meu nome é Renata. – O meu é Marcelo. Nunca te vi por aqui antes… – É a minha primeira vez mesmo. Sou novata aqui. Entrei agora na faculdade e os professores já passaram um monte de trabalhos. Ela estava visivelmente sem graça e por isso começou a falar sem parar. Marcelo sorriu. Ia voltar a estudar, mas Renata resolveu fazer uma pergunta. – Você chegou aqui cedo, né? Parece que já leu quase tudo. – Cheguei aqui há duas hor...

Fantasia de controle

  Olívia foi traída novamente e estava muito triste com mais uma decepção amorosa. Então, procurou sua amiga Andreia para desabafar. – Por que só me envolvo com as pessoas erradas? – Você quer mesmo a verdade? – Andreia deu uma chance para que Olívia recuasse. – Diz aí. – Então tá… Você tem uma fantasia por embustes, acha que vai “domesticar” o cara, que ele vai mudar por você, vai deixar de ser galinha, mas a chance de isso acontecer é quase zero. No fundo, Olívia já sabia o motivo, mas precisava que alguém que lhe dissesse a verdade. Ela sabia que gostava de se envolver com as pessoas erradas e estava começando a achar que era um defeito de fábrica, que tinha o dedo pobre. Seus ex eram todos do tipo “safado, cachorro, sem vergonha”, canalhas, cafajestes, embustes e por aí vai. Até seus ficantes e contatinhos não eram do tipo que ela teria orgulho de apresentar para a família porque não queriam nada da vida. Olívia tinha essa fantasia de querer controlar um homem mu...

Paranóia romântica na quarentena

  Valéria estava vendo muitos filmes de romance durante a quarentena na pandemia. Já eram vários dias em casa, sem trabalhar, sem contato com outras pessoas. Apenas algumas idas ao supermercado e à farmácia. Além dos filmes, séries e de músicas de sofrência, regadas a algumas doses de bebida, as distrações eram as redes sociais e aplicativos de conversas online, o que acabava fazendo com que ela começasse a se lembrar de alguns momentos com seu ex namorado. Ele estava postando algumas fotos antigas e atuais e a mente dela começou a viajar por momentos em que foram muito felizes, nos primeiros meses de namoro, quando tudo parecia um conto de fadas. Esse período trancafiado estava deixando muita gente maluca. Até quem jurou que não voltaria pro ex namorado estava começando a amolecer o coração. Valéria sabia que a chance de volta era pequena. Seu namoro não acabou por traição, mas parecia que ele não era o cara certo, que faltava alguma coisa. Só que no momento de solidão, ...

Violência doméstica (ciúme doentio)

  Alessandra era jovem, cursava o sétimo período do curso de Direito e se envolveu amorosamente com um professor durante três meses. Viu que ele era ciumento demais e terminou o relacionamento. E le não aceitou de forma pacífica o fim e ligava diversas vezes, tentando reatar o namoro. Às vezes a seguia e chegou a ameaçá-la de morte. Ele era professor de Direito e, como alguém formado na área, deveria saber que ameaça é crime, mas com o passar do tempo as ameaças foram aumentando e ela se viu num beco sem saída. Denunciou a situação ao diretor do curso, que não deu muito crédito à história e preferiu não fazer nada. A família dela estava preocupada e tentou comunicar o caso à polícia, mas o professor cumpriu a ameaça muito rapidamente e, numa manhã chuvosa, quando Alessandra saía de sua casa, em seu carro, ele chegou e adentrou o veículo. Ela ficou assustada e ele disse que não conseguia mais viver sem ela. Ele parecia muito instável e desesperado. Ela tentou acalmá-lo ...

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